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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

12.Mai.16

Vamos falar abertamente sobre infertilidade?

Olá, sou a Gracinha e tenho infertilidade secundária. Secundária porque já gerei um filho, mas o meu corpo não consegue gerar um segundo. 

Tenho SOP (síndrome de ovários poliquisticos) que me provoca anovulações e consequentemente amenorreia secundária (ausência total de menstruação). Em Janeiro deste ano recorri a um especialista com algumas reticências, acabei por gostar da clínica e fui ficando. A abordagem inicial foi feita através da toma de fármacos, mais precisamente Letrozol, usado no tratamento do cancro da mama. Mulheres em pré-menopausa começaram a ovular com este tratamento e ele passou a ser difundido como uma alternativa para a indução de ovulação. 

A resposta ao Letrozol não foi favorável e introduzimos o Puregon, hormona folículo-estimulante e o Pregnyl para libertação do óvulo dos folículos maduros. Depois de dois ciclos sem resposta, ao terceiro tive uma super resposta. Em demasia até, o corpo em dois dias fez crescer 40 folículos prontos a serem futuros bebés. Todo o ciclo foi cancelado e fui proibida de ter relações sexuais, protegidas ou desprotegidas com o meu marido até que a menstruação aparecesse. Quando a menstruação apareceu fui ao médico para iniciar um novo ciclo, mas o meu corpo não tinha sido capaz de limpar ainda todos os folículos que tinham sido gerados. Foi-me receitada uma pílula anticoncepcional para que o tamanho dos folículos sobrantes regredisse.

Nova ecografia passados 14 dias mostrou que o os meus ovários já estavam limpos, mas infelizmente, um quisto que me acompanhava desde o início continuava a crescer, e era preciso despistar o que era. Pediram-me uma Ressonância Magnética, uma Ecografia Doppler e análise dos indicadores tumorais. Pediram-me que ficasse calma porque não ia ter nenhum cancro (e não tenho), mas assim que ouvimos a palavra tumor ficamos em pânico.

Consegui fazer os exames na mesma semana em que me foram pedidos e na sexta-feira passada já tinha os resultados. A ressonância indicou tratar-se de um endometrioma e concluiu que haveria outros focos de endometriose ainda que pouco relevantes. A ecografia doppler levantou a hipótese de endometrioma mas não concluiu nada. No meio disto estive uma semana em profundo stress porque foi mais um obstáculo que apareceu no meu caminho. Não bastava o SOP, a amenorreia, as anovulações. Endometriose. A palavra não me assusta, conheço bem a doença, mas é mais uma coisa, ainda que pequena, ainda que no inicio que leva a que eu tenha de voltar a adiar tudo mais um pouco. É preciso tirar o quisto do ovário através de laparoscopia e ver se o resto da pelve está saudável ou já tem cicatrizações de outros focos. É preciso saber porque os médicos hoje em dia querem saber de tudo e porque a abordagem à infertilidade pode ter de mudar.

Entretanto tento sofrer de forma mais ou menos silenciosa, o meu marido apoia-me mas é homem, as minhas amigas são saudáveis e dizem que não me preocupe que já tenho um filho. A minha mãe tenta ajudar-me mas também não consegue chegar a mim. Eu própria me fecho um pouco, é o meu escudo, é a minha forma de lidar perante tanta frustração. Faz um ano que percebi que tinha um problema, um ano em que ando num entra e sai de médicos. Faz um ano que luto diariamente para não pensar no assunto, para me despreocupar, um ano sem que nada acontecesse a não ser uma série de diagnósticos justificáveis. Na IVI dizem que não há razão nenhuma para eu não conseguir, com este ou com outro método, há casais muito mais problemáticos que nós, mas no calor do momento isso não importa. A dor dos outros não atenua a nossa.

Agora, venha de lá essa laparoscopia e daqui a 4 semanas logo voltamos a pensar no assunto. 

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