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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

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Um buraco no centro da capital

Lisboa está na moda, é ir a uma paragem do 28 e ver as filas de estrangeiros que se amontoam para andarem nas nossas relíquias sobre carris. É tentar ir ao Chiado de táxi ou Uber às 21h de qualquer dia da semana e saber que se perde 25 minutos para descer a Rua São Pedro de Alcântara. É saber que sem reserva não se consegue jantar em lado nenhum de Lisboa e é constatar da pior maneira que o m2 está para cima dos 4.000 euros. 

 

Comprar casa em Lisboa tornou-se uma missão impossível e ou somos franceses ou temos mais de 1.000.000 para empatar. Se não temos resta-nos a Penha de França, os Campos Mártires da Pátria, o Conde Redondo e outros buracos recônditos em perpendiculares da Av. da Liberdade, em prédios centenários, comidos por bicho da madeira. E mesmo nesses sítios vale as regras da loja dos 500. Lembram-se das lojas dos 300 que invadiram o nosso país na década de 90? Agora temos a loja dos 500, nada custa abaixo de 500.000, mesmo que tenha 80 m2. A regra da multiplicação também vale, todos os buracos são T qualquer coisa + 1, mesmo que o +1 seja daquelas varandas com 50 cm de largura. 

 

Vendi a minha casa há um mês porque associava a ela tudo o que se passou de errado nos últimos dois anos, e há um mês atrás ainda conseguia comprar qualquer coisa decente no centro, hoje, volvidos 30 dias até na Penha de França tenho dificuldades. Eu não entro nestas loucuras, mas sei que há quem entre. Assisiti um casal jovem a fazer proposta a uma casa no Bairro de São Miguel logo na primeira visita que custava perto dos 600.000. Era uma casa muito bonito sim senhor e valeria no máximo vá, 450.000. Não tinham ar de ricos e inclusive disse-me a agente imobiliária que iam pedir financiamento perto dos 100%. Oi?? Financiamento de 500.000 euros? 

 

Também nestas minhas incursões pelas ruelas de Lisboa deparei-me com um lindo imóvel no Bairro Azul, o meu bairro de sonho. Assim que estabeleci contacto o agente avisou-me logo, "o valor não é negociável", ri-me, a casa pelas fotografias parecia podre. Quis ver na mesma. Um T4 (com quartos comunicantes) por quase 600.000, com 160 m2, um achado, é só fazer as contas. A Ressano Garcia é uma rua simpática, mas convínhamos, não é a Avenida da Liberdade e o apartamento também não era ao nível das recuperações da Calçada do Marquês de Abrantes. Cheirava a esgoto, infiltrações por todo o lado, a precisar de pinturas, chão, janelas, estores, portas, e tudo o mais novo.

Saí de lá desolada, a pensar, "que chatice não ser negociável, estava a pensar oferecer 300.000 euros".

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