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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

26.Out.18

Daqueles momentos

Falava com uma amiga a propósito de ter um "profissional" a fotografar o parto, dizia-me ela que não entendia como era possível sendo uma coisa tão íntima. Respondi-lhe que achava que era uma coisa tão natural que não via grande problema, aliás é um momento tão único (ainda que não o ache espectacular) que eu própria gostava de ter podido registar esses momentos. De íntimo penso que tem muito pouco, pelo menos os partos por cesariana não o são. É toda uma confusão, máquinas, tubos, enfermeiros, anestesista, pediatras, médico assistente, médico obstetra (marido já agora), o que interessa mais uma pessoa? E a meu ver uma coisa é registar outra é partilhar para o mundo inteiro essas imagens.

Quem me dera que o fotografo do meu casamento tivesse lá para registar aquele momento com tanta mestria que só ele é capaz como o fez aqui neste caso

23.Out.18

Fomos ao Zoo no Tivoli (BBVA)

Sábado fomos ao Tivoli ver a peça/musical infantil ZOO da produção Plano 6. Adorámos, só tive pena de ver a sala tão vazia e com bilhetes a preços tão acessíveis. Infelizmente nós portugueses continuamos a preferir belas tardes passadas em centros comerciais, ikeas e afins, enquanto comemos uma bela bodega carregada de gorduras trans. É triste.

 

Fica a sinopse da peça para quem ainda quiser ir com os pequenos:

O dia amanhece no Jardim Zoológico e com ele nascem mais mil e uma possibilidades de muitos sorrisos e brincadeiras. Zena, a Leopardo-da-pérsia, o casal de araras, Jacinta e Joaquim, a orangotango Laranja, a suricata Suri e o órix Oscar são alguns dos animais que se juntam para brindar a um novo dia de sol. Apesar disso os responsáveis do Jardim estão preocupados com o estado de algumas espécies na natureza e com a forma como o Homem se comporta em relação a tantas espécies em perigo de extinção.

Zoo é uma história de relações fortes. Uma visita guiada pelo coração ao Jardim Zoológico e aos animais que lá vivem. Um hino à conservação, à liberdade, ao conhecimento. Uma história de amor e de amizade que embalará todos num misto de emoções. Um musical inesquecível para todos os que amam os animais e lutam por um mundo melhor.

22.Out.18

entre ranhocas e clinex

No dia 3 de Setembro o Henrique regressou às aulas, depois de mais de um mês de férias sem lenços ou passagens na farmácia para comprar neo-sinefrina. No dia 4 do mês referido já estava com uma ameaça de ranho e no dia 5 começava a saga e a lista de indispensáveis do momento:

- lenços de papel

- soro fisiológico

- rinhomer

- nasomet

- actifed

- celestone

- atrovent

- ventilan

- benuron

- brufene

- greentuss

..........................

Hoje dia 22 de Outubro tudo continua igual, mas agora em vez de 1, são dois (ou 4 se contarmos com os adultos da casa que também são sempre acometidos pela bicharada). Passo a vida na farmácia a comprar gotas e gotinhas que por vezes desconfio tratarem-se de placebo tal é o efeito nulo da coisa. O meu estado normal varia entre cansaço, cansaço extremo, e estado comatoso. O estado deles varia entre mal-dispostos, rabugentos, impossíveis e insuportáveis. A minha casa parece uma enfermaria, não há pacotes de compressas que resistam e o inverno ainda nem começou.

Pagava um prémio à alma que inventasse um método para exterminar viroses escolares. 

 

 

19.Out.18

um pouco de mim

Deste lado não escreve só uma mãe, escreve uma mulher com uma vida para além dos dois rebentos que gerou. Uma mulher que trabalha e cuja a vida não se resume a fraldas, leite em pó e noites mal dormidas (que diga-se senhores tem sido uma constante nestes últimos dias).

Esta que vos escreve tem agora 33 anos, advogada de cédula apenas, pós graduada em fiscalidade e mestre em finanças. Algures no tempo perdi-me dentro do sítio onde trabalho e subi (ou desci) para a direcção financeira. Por lá fui ficando, acomodada em jeito de rotina, habituada a todos os processos mais ou menos iguais e com muita experiência no relacionamento bancário angolano. Não ganhei cabelos brancos porque tive sorte na genética e apenas tenho um, mas ganhei muitas horas de choro quando me apercebi que já não ia a tempo de uma carreira e que todos os diplomas que me queimaram as pestanas de nada serviriam na posição em que estava. 

Mas o dinheiro trás-nos felicidade e acomoda-nos numa letargia nada típica desta idade. E quando vi que já era tarde para saltar fora, tentei saltar dentro da própria empresa. Subi (ou desci) para a direcção de negociação e propostas, passei de um ambiente de juristas/advogados para o ambiente dos engenheiros. E por aqui me encontro. O método é diferente, não existe rotina, existem picos de muito trabalho que dão direito a directas (nada simpático para quem já dorme tão pouco por causa das crianças), férias de computador às costas porque surgem sempre propostas para responder e uma série de outras coisas menos agradáveis. 

Todos os dias me arrependo por ter dado o salto e todos os dias dou graças a deus por ter tido coragem de o fazer. Porque o arrependimento vem pela diminuição do conforto que a rotina me proporcionava e o graças a deus porque hoje sou mais feliz. 

Sei, de consciência que a carreira já o era porque o caminho entre a minha formação e a minha experiência não seguiu de mãos dadas e afastou-se ainda mais a partir do momento em que quis voltar a ser mãe e tive uma gravidez de 33 meses. 

18.Out.18

sonhos de laboratório

Ontem recebi uma factura de 695 euros relativa à criopreservação dos meus 7 embriões criopreservados no centro da Ginemed relativamente ao ano passado e ao próximo. Não sei o dia de amanhã, não sei sequer se quero ser mãe outra vez, se o conseguiria de forma natural ou se vou precisar de recorrer outra vez aquela clínica. Não sei de nada, sei apenas que este sonho que graças a deus consegui realizar tem-me saído muito caro. Não voltaria atrás em nenhuma das decisões que tomei, inclusive a de "ajudar" um casal anónimo com 3.500 euros, mas custa-me que seja um tratamento tão inacessível ao comum dos mortais e quando é uma realidade tão constante nos dias que correm.

17.Out.18

10 meses

Bola Gorda tem quase 10 meses e é o bebé mais apetitoso que se pode desejar. Dorme bem, come bem, é bem disposto. Passa a vida constipado porque o mais velho é coleccionador de vírus e bactérias que transporta do colégio para casa, mas fora isso tudo bem.

Já gatinha da mesma forma cómica que o irmão usava: arrasta-se qual soldado nas trincheiras. Bate palminhas e diz adeus. Já disse mamã mas chateou-se e não voltou a repetir a gracinha desde Agosto. Adora sopa com consistência de um bom purá de batata, adora fruta, bolachas, iogurtes, papa, leite, pão, adora as migalhas que apanha do chão do resto do pequeno almoço do irmão.

Adora tomar banho e estar despido, detesta vestir as mangas. Adora-me a mim a cima de tudo (oh que mãe tão babáda) e faz as delícias da casa. 

17.Out.18

Curtas - Pablito

Sábado depois de mais uma birra daquelas com direito a fazer de espanador no chão tirei-lhe a chupeta. Disse acabou, estou farta, acabaste de perder a única chupeta que te sobrava. Saiu de casa lavado em lágrimas, a companhia de 4 anos (sim 4 anos mas já só era à noite) tinha ido para o lixo.

Chegou a casa dos meus sogros, ciganito que só ele e diz "sabem eu deixei a chupeta já não preciso daquilo para nada, só me atrapalha durante a noite porque perde-se na cama e depois tenho de andar à procura dela". E assim foi, mais um passo no crescimento dele, sem grandes dramas e como se nada fosse. 

 

04.Out.18

instamoments

Estes momentos entre os dois, raros porque o mais velho continua a sofrer de ciumeira crónica, são os melhores do meu dia. E do bebé Matias que se derrete todo cada vez que o irmão se aproxima dele.

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02.Out.18

Quando o telefone toca

Boa tarde, aqui fala o pai da M da turma do seu filho. O meu coração parou, passaram-me 100 cenários pela cabeça, um deles foi que o meu filho no alto dos seus 4 anos, qual delinquente, teria feito algum disparate muito grande que tivesse mandado a miúda para o hospital.

Está tudo bem, queria só avisá-los que o vosso filho está constantemente a importunar a M, bate-lhe e hoje inclusive apertou-lhe as bochechas, que ficaram com marcas vermelhas. Cordialmente o meu marido foi respondendo, nunca desculpando o nosso rebento (até porque o mau comportamento não deve ser desculpável) e dizendo que iria falar com ele. Desligaram o telefone e imediatamente começámos a zangar-nos com ele que já estava lavado em lágrimas sem perceber muito bem o drama da situação. Ficou de castigo e percebeu que não se bate (apesar de que sonsinho que só ele não o chegar a fazer porque manda um colega na vez dele).

Depois de o deitar e me sentar no sofá, já a sedimentar aquele telefonema comecei a ficar furiosa. 1 - a dita menina passa a vida a arranhar o meu ao ponto de ele dizer que ela precisa de cortar as unhas, 2- nunca me passou pela cabeça meter-me num assunto destes, ligar para os pais dela porque têm 4 anos, 3 - eu deveria ser avisada pelo colégio (que não fui porque disseram que não se justificava), e não pelos pais da miúda (a lista de contactos dos pais circulou apenas para efeitos de convites de festas de anos e outros assuntos relacionados) 4 - eles têm 4 anos, se já é assim com esta idade como será quando tiverem 10? Pedem à GNR para intervir? 

Não estou a desculpar ninguém, mas parece-me excessivo tudo o que fazemos nos dias de hoje em relação aos nossos rebentos. Esta protecção extrema, este andar sempre em cima do acontecimento, querer que eles sejam brilhantes quando ainda nem sequer andam, que falem quando só têm idade para dizer meia dúzia de palavras soltas, que dancem quando ainda mal gatinham. E se os deixássemos ser crianças de 4 anos apenas? Com arranhões, pontapés, baba e ranho à mistura?