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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

26.Set.18

Meu de Susi Fox

Meu é daqueles livros que se começa a ler e não se larga. Não conheço a autora, mas o tema é tão forte e perturbante que nenhuma mulher fica indiferente (até aquelas que preferem sempre os "grandes" escritores).

E se um dia acordássemos numa cama de hospital, depois de submetidas a uma cesariana de urgência, olhássemos para o bebé e disséssemos "este bebé não é o meu". E se depois disso fôssemos acusadas de incapazes e nos fosse passado um atestado de psicose pós-parto. Quem acreditaria em nós?

Estou praticamente a meio, mas desejosa de chegar ao fim. 

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25.Set.18

Recordar onde somos/fomos felizes

Viajar a quatro pelos quatro cantos do mundo é sempre sinónimo de chegar a casa com toneladas de fotografias. Não somos aquela família que fotografa a pensar se um sítio está Insta-ready ou não. Fotografamos, sim, mas coisas que nos fizeram rir ou pormenores que nos chamaram a atenção, as comidas e as cores de cada lugar. E tiramos sempre a fotografia da praxe dos quatro juntos em viagem, normalmente à chegada.

 

Para mim, olhar para essas fotografias no fim do Verão é recordar os bons momentos que passamos juntos. Mas também as aventuras, as peripécias e os desafios de viajar com dois miúdos pequenos. De resto, as fotografias são como cápsulas do tempo: nem nós nunca mais vamos voltar a ser as pessoas que estão na fotografia, nem aqueles lugares vão ficar estagnados no tempo à espera da nossa segunda visita. Tenho a certeza que quando voltarmos a muitos deles, quase nenhum estará igual. Mas sempre com a certeza que um dia quero voltar a onde fui feliz.

 

Esse é o poder da fotografia: mostrar lugares diferentes, mas também estados de espírito diferentes. Às vezes, mostram-nos perspectivas que nunca tivemos. Ou pelo menos foi isso que senti quando vi a primeira fotografia que o meu filho tirou aos pais. Sem enquadrar bem, ligeiramente (ou mesmo) torta, lá conseguiu fotografar-nos a rir para ele. É assim que nos vê: não compreende bem as nossas regras, mas somos um brinquedo interactivo e altamente avançado.

 

Para quem não tem a sorte de conseguir viajar tantas vezes como nós - não falo da coragem, pois acredito que viajar com crianças é mais uma questão de planeamento do que de coragem - fazer uma sessão de fotos aqui mesmo pode transformar-se na vossa própria cápsula do tempo. Espreitem esta plataforma onde podem procurar fotógrafos em Lisboa e fotógrafos no Porto, diz que está na moda as fotografias “mais profissionais” ou não fossemos nós todos (e todas principalmente) um pouco viciadas neste novo mood “instalife”, em que cada instante perfeito fica ali guardado para sempre. E porque recordar é viver, não querem experimentar?

21.Set.18

Desmame nocturno

Todos sabemos que ter um bebé em casa pode virar um tormento quando as noites são mal dormidas. Tal como vos disse aqui as noites não estavam a ser fáceis porque sua excelência queria comer de 3 em 3 horas (apesar de durante o dia fazer intervalos maiores). Depois de falar com uma amiga, especialista no sono do bebé, a querida e gira Maria Serra Brandão, comecei nesse mesmo dia o desmame. Não ia recuar e também não lhe íamos dar uma gota de leite. O primeiro chamamento foi por volta da meia noite e meia, berreiro pegado quando percebeu que aquilo que ele lhe deu era apenas água. Demorou mais de meia hora a adormecê-lo ao colo, com muito embalo à mistura. Nessa noite estes despertares foram de duas em duas horas. Chorou que se fartou mas ele não vacilou. Segunda, terceira e quarta noite foram iguais. Ninguém dormiu nada de jeito naquela casa durante 4 noites, mas a verdade é que eu e ele já há 8 meses que andávamos tipo zombies. 

 

A partir da 4ª noite a coisa começou a melhorar, continuava a acordar de duas em duas horas ou de três em três mas já quase não era preciso colo, só colocar a chupeta e fazer um shhhh. Duas semanas se passaram, e já não come de noite, janta por volta das 19h45 e só volta a comer a partir das 07h15. Já por 4 ou 5 noites nenhum de nós foi ao quarto dele a noite inteira. Já sossega sozinho, coloca a chupeta e continua o seu sono. 

 

Nós os dois, eu e ele temos 8 meses de sono por recuperar, mas já quase que temos vontade de celebrar esta pequena vitória (só não celebro porque normalmente quando o faço nesse mesmo dia corre tudo mal de novo). O nosso bebé, em duas semanas aprendeu a dormir e a (re)adormecer sozinho, sem maminha, tetina, embalo ou outro conforto. E com apenas meia dúzia de dicas a coisa resolveu-se. E vocês por aí, como são/eram esses sonos com bebés desta idade?

18.Set.18

17.09

O dia 17 de Setembro é especial. 7 anos se passaram desde que naquele dia perante todos resolvemos dizer sim e trocar as alianças. A minha com o nome dele, a dele com o meu. Símbolo do amor que nos une e do nome que trazemos junto do peito. 7 anos depois passámos de dois para quatro. Dois minis-nós, mas mini-teus que meus, mas nossos. 7 anos depois e por muitas queixas soltas e palavras ditas em discussão continuas a ser o meu preferido e único amor. Que daqui a 10, quando casarmos também a data possamos renovar os votos e juntar todos os mesmos para testemunhar. Que daqui a 10 já estejamos ainda maiores, em amor e família, em tudo o que a vida nos puder dar. 

 

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11.Set.18

Das férias com todos

Gostamos sempre de sair de Portugal em Agosto. Fazer uma viagem, de apanhar um avião. E se antes era a dois, uma escapadela aqui outra acolá apenas para perguiçar, passear e namorar, agora levamos os mini-nós. Já somos 4, e isto tem tanto de maravilhoso como de caótico. Se um já tem 4 anos e a coisa é mais fácil, o outro, nesta viagem à Ilha do Sal tinha 7 meses.

Sem contar com as 60 fraldas necessárias, trinta mudas de roupa, peluche com que dorme (que por sinal é maior que ele), musica para adormecer, fomos munidos com 14 refeições, boiões de fruta, pacote de leite, papa. Uma mala cheia de comida (e ainda bem que a água lá não é muito fixe), o ovinho, o carrinho, os brinquedos e petiscos do mais velho, um necessaire cheio de medicamentos e pomadas especiais (curioso que fui picada por uma abelha nos dois dias em que tive só com o meu marido e não levámos medicamentos nenhuns - Lei de Murphy nunca falha)...

É tanta coisa para eles que para nós vai o básico, não há cá grandes produções, uma trolley para os dois adultos e chega (confesso que me esqueci de todas as camisas do meu marido e o pobre homem teve de jantar todos os dias de t-shirt que é coisa que abomina). Tivemos 5 semanas fora de casa, eu ainda lá fui umas quantas vezes deixar roupa suja e fazer sopas para a mini criatura, mas eles não puseram lá os pés. Se há quem me chame de louca, há, se me perguntam se são férias, são mas não daquelas em que voltamos descansados, se eles não voltam completamente sem regras e rotinas, sim voltam, mas no fim do dia, nada apaga aquelas caras felizes, as pernas morenas do mais crescido e as olheiras dos mais velhos. 

 

 

06.Set.18

O meu terror nocturno

Desde que voltei a ser mãe comecei com pesadelos muito reais, diria mesmo terrores: acordo com o choro de um mini ser rechonchudo, de 3 em 3 horas. Estes terrores começaram por volta dos 4 meses quando o mini começou o seu caminho curto de engorda. Achei que de barriga cheia (a dele, não a minha) com carne ou peixe a coisa melhorava, acalmava a fome. Mas não, a coisa piorou. Por volta das 02h da manhã dá-se o pico do pesadelo, e aquela criatura de mãos sapudas e dedos gordos olha para mim com um grande sorriso rasgado que mostra os seus únicos 4 dentes, duas favolas em cima e dois dentinhos em baixo. Ninguém quer ter pesadelos destes com pessoas anãs desdentadas. 

Falámos com uma terapeuta do sono que nos elucidou: ainda há adultos que se trancam na despensa durante a noite a comer tudo o que aparece tipo monstro das bolachas. Queres ter um filho assim? Então toca de fazer o desmame dos dois biberões nocturnos. E é aí que o pesadelo se adensa. Agora aquela bola gorda desdentada já não sorri, chora que se farta, grita e cospe o biberão de água que lhe tento dar numa tentativa de engodo. Desperta 305 vezes durante a noite porque a chupeta lhe cai. Se calhar 5 chupetas espalhadas ainda não são suficientes. 

Os terrores continuam e ninguém dorme uma noite de jeito desde há 8 meses e qualquer coisa. Este é o pior pesadelo deste sonho de ser mãe. 

04.Set.18

A porcaria do TicTac

Nunca fui uma mulher maternal, ao ponto de no outro dia o meu marido me dizer que um dos maiores receios dele antes de me conhecer no modo "mummystyle" era que eu não tivesse paciência para os nossos rebentos. Nunca senti aquela ânsia que algumas mulheres têm a partir da idade fértil de vir a ser mãe, aliás afirmei muitas vezes que não o queria ser. Depois casei e passados uns tempos veio a vontade de ter o primeiro, mas sempre a dizer que só queria um, o primeiro veio e passado ano e meio veio a vontade de ter o segundo, mas sempre a dizer que o terceiro nunca. Que é caro, a logística é uma loucura, tem de se mudar de carro, e chegou o segundo. E já só penso no terceiro, e queria tanto mas tanto ter uma menina ao ponto de me "apaixonar" por todos os mini seres femininos com que me cruzei nas férias. 

 

Não sei o que faça.

03.Set.18

Craveiral

Estávamos indecisos se rumávamos a sul, com casa em São Rafael parecia idiota não aproveitar. Mas o Algarve em Agosto mete-me medo e a minha vontade de ir para casa própria durante 10 dias, fazer camas, arrumar, limpar e tudo o que se faz em casas de férias era coisa que não me apetecia.

Na noite antes de irmos para a Ilha do Sal estava a ler a Sábado e os meus olhos bateram numa reportagem sobre um sítio novo, o Craveiral. Fui pesquisar na internet comentários  quase nada encontrei. Mas apaixonei-me pelo site, por uma reportagem que encontrei no Público e pelas histórias dos sócios fundadores. 

O Craveiral tem um conceito que encanta, e ganha pontos pela hospitalidade do Pedro. As casas têm uma decoração de sonho, cozinhas totalmente equipadas, nacionais dos pés à cabeça (e que lindos chapéus a fazer de abajures da marca portuguesa DAM), os passadiços são perfeitos para andar nas bicicletas que existem por toda a herdade e a piscina enorme convida a mergulhos no final da tarde acompanhados com um copo de vinho branco da zona (Vicentino).

Há muito para fazer e melhorar ainda, ainda estão em regime de soft opening mas se já é assim sem estarem a 100% não imagino como será quando tudo estiver pronto. 

Foi dos sítios mais bonitos onde estivemos, senti-me em casa e os meus filhos foram verdadeiramente felizes. Espero genuinamente que não percam aquela alma de bem receber e que os preços no próximo ano ainda permitam uma estadia de 7 dias. 

 

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03.Set.18

De volta

Um mês dedicada aos rebentos, alguma coisa ao trabalho. Um mês a 4, num rodopio de faz malas, desfaz malas, apanha aviões, faz kms de carro, deita tarde, acorda cedo, no fim compensa e a vontade de voltar à rotina casa trabalho, pela primeira vez destes 10 anos de carreira foi zero. Mas não nasci rica, nem me saiu o euromilhões, pelo que só me resta fazer como o comum dos mortais, trabalhar para aquecer. Que venham agora mais 10 meses de trabalho, non-stop, das 09h às 19h ou das 09h às 09h em determinadas alturas só com o alento que o salário cai na conta ao fim do mês (e nem isso é certo).