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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Vamos falar abertamente sobre infertilidade? (ii)

Algures no tempo deixei de me preocupar com a causa do meu SOP e concentrei-me apenas em conseguir engravidar. Conforme os ciclos foram passando e o tratamento foi ficando cada vez mais intolerável quer do ponto de vista psicológico, quer do ponto de vista físico eu fui-me desligando do assunto. As consultas na IVI foram ficando mais espaçadas e na última saí de lá num pranto e lavada em lágrimas com a recomendação de encontrar apoio psicológico e se calhar algum conforto em anti-depressivos ou calmantes. O meu ponto de ruptura tinha chegado ao fim de 5 meses sem respostas e com induções que nunca chegavam ao seu termo.

 

No entretanto o meu marido nunca desistiu em encontrar uma razão para o SOP, uma resposta, um tratamento que fosse à causa e tratasse o problema de raiz. Hoje sei que comecei pelo fim e agora estou no inicio. No meio da sua busca incessante encontrou a Dra. Sílvia Saraiva, e marcou-me consulta. Até ao último minuto eu fui resistente em ir. Não queria saber de mais um médico ou de mais exames, de mais dinheiro gasto e tempo perdido. Acabei por ir ainda que contrariada, mas assim que a médica me recebeu gostei dela, não sei explicar, mas soube que estava no sítio certo, e pela primeira vez fui totalmente sincera com um médico e falei durante 40 minutos sobre tudo. A primeira questão dela foi porque razão eu não tinha tratado o SOP, porque o SOP teria tratamento, ou melhor, atenuação dos efeitos. Respondi-lhe que não sabia, que pensava que não se sabendo a causa não haveria forma de cuidar do problema. 

 

A causa, depois de descrever todo a minha vida desde a adolescência, só poderia ser uma: resistência à insulina, pré-diabetes, insulino-resistente. Sem análises a confirmar ela não poderia ter 100% de certeza, mas tinha 98%. Explicou-me que eu tinha um quadro típico de SOP e que a Metformina me iria ajudar: baixando os níveis de insulina eu iria baixar os níveis de hiperandrogenismo e consequentemente aumentar as hormonas femininas. Aumentando as hormonas femininas os meus ciclos acabariam por se restabelecer sozinhos. Lançou-me o desafio: caso a minha reserva ovárica estivesse boa e alta, eu iria dar um tempo aos tratamentos de fertilidade e começava de imediato a Metformina e no entretanto faria as análises com prova de resistência à glicose e doseamento de insulina. Aceitei, confiei nela, porque pela primeira vez alguém me disse coisas que faziam sentido. Alguém me explicou o SOP como uma coisa objectiva e alguém olhou para mim como um todo e não como um ovário infértil. 

 

Fiz as análises e nesse mesmo dia comecei os comprimidos. Quem já fez este tratamento deverá saber que é duro até nos habituarmos. Os efeitos secundários são pesados e muitas mulheres desistem. Ainda não consegui aumentar a dose mas ontem a Dra. Sílvia ligou-me, as análises estavam boas, em tudo, excepto a insulina, aumentada em 8X mais do que deveria após toma de glicose. Os valores são muito altos, a resistência era enorme e até aos diabetes tipo II era um pulo. O pâncreas produz insulina em excesso (resistência à insulina) até "colapsar" e deixar de produzir de todo e aí aparecem os diabetes porque a glicose não tem forma de sair do sangue. Será muito provavelmente um tratamento para a vida, mas encontrei a minha resposta, voltei ao inicio, dei muitos passos atrás mas estou mais serena e quero acreditar que um dia voltarei a ser "mulher" em toda a minha plenitude de forma mais natural.

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