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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

25.Set.18

Recordar onde somos/fomos felizes

Viajar a quatro pelos quatro cantos do mundo é sempre sinónimo de chegar a casa com toneladas de fotografias. Não somos aquela família que fotografa a pensar se um sítio está Insta-ready ou não. Fotografamos, sim, mas coisas que nos fizeram rir ou pormenores que nos chamaram a atenção, as comidas e as cores de cada lugar. E tiramos sempre a fotografia da praxe dos quatro juntos em viagem, normalmente à chegada.

 

Para mim, olhar para essas fotografias no fim do Verão é recordar os bons momentos que passamos juntos. Mas também as aventuras, as peripécias e os desafios de viajar com dois miúdos pequenos. De resto, as fotografias são como cápsulas do tempo: nem nós nunca mais vamos voltar a ser as pessoas que estão na fotografia, nem aqueles lugares vão ficar estagnados no tempo à espera da nossa segunda visita. Tenho a certeza que quando voltarmos a muitos deles, quase nenhum estará igual. Mas sempre com a certeza que um dia quero voltar a onde fui feliz.

 

Esse é o poder da fotografia: mostrar lugares diferentes, mas também estados de espírito diferentes. Às vezes, mostram-nos perspectivas que nunca tivemos. Ou pelo menos foi isso que senti quando vi a primeira fotografia que o meu filho tirou aos pais. Sem enquadrar bem, ligeiramente (ou mesmo) torta, lá conseguiu fotografar-nos a rir para ele. É assim que nos vê: não compreende bem as nossas regras, mas somos um brinquedo interactivo e altamente avançado.

 

Para quem não tem a sorte de conseguir viajar tantas vezes como nós - não falo da coragem, pois acredito que viajar com crianças é mais uma questão de planeamento do que de coragem - fazer uma sessão de fotos aqui mesmo pode transformar-se na vossa própria cápsula do tempo. Espreitem esta plataforma onde podem procurar fotógrafos em Lisboa e fotógrafos no Porto, diz que está na moda as fotografias “mais profissionais” ou não fossemos nós todos (e todas principalmente) um pouco viciadas neste novo mood “instalife”, em que cada instante perfeito fica ali guardado para sempre. E porque recordar é viver, não querem experimentar?