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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Sobreviver ao vigésimo segundo mês

O Pablito já tem quase dois anos, o tempo escapa-nos de uma maneira e é vê-los crescer e nós a envelhecer. Começa a dizer frases completas com sujeito, verbo e predicado. Está numa fase de muito mimo da mãe, dá-me abraços, beijinhos e faz-me grandes festas quando eu chego a casa como se não me visse há uma eternidade. E eu confesso que fico toda babada. Faz 100 km seguidos no carro sem se aborrecer e nesses 100 km vai a dizer "mãe, pai, mãe, pai, pai, pai, mãe, mãe". Já não usamos o carrinho porque ele quer ir a pé, o que significa 30 metros a andar e 3 km ao colo. Continua um pequeno gigante elegante e patudo e tem definitivamente caracóis que o pai insiste em cortar para que não se percebam. Dá trabalho e exige muita atenção mas compensa pela companhia. Custa-me mais hoje em dia deixa-lo na minha mãe do que quando era um bebé de colo. Adora tudo o que tenha rodas e buzinas, é louco por carros (dos crescidos) e volantes. 

Adora a Masha e já vai enjoando do Panda, no youtube prefere os vídeos com meninos verdadeiros que bonecos e mexe melhor no Ipad que os pais. Continua a adorar água e lavar as mãos. Continua viciado no Júlio e não larga o raio do boneco que está sempre encardido e mal cheiroso. Continua viciado em batatas, bananas e gelatina e nada como ir jantar com os pais croquetes ao Mercado de Campo de Ourique. 

ando longe

mas queria voltar. Escrever pelo menos duas vezes por semana sobre esta aventura que está a ser a maternidade. A verdade é que apesar de o Pablo fazer 3 meses no dia 4 de Outubro eu ainda não me habituei a todas estas andanças. Ele continua a não ser um bebe fácil e eu continuo bastante descompensada. Os dias maus são mais que os bons mas todos os dias arranjo forças para o a seguir. Não consigo explicar este misto de sensações porque ao mesmo tempo que odeio passar os dias com um ser tão pequeno, ao mesmo tempo não consigo estar longe dele e nunca um sorriso desdentado me encheu tanto o coração. 

mudança de planos

E quando o Pablo já está inscrito no colégio com a inscrição paga, eu decido que se calhar prefiro ter uma pessoa em casa a tempo completo. E assim começamos a saga das entrevistas. Se alguém desse lado estiver interessado, procuro uma pessoa que goste de crianças, que goste de cozinhar e fazer as lides da casa e que tenha disponibilidade para um horário das 09h30 às 19h30 todos os dias. 

meu pequeno BUDA

Dia de pediatra, consulta de um mês (e 17 dias), e o Pablito sempre a crescer. Num mês aumentou 1,300 e cresceu 5 centímetros desde que nasceu. É um pequeno gigante comprido e magrote. O pediatra lá me acalmou e disse-me que a choradeira há-de passar e que nunca viu nenhum rapaz de 18 anos a chorar ao colo da mãe e a precisar de ser embalado para dormir. "Imagine lá o Pablo a chegar a casa depois de sair à noite e ir-lhe pedir colo para adormecer?" Lá sentido de humor o Prof. Paulo Oom tem, para além de tudo o resto.

 

E como eu esperava ele disse-me que os bebes mais cedo ou mais tarde aprendem a auto consolar-se, da mesma forma que também aprendem a fazer força no sítio certo para o coco sair. Sim, porque não me quero imaginar a estimular com a cânula do bebegel um rapaz de 18 anos. 

vamos à aventura

Entretanto a vida continua e apesar de o Pablo ser um difícil vamos aventurar-nos e vamos até à Alemanha na segunda semana de Setembro, passear até Munique e dar uma saltada a Estugarda apresentar o pequeno leão ao avô paterno alemão. E já que nos aventurámos por terras estrangeiras, na terceira semana descemos até ao Carvoeiro para jiboiar mais um bocado. Estou expectante de como vai ser, mas também vos digo, já sou imune aos olhares que as criaturas fazer quando ele chora em plenos pulmões na rua. 

 

Vamos ver de o Hotel Vale d' Oliveiras é baby friendly. 

um tema complicado

Se há coisa que aprendi nesta gravidez é que não podemos controlar tudo. Tive uma cesariana que era a última coisa que queria e não tive uma subida de leite daquelas que toda a gente me falou: mamas inchadas, doridas, quase até ao pescoço. Não senti nada, não tive dor alguma. Aqui começaram as dúvidas. Tenho leite ou não tenho leite? Sempre quis dar de mamar mas confesso que não sou uma fundamentalista da amamentação, aliás não o sou em relação a quase nada. 

 

Quando o Pablo começou a perder peso, tendo já nascido magro dado o tamanho dele, comecei a preocupar-me; quando começou a berrar sempre que acabava de mamar, mesmo depois de ter estado duas horas na mama comecei a desconfiar. Procurei ajuda, chamei uma enfermeira cá a casa, fui eu própria ao um centro especialista de amamentação. Ambas me disseram: você tem leite, precisa de ser persistente. Não acreditei. Desesperei por ver o meu bebe a continuar a chorar de fome. 

 

E hoje quando me apresentaram a solução de dar de mamar de duas horas e meia em duas horas e meia, começar a despertá-lo uma hora antes disso e depois saber que ele demoraria hora e meia a mamar, solução unica para começar a produzir mais leite eu aceitei. Ele mamou duas horas no Centro e quando chegou a casa mais uma, quando o tirei da mama chorou, de pulmões abertos. Aí eu soube, tal como na gravidez também na maternidade o caminho se faz caminhando e eu sou a pessoa que melhor percebe a minha cria, e que sabe o que é melhor para ela, para ela e para mim. A minha sanidade mental não me permite passar 24 horas dedicada às maminhas mesmo que seja temporário. 

 

Resolvi seguir o meu instinto e não abraçar o projecto da amamentação a 100%, mandei uma mensagem ao meu marido a dizer apenas "eu não consigo fazer isto".

 

E agora sim, sinto-me aliviada por ter dado mais um passo em frente neste caminho.

Born on the 4th of July

Eram 07h45 quando demos entrada no hospital para começar a indução. Quem me foi seguindo sabe que não era isto que pretendia, mas depois de duas semanas a caminhar que nem maratonista e sem qualquer evolução, já a passar das 40 semanas o médico não me deu grandes hipóteses. Ainda assim mentalizei-me que tudo poderia acontecer até ao dia mas enganei-me. Não fiquei nervosa, dormi bem na noite anterior e só no próprio dia comecei a questionar o que estava a fazer. Disse ao meu marido que tinha a certeza que teríamos de ir para uma cesariana, que nunca deveria ter aceite começar por indução e que devia ter seguido a minha intuição inicial. 

 

Depois de ter sido observada e me terem dito que o bebe continuava subido, o colo verde e fechado questionei-me em silêncio. Ninguém me disse que não valeria a pena e toca a tomar o comprimido milagroso pelo menos no que toca a fazer-nos ficar a parecer que nem peixes balão. As contracções começaram mas ficaram pelos 60%, novo toque, mais sangue e o colo continuava fechado. Ainda assim e sabendo da minha teima por um parto vaginal o médico resolveu tentar pela via de baixo. Novo comprimido, contracções mais intensas e às 16h o colo nem sequer estava permeável a um dedo. Para eles era óbvio que nada iria se alterar e do nada disseram "mama vamos para uma cesariana? a natureza é sábia, se por algum motivo ele não desceu vamos sabê-lo quando o tirarmos". Às 16h o meu instinto tornava-se realidade, às 16h30 já estava no bloco operatório para conhecer o Pablo às 16h56. Com 3.600 KG e 52 cm esta pessoa pequena foi a coisa mais bonita que alguma vez fiz. Quando o tiraram de dentro de mim e me mostraram percebi o que era ser mãe, não quis saber se era perfeito se tinha cabelo, mal olhei para ele, só conseguia pensar "porque raio não chora o miúdo?". Só no recobro tive oportunidade de olhá-lo bem e ele para mim com aqueles olhos grandes que conhecia tão bem de me olhar ao espelho todos os dias. 

 

Se foi fácil? Não. Se esqueci a dor toda que tive e que ainda tenho conforme dizem que acontece quando os põe nos nossos braços, não não esqueci, mas se compensa? Claro que sim. Independentemente de todos os objectivos terem saído ao lado, de ter sido aberta, fechada, cozida, revirada, prolongando-se a recuperação por muito mais tempo que num parto normal, hoje sei o que é ser mãe e amar de forma incondicional. Sei o que é não importar revirar as rotinas para dar atenção a uma criatura tão indefesa e imatura, tão dependente de nós, sei que a vida mudou para sempre e que todos os medos que tinha serão exponenciados ao mais alto nível. 

 

 

Sai ao pai ou à mãe

Temos tido longas conversas, ou melhor, longos monólogos porque ele ainda não fala. Já lhe expliquei que vamos sofrer muito mais com um parto induzido ou com uma cesariana, já lhe expliquei que era muito melhor para a mãe entrar em trabalho de parto espontâneo, ter uma dilatação espontânea, tudo espontaneamente. Mas os bebés são sábios e se por algum motivo ele não se encaixou para nos vir conhecer e o meu corpo não deu ainda sinais é porque temos de tentar por outra via. 

 

E é por aí que nos temos de guiar e mentalizar que o caminho nem sempre é por onde queremos ir, às vezes é necessário dar uma volta maior para chegar ao mesmo lugar. Com toda a calma e serenidade. E cada dia é um dia e amanhã é mais outro e fazemos as 40 semanas. Pablito filho, és teimoso como o raio, não sei a quem sais, mas estou ansiosa por ver a tua cara, os teus olhos, a tua pele, se és gordo ou magro, se puxas ao lado alemão, ao lado indiano ou a nenhum dos dois. Mas eu espero, se há coisa que aprendi desde que sou mãe e mesmo não te conhecendo, foi a respeitar os teus timmings, o teu silêncio, os teus movimentos, os teus soluços, o teu crescimento desmesurado com impacto na minha linda barriga. A mãe espera. Pelos filhos, tudo.

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