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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

09.Mai.17

Guia para a Infertilidade

1 - A infertilidade é uma doença como outra qualquer e como doença que é deve ser tratada no médico, não existem produtos naturais eficazes ou milagrosos. Existem sim pequenas mudanças de hábitos que podem e devem ser feitas durante toda a vida (e não só quando a dificuldade em engravidar surge).

2 - Mulheres com excesso de peso tendem a ter mais dificuldades em engravidar porque têm problemas relacionados com resistência à insulina ou diabetes tipo 2, problemas esses que inibem ou dificultam a ovulação (mulheres magras também podem ter este tipo de patologias tal como eu tive).

3 - Por mais que os fóruns nos ajudem, cada caso é um caso e não existem terapêuticas iguais para todas nós. Devemos separar as coisas e apenas procurar em cada grupo algum tipo de alento e não a cura para o problema.

4 - A escolha da clínica (não vou falar do sector público porque não conheço) deve ser feita de acordo com o sítio onde nos sentimos melhor, mais em casa, onde sentimos mais confiança nos profissionais que nos atendem. 

5 - Não devemos ter medo de ir à procura de respostas, se o mesmo tratamento falha vezes sem conta, devemos questionar, se aquele que nos acompanha não mostra interesse, devemos procurar uma segunda opinião. 

6 - O stress não provoca infertilidade, pode ser uma condicionante mas não é factor decisivo. Se alguém disser para nos acalmarmos ao fim de 2 anos de tentativas é dar um murro nessa pessoa ou ignorar a 100%. Isso e férias. 

7 - O facto de se ter tido um filho de forma natural não quer dizer que se consiga um segundo da mesma forma. Daí a existência do conceito de infertilidade secundária. Nunca nos meus melhores sonhos eu conseguiria engravidar de forma espontânea neste momento e nos últimos dois anos porque não ovulo, não menstruo, não tenho progesterona, nem estrogénio. 

8 - Ninguém conhece o nosso corpo melhor que nós próprias, não devemos ter medo de dar palpites ou "relembrar" certos detalhes.

9 - A atitude ao longo deste processo é muito importante, podemos estar stressadas, cabisbaixas, irritadas, furiosas ou tristes, mas devemos manter-nos positivas. 

10 - E por último, não devemos deixar de viver, acima de tudo e antes de sermos procriadores somos mães, mulheres, profissionais e amantes, e não podemos descurar esses lados. Eu descurei muito durante o ano de 2016 e arrependo-me todos os dias. 

 

09.Mai.17

TEC 1 - Rescaldo

Na sexta-feira logo de manhã fui fazer o Beta. Não disse a ninguém dos que sabiam do tratamento, apenas ao meu marido. Não queria ter de gerir as perguntas típicas do "já ligaram?", "já sabes?", "qual foi o resultado". Como disse várias vezes mantive-me sempre calma durante este processo, e pensei sempre que se lixe, perdi dois anos da minha vida, não vou perder nem mais um minuto. Não fiz qualquer repouso, fiz a TEC numa quarta e quinta fui trabalhar e treinar normalmente com o meu PT. Fiz a TEC e apaguei o procedimento em si, como se nada se tivesse passado. As mulheres normais não sabem que estão grávidas assim que engravidam e portanto na minha cabeça mentalizei-me que também não estava. 

No dia da análise ao sangue disseram que me ligavam a seguir ao almoço com o resultado, nesse dia não fiz medicação, pensei, "se tiver um negativo que o corpo comece a limpar logo pela fresquinha". Às 16h ninguém me tinha ligado, às 16h30 liguei eu e disseram-me que a enfermeira estava no bloco, teria de esperar. Às 19h voltei a ligar e disseram que afinal a análise não estava pronta. Aqui comecei a ficar irritada, para isso tinha ido a outro laboratório qualquer. 

Às 21h ligaram-me, não ouvi sequer, ouvi o meu marido a dizer "ohhh a sério, verdade? que bom que bom que bom" e nesse soube que o resultado tinha chegado da forma que queríamos.