Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Treinar é o melhor remédio

Sempre fui cliente assídua do Holmes Place, há qualquer coisa nestes clubes que me deixa em paz e me faz sentir em casa, talvez por isso mesmo, serem Clubes e não meros ginásios. Até ser mãe treinava duas vezes com PT e uma vez sozinha, depois de ser mãe, e porque o meu corpo nunca mais voltou ao sítio, fruto dos 20 Kg que engordei passei a treinar 5 a 6 vezes por semana. Sem resultados aparentes porque estava a fazer demasiado cardio e porque a minha (nova) condição de insulino-resistente não deixa que as minhas células musculares absorvam o que têm de absorver. Se uma mulher já tem dificuldade em aumentar a massa magra, uma mulher com esta doença tem 10 vezes mais dificuldades. 

Apesar disto tenho aprendido que com esforço tudo se consegue, e com fé talvez também eu consiga. Inicio aqui uma nova fase de partilha da minha condição física como um diário de bordo (semanal). Tenho um bichinho que me diz que assim que conseguir descer o percentual de massa gorda conseguirei engravidar. 

Carga Glicémica vs Carga Insulinica

No meio das minhas (muitas) pesquisas sobre a minha nova condição, descobri que o índice glicémico de certo alimento pode não ter impacto no indicie insulínico desse mesmo alimento. Existem certos tipos de comida que aumentam os níveis de insulina no sangue, mas não os níveis de açúcar o que para uma mulher com SOP insulino-resistente pode fazer muita diferença. Será que ainda vamos ter uma Dieta da Insulina? Sabe-se que a ingestão de proteína produz metade da insulina que os hidratos de carbono, mas e dentro dos hidratos? Não haverão uns que são melhores que outros? E se eu vos disse que o arroz integral tem um índice glicémico baixo, mas que a massa integral tem um índice de insulina menor que o arroz? 

Vamos falar abertamente sobre infertilidade? (ii)

Algures no tempo deixei de me preocupar com a causa do meu SOP e concentrei-me apenas em conseguir engravidar. Conforme os ciclos foram passando e o tratamento foi ficando cada vez mais intolerável quer do ponto de vista psicológico, quer do ponto de vista físico eu fui-me desligando do assunto. As consultas na IVI foram ficando mais espaçadas e na última saí de lá num pranto e lavada em lágrimas com a recomendação de encontrar apoio psicológico e se calhar algum conforto em anti-depressivos ou calmantes. O meu ponto de ruptura tinha chegado ao fim de 5 meses sem respostas e com induções que nunca chegavam ao seu termo.

 

No entretanto o meu marido nunca desistiu em encontrar uma razão para o SOP, uma resposta, um tratamento que fosse à causa e tratasse o problema de raiz. Hoje sei que comecei pelo fim e agora estou no inicio. No meio da sua busca incessante encontrou a Dra. Sílvia Saraiva, e marcou-me consulta. Até ao último minuto eu fui resistente em ir. Não queria saber de mais um médico ou de mais exames, de mais dinheiro gasto e tempo perdido. Acabei por ir ainda que contrariada, mas assim que a médica me recebeu gostei dela, não sei explicar, mas soube que estava no sítio certo, e pela primeira vez fui totalmente sincera com um médico e falei durante 40 minutos sobre tudo. A primeira questão dela foi porque razão eu não tinha tratado o SOP, porque o SOP teria tratamento, ou melhor, atenuação dos efeitos. Respondi-lhe que não sabia, que pensava que não se sabendo a causa não haveria forma de cuidar do problema. 

 

A causa, depois de descrever todo a minha vida desde a adolescência, só poderia ser uma: resistência à insulina, pré-diabetes, insulino-resistente. Sem análises a confirmar ela não poderia ter 100% de certeza, mas tinha 98%. Explicou-me que eu tinha um quadro típico de SOP e que a Metformina me iria ajudar: baixando os níveis de insulina eu iria baixar os níveis de hiperandrogenismo e consequentemente aumentar as hormonas femininas. Aumentando as hormonas femininas os meus ciclos acabariam por se restabelecer sozinhos. Lançou-me o desafio: caso a minha reserva ovárica estivesse boa e alta, eu iria dar um tempo aos tratamentos de fertilidade e começava de imediato a Metformina e no entretanto faria as análises com prova de resistência à glicose e doseamento de insulina. Aceitei, confiei nela, porque pela primeira vez alguém me disse coisas que faziam sentido. Alguém me explicou o SOP como uma coisa objectiva e alguém olhou para mim como um todo e não como um ovário infértil. 

 

Fiz as análises e nesse mesmo dia comecei os comprimidos. Quem já fez este tratamento deverá saber que é duro até nos habituarmos. Os efeitos secundários são pesados e muitas mulheres desistem. Ainda não consegui aumentar a dose mas ontem a Dra. Sílvia ligou-me, as análises estavam boas, em tudo, excepto a insulina, aumentada em 8X mais do que deveria após toma de glicose. Os valores são muito altos, a resistência era enorme e até aos diabetes tipo II era um pulo. O pâncreas produz insulina em excesso (resistência à insulina) até "colapsar" e deixar de produzir de todo e aí aparecem os diabetes porque a glicose não tem forma de sair do sangue. Será muito provavelmente um tratamento para a vida, mas encontrei a minha resposta, voltei ao inicio, dei muitos passos atrás mas estou mais serena e quero acreditar que um dia voltarei a ser "mulher" em toda a minha plenitude de forma mais natural.

Mensagens

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D