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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

25.Jan.18

Imagens Reais

Mesmo não gostando de estar grávida, sinto sempre saudades de os ter na minha barriga nos meses seguintes. Essa saudade adensa-se sempre que vou à CUF ou mesmo quando estou numa fila de supermercado e já não tenho um atendimento especial. Os dias que antecedem o parto são cansativos, estamos debilitadas, com dores, cansadas. De repente deixamos de estar cheias para nos sentirmos vazias, sozinhas, e por muito que o nosso parceiro seja um excelente homem, não é suficiente para que nos perceba a 100%.

E é este turbilhão de emoções que é tão difícil de gerir, e é no silêncio de casa, quando só estamos nós e o bebé que devemos deixar cair o disfarce de super heroínas e permitir-nos a ser nós próprias.

 

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24.Jan.18

Amamentação

Não sendo nenhuma maníaca sobre a amamentação materna, e depois da experiência que tive com o Henrique, sempre disse que quando este nascesse não o ia pôr ao peito. Mas a vida troca-nos as voltas, e assim que o puseram junto da minha pele, quis muito dar-lhe mais um pouco de mim. Sou demasiado racional, e sei que o colostro lhes passa uma série de defesas. 

Logo no primeiro dia fiz uma greta enorme no mamilo que deitava bastante sangue. Depois disso vieram as dúvidas, ele tem fome, e os números da balança a descer, típico, de 3.560 kg passou para 3.130 kg. Mas uma mãe de 2ª viagem é mais calma, segura, e os números não me deixaram em pânico. Dei-lhe logo suplemento na CUF porque ele não dormiu comigo (por opção minha), estava sozinha porque o meu marido ficou com o nosso filho em casa e eu precisava de descansar. Sim isso mesmo, descansar. 

Pô-lo ao peito ia sendo cada vez mais doloroso, deixando-me a mim irritada e a ele também. Quando cheguei a casa acabei com aquilo. Mas tal como disse sou muito racional, não o punha ao peito mas podia tirar com a máquina. 

Acontece que a máquina não "puxa" da mesma maneira, não produz em nós a ocitocina necessária, não criamos laços com ela. Comecei por tirar apenas 5ml, ficava 20 minutos para tirar isso, não desisti, passei para 30 minutos, 40 minutos, 60 minutos, 5 vezes ao dia se fosse necessário. 

Apenas lhe consigo dar dois biberões do meu leite, todos os dias quero parar com a minha relação com a bomba da Avent, todos os dias penso, é hoje que paro, e todos os dias adio por mais um dia. Estou com a Bomba ligada 5 horas por dia, às vezes mais, mais os 30 minutos que demoro a dar-lhe o biberão, são 6 por dia, são mais 3 horas a alimentá-lo. Não sei se 1 é melhor que nada, ou se 1 é mesma coisa que nada. Mas não consigo parar este esforço por ele. 

Tenho pena que a minha relação com a amamentação seja assim, que ter um bebé a mamar não me crie prazer, mas acho que devemos sempre fazer aquilo que é melhor para o nosso equilíbrio, porque uma mãe feliz é meio caminho andando para um bebé sereno.

24.Jan.18

4 semanas

E assim num piscar de olhos passaram 4 semanas.

 

O Matias é um bebé tranquilo, dorme bem e come bem. Já nos pregou dois sustos, tivemos de o virar de cabeça para baixo e dar umas palmadas nas costas... sempre agradável fazer isto a um recém-nascido. 

 

Fora esses dois episódios os dias passam-se com tranquilidade. Tão tranquilos que ainda não pus em prática nenhum dos planos que tinha. Achamos que durante a licença vamos ter tempo para fazer mil e uma coisas mas a verdade é que a dinâmica com um bebé (dois no caso porque o Henrique só tem 3 anos - e agora parece ter um) é muito vagarosa. Os timmings deles são isso mesmo, deles.

Mas com uma carinha destas, pressas para quê?

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07.Jan.18

In a Bubble

O dia-a-dia com um recém nascido é passado numa espécie de bolha, os minutos passam devagar, ao ritmo deles, chega-se ao fim do dia com a sensação que nada se fez e fez-se tanto. Levanto-me antes de todos os rapazes acordarem, é a única forma de beber um café quente junto à janela da cozinha. A única forma de conseguir preparar o pequeno almoço do mais velho, sem pressões, de tirar leite com a bomba (sim tinha dito que não ia amamentar... deixo isso para outra altura), de ir acordar o Henrique e dar-lhe os mimos matinais habituais. Ninguém me disse que seria fácil ou dificil, mas com um já em casa, é indispensável continuarmos presentes.

 

A costura ainda me dói e lembra-me que não passaram mais de 12 dias desde a cesariana, abrando. Graças a deus que um recém nascido tem um ritmo lento, dorme 3/4 do dia, come, chora e suja fraldas, pouco mais. Às 11h já fiz tanto coisa que por mim podia ser noite de novo. Não que as noites sejam descansadas, não o são. E o sentido de protecção materna deixa-nos sempre alerta.

Os baby blues são tramados.

 

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01.Jan.18

09h05, 26 de Dezembro

Às 09h05 da manhã de 26 de Dezembro de 2017 conheci o meu novo filho. Perfeitinho este Matias, muito igual ao seu irmão, encheu-me de imediato o coração. Na cesariana tive muito medo... a partir do momento em que temos pessoas dependentes de nós o medo de morrer é muito maior, não por nós mas por eles. Toda eu tremia ao ponto de no fim a anestesista ter de me pôr a dormir um pouco. A sensação de leveza que senti naquele momento permitiram desfrutar os momentos a seguir. A sensação de paz que a nova criatura me transmitiu impôs em mim o desejo de voltar a ser mãe. Sou uma nova mulher em 2018, uma nova mãe, sou completa. 

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