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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

05.Dez.17

As grávidas não podem tomar nada

Desde o inicio da gravidez que ouvimos esta lengalenga, grávida que se preze sofre de maleitas e cuida com benuron. Tens dores de dentes, benuron, febre, benuron, doi-te a cabeça benuron, tudo se trata com benuron, excepto as infecções urinárias que vai de antibiótico e daqueles fortes (confesso que ainda não percebi muito bem o critério).

 

Eu grávida de segunda viagem respeito muito estas teorias, e na quarta-feira passada quando comecei a sentir uma pontinha de dores de garganta comecei pelo primeiro medicamento: um pai nosso para que aquilo não evoluísse para mais nada. Quinta-feira às 16h resolvi abandonar o posto de trabalho porque já me sentia febril e tomei o primeiro comprimido permitido, benuron! 

 

Às 21h já completamente entupida, só a conseguir respirar pela boca resolvi ir para a cama depoois de ter feito a habitual lavagem nasal com rinodouche. Às 02h da manhã tive um pico de febre que resolvi atacar com mais um benuron, eu tremia por todos os lados e ainda ouvi do meu marido que o problema era meu que estava mal agasalhada. Na sexta-feira estava desfeita em ranho que teimava em não sair, expesso como cimento mas com a cor amorosa de mostarda dijon. Continuei com o Benuron de 8 em 8 horas até porque tinha uma nova dor: doiam-me as bochechas, os maxilares e claro está a cabeça no geral. Aprendi pela primeira vez o verdadeiro significado de "cabeção". 

 

Sábado já em desespero resolvi ignorar aquele estado lastimável em que me encontrava e fui ao ginásio ter um treino duro, já que os pais nossos não estavam a resultar nem os benurons que o suar e as endorfinas me dessem outra esperança. Claro está, piorei.

 

A sentir-me miserável, sem dormir há 3 noites disse ao meu marido em modo de grávida histérica "eu preciso de drogas, medicamentos, qualquer coisa que me deixe pelo menos dormir mais do que duas horas seguidas". E ele sempre a dizer-me que eu no dia a seguir estaria melhor. Resolvi mandar uma mensagem ao obstetra a relatar aqueles sintomas estranhos "ranho amarelo mostarda e dor nas bochechas", e ele resolveu responder me tarde e a más horas, já perto das 6h da manhã de domingo, "vá às urgências que tem de ser vista pela medicina interna".

 

E pronto, saltei da cama e voei até à Cuf, sedenta de drogas, qualquer coisa que me devolvesse um pouco o meu bem estar físico, psicológico e emocional. 

 

O diagonóstico foi uma verdadeira crise de sinusite aguda inflamatória, grávida que é grávida não pode tomar nada, mas eu tive direito a antibiótico, xarope, anti-inflamatório e vibrocil (que até ver é a única coisa que faz realmente algum efeito). Sinto-me ligeiramente melhor, dizem que ao fim de 3 dias de antibiótico a coisa melhora, não sei... até ver as melhorias são tão ténues que já desisti de estar em casa e hoje vim trabalhar (sim sou um ser teimoso).

 

Grávidas desse lado, se porventura experimentarem todas as mezinhas, rezarem muito e ainda tomarem benuron e a coisa não melhorar não esperem por estar desfeitas em fluidos amarelos antes de se dirigirem a um serviço de urgências. 

 

No meio de tanta parvoíce ainda ouvi a seguinte pérola da minha empregada: olhe que das semanas que você está dizem que o bebé nasce ranhoso se a mãe se constipar. Ok, ok!

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