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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

03.Nov.20

Está a ser um ano daqueles

O ano começou mal, o aborto, a espera pela expulsão em Janeiro. Depois veio Fevereiro, já mais composta mas com os meus medos a ficarem mais vincados, com os ataques de pânico novamente à espreita e com a obsessão pelas maminhas de novo em altas. Março trouxe o confinamento, foram 4 meses caóticos, eu em casa em teletrabalho, com um pico de trabalho daqueles, e os miúdos completamente passados da cabeça por estarem trancados. E Maio e porque andava paranóica, nova ecografia mamária, novo quisto identificado e novamente 3 BIRADS para cada mama. Junho trouxe a certeza que o meu pai teria de fazer cateterismo para resolver a arritmia, operação simples que iria correr bem com certeza. Julho endireitou-se, o mais velho na escola, o mais pequeno mais estabilizado, e o pico de trabalho começava a diminuir. Agosto trouxe as férias em família, e se já tinha estado 5 meses seguidos com eles 24 horas sob 24 horas, tudo o que me apetecia era sair sem eles. Mas não era tempo de viagens, de aviões de arriscar em países que não o nosso. Em Agosto o meu pai foi operado, correu tudo bem, só que não. Uma intervenção simples que passou a calvário quando lhe romperam uma veia ao lado da artéria por onde fizeram o cateterismo. Internado de urgência, tive duas semanas sem o ver porque em tempo de Covid as visitas não são permitidas, depois de uma valente anemia, de uma brutal hemorragia, de várias transfusões, ao fim de duas semanas veio para casa. Apercebi-me a dada altura que não dormia há 22 dias, ou melhor, dormia uma a duas horas por noite. Estava um caco, esgotada, ressacada, e com as minhas paranóias no fim da linha. Tive de pedir ajuda, e fui medicada. Diz que é uma espécie de depressão, com somatização extrema (sintomas físicos verdadeiros produzidos pela nossa cabeça). Outubro trouxe a paz, a medicação já faz o seu efeito e agora olhando para trás vejo o quão doente estava. A mamografia deste mês também veio certinha mas lá está, medicada deixei de ter esta paranóia. 

Não aprendi nada este ano, foi um ano passado em vazios, em angústia e em stress, e só peço que a paz de Outubro se mantenha até ao fim do ano. Entretanto claro está, o tema do terceiro filho teve de ser adiado, não quero ser mãe nestes tempos estranhos e quero dar ao meu corpo aquilo que ele precisa neste momento: paciência, paz e equilíbrio.

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