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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

05.Abr.19

E agora o outro lado

Encaramos isto de ser mãe como o melhor do mundo, olhamos para os rebentos e temos vontade de apertá-los em abraços infinitos e de esborrachá-los com beijos. Mas existe o outro lado, existe sempre.

Ser mãe é deixar de ter uma entidade própria, és a mãe do A e B, não és a Gracinha. É deixar de estar na casa de banho sozinha. Posso dizer-vos que tomo banho todos os dias com os olhos grandes do Matias pregados em mim, ponho rímel com ele ao colo e estico o cabelo a cantar “a barata diz que tem!”.

Não me lembro da última vez que saí à noite, talvez em 2013. Fui uma vez à Rua cor-de-rosa em 2015 ao bom e mau não sei o quê e tive de sair para vir desmaiar à porta tal era o calor que lá estava dentro. Costumo ir ao Purista com o meu marido mas antes do jantar. De tal forma que já fomos lá beber Mojitos e depois fomos para casa porque comemos tantos amendoins que já não havia fome para ir ao Sea Me. Isso, e porque já estávamos com os copos e copos com estes anos de maternidade dá é sono.

Podia dizer que é da idade, mas só tenho 33 anos. Podia culpar-me da falta de vida social com adultos. Mas reparem, acordo todos os dias com um despertador chamado Matias, nunca depois das 07h. Todos os dias desde há 15 meses. Os meus sogros ficam com ele para eu ir sair à noite, mas na manhã seguinte quem lá está para dar o biberão é esta aqui que se foi enfrascar. E, portanto, não vou. Prefiro dormir. A culpa é destas criaturas diurnas cujas camas ganham picos mal o sol nasce.