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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

19.Out.18

um pouco de mim

Deste lado não escreve só uma mãe, escreve uma mulher com uma vida para além dos dois rebentos que gerou. Uma mulher que trabalha e cuja a vida não se resume a fraldas, leite em pó e noites mal dormidas (que diga-se senhores tem sido uma constante nestes últimos dias).

Esta que vos escreve tem agora 33 anos, advogada de cédula apenas, pós graduada em fiscalidade e mestre em finanças. Algures no tempo perdi-me dentro do sítio onde trabalho e subi (ou desci) para a direcção financeira. Por lá fui ficando, acomodada em jeito de rotina, habituada a todos os processos mais ou menos iguais e com muita experiência no relacionamento bancário angolano. Não ganhei cabelos brancos porque tive sorte na genética e apenas tenho um, mas ganhei muitas horas de choro quando me apercebi que já não ia a tempo de uma carreira e que todos os diplomas que me queimaram as pestanas de nada serviriam na posição em que estava. 

Mas o dinheiro trás-nos felicidade e acomoda-nos numa letargia nada típica desta idade. E quando vi que já era tarde para saltar fora, tentei saltar dentro da própria empresa. Subi (ou desci) para a direcção de negociação e propostas, passei de um ambiente de juristas/advogados para o ambiente dos engenheiros. E por aqui me encontro. O método é diferente, não existe rotina, existem picos de muito trabalho que dão direito a directas (nada simpático para quem já dorme tão pouco por causa das crianças), férias de computador às costas porque surgem sempre propostas para responder e uma série de outras coisas menos agradáveis. 

Todos os dias me arrependo por ter dado o salto e todos os dias dou graças a deus por ter tido coragem de o fazer. Porque o arrependimento vem pela diminuição do conforto que a rotina me proporcionava e o graças a deus porque hoje sou mais feliz. 

Sei, de consciência que a carreira já o era porque o caminho entre a minha formação e a minha experiência não seguiu de mãos dadas e afastou-se ainda mais a partir do momento em que quis voltar a ser mãe e tive uma gravidez de 33 meses.