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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Como uma grávida normal

Hoje foi dia de voltar ao meu obstetra que eu adoro de coração, Dr. Rui Miguel Viana. Assim que abriu a porta do gabinete disse-me com um sorriso rasgado "já me trás boas novidades?". Depois de em Novembro me ter operado aos dois ovários, com a marcação da operação em modo relâmpago passei a confiar ainda mais nele. 

Quis datar a gravidez e voltámos a ver a Rosita que já tem 8 semanas. Estava de rabinho voltado, deve ser tímida a minha princesa (não me perguntem como sei o género, porque não sei, apenas gosto de dar nomes carinhosos aos meus babes in uterus). Continuo no modo de "não acredito que estou grávida, não quero pensar muito no assunto" e não penso de facto, fruto destes meses infindáveis de tratamentos. Talvez depois das 12 semanas mude o chip, talvez não, desde que me mantenha serena é o que interessa. 

recta final: 37 semanas

esta é aquela fase em que todas as grávidas respondem ao "quanto tempo falta" da mesma forma: ah e tal já pode nascer. Eu vou respondendo para bem da minha sanidade mental "faltam 3 semanas, na pior das hipóteses 4". Esta é a última semana de trabalho, logo na próxima já posso descansar à vontade, ir à praia, dar grandes caminhadas e dormir aproveitando que o Pablo ainda não está cá fora para me alterar os sonos. Estou tranquila dentro dos possíveis e posso dizer que estava preparada para o pior. Talvez porque nunca tenha ouvido uma mulher grávida a dizer "o último mês passa a correr, nem damos por ele", é só "não aguento", "estou à beira de um ataque de nervos", "estou a rebentar", "só quero que ele nasça". 

 

Eu aguento, não estou à beira de um ataque de nervos, apesar da minha barriga parecer uma melancia daquelas que dá para alimentar uma família numerosa (5 filhos) durante uma semana, ora atentem.

 

 

 

 

Mas ainda me aventurei e esta semana vou ter mais uma sessão fotográfica de grávida a rebolar. Corajosa.

os prós e contras do Estado (de graça)

Porque este Estado tem tanto de coisas más como de boas, venham mais 3 ou 4 gravidezes.

 

Coisinhas Boas:

- os pêlos dos braços caíram;

- tenho prioridade nas finanças, emel, e outros sítios com pessoas simpáticas nas caixas, e desde que na fila nao esteja uma velha rezingona (são as piores);

- o cabelo cresce mais rápido;

- a pele da cara está óptima sem vestígios de borbulhagem;

- toda a gente me mima (excepto no trabalho onde há alguns anormais sem noção);

- não gastar dinheiro na Uterque, Bimba&Lola, Adolfo Dominguez e outras que tal (só mesmo na zara, h&m e primark);

- nunca me sentir sozinha.

 

Coisinhas menos boas, vá para lá de péssimas:

- o peso a mais, na barriga, nas pernas, no rabo, nos joelhos, vá em todo lado;

- as dores de costas que advêm do peso da barriga;

- os enjoos (que nunca passaram);

- a dor que é depilar as virilhas, jesussssss é indescritível;

- não conseguir chegar aos pés para pintar as unhas;

- não conseguir correr quando tenho pressa (vá lá que não apanho autocarros);

- a retenção de líquidos que me faz ter mãos sapudas e pés de fiona (deixei de usar aliança e anel de noivado);

- o tamanho assustador das minhas boobies e mamilos (medoooooo);

- o pior de tudo: o calor, nunca na vida senti calor e agora passo a vida a derreter, e suo de tudo quanto é sítio;

- nunca estar sozinha.

 

35 semanas e 29 anos

Ontem foi o dia do meu aniversário, sem grandes comemorações uma vez que começo finalmente a sentir-me muito grávida. O plano era não me cansar muito e ir fazer o que mais gosto: compras! Acontece que compras com mais 10 kg em cima, pés e mãos inchadas não é o que mais apetece. Ainda fui ao Mercado da Maria Guedes para comprar um fato de banho da Canté mas nem me atrevi a experimentar. 

 

Falta pouco mais de duas semanas para as 37 altura em que o Pablo tem autorização para sair. Antes disso muita calma, poucos esforços e descanso. Não o quero cá fora agora. Ando a ganhar coragem para deixar de vir trabalhar ou abrandar o ritmo mas realmente o meu feitio não serve para estar em casa a olhar para o dia de ontem. Vou esperar pela consulta do dia 5 de Junho e aí logo vejo. 

 

A barriga está enorme mas graças a deus é mesmo só isso que tem crescido neste último mês e meio.

 

34 semanas

O tempo agora parou, não avança, não passa e todos os dias desespero mais um pouco, faltam 6 semanas ou 8 (caso espere até às 42) ou 3 (caso opte por nascer às 37 semanas) e estes intervalos semanais, curtos para o comum dos mortais, para uma grávida em fim de gravidez podem parecer uma eternidade. Tenho mais ou menos tudo pronto, faltando apenas preparar as malas para a maternidade. Mas a roupa dele já está de parte com as etiquetas cortadas e todas as recomendações ao pai dadas. Para mim não está nada tratado ainda, mas isso é o menos. O quarto está pronto faltando apenas fazer a cama. 

 

Tenho de fazer uma lista mental para ver se falta alguma coisa mas não me apetece. Entrei em modo automático e a única coisa em que penso é como é que ele será e como será o parto. Não estou psicologicamente preparada para sofrer e sei que nesse dia vai ter de acontecer. Que seja, desde que venha para os meus braços saudável e gorduxo aguentamos tudo, a bem ou mal. 

quando a possibilidade nos bate à porta...

Confesso que o primeiro embate quando ouvimos falar da possibilidade de o nosso bebe ser portador de um cromossoma especial não foi fácil. E não foi uma explicação séria, ponderada ou que sequer fizesse sentido. Era um indicador que estava mal e caso houvesse outro teria de fazer uma amniocentese. Fiquei em pânico, histérica porque o desconhecido nos mete medo. Foram 4 dias angustiantes na expectativa de repetir a ecografia em busca de um outro indicador que indiciasse algum problema justificativo de um exame tão evasivo. 

 

A ecografia correu como queríamos mas o nosso médico ainda nos quer ver, e dormindo sobre o assunto, e estudando todas as possibilidades e ainda que a medo, sei que, a não ser que ele me diga que algo pode estar a pôr em causa a vida do bebé (que eu sei que não, pelo menos neste momento uma vez que o médico que me fez o exame foi explícito ao descansar-me), não farei nenhuma amniocentese. Todos nós podemos desenvolver problemas, agora, no futuro e infelizmente não podemos controlar tudo. E se o medo dele é uma trissomia 21, com esse medo posso eu bem. Não conheço o Pablo mas já o adoro como ele é, e agora ainda mais, desde que descobriu o meu umbigo e não o larga. Irei lá para o ouvir mas não terei novidades para dar porque o bebé há-de estar bem e se não estiver, na devida altura saberemos. 

 

 

... o melhor é esperar para vê-la.

O papel do obstetra

Ao longo de todo este processo tenho vindo a entender que o papel do nosso obstetra é fundamental para que consigamos estar calmas durante esta etapa das nossas vidas. Também tenho vindo a aperceber-me que eles são bastante cautelosos e zelosos, e que tudo é exponenciado ao máximo não vá o diabo tecê-las. Acredito que isto se deva não só à sua consciência mas também ao medo implícito de processos judiciais. É fácil apontar as culpas quando algo corre mal, e a forma que têm de se proteger é levando ao extremo qualquer problema ou não problema.

 

Não crítico esta forma de estar mas acho que deveriam haver regras de procedimento que salvaguardassem as grávidas uma vez que as palavras escolhidas nem sempre são as mais adequadas naquele momento. Para um médico que faz diagnósticos durante todo o santo dia não custa pedir mais aquele exame, mais aquela análise só porque não gostou muito de algum valor. Para nós, futuras mães, e leigas nestas andanças o facto de o médico não gostar de alguma coisa é sinal de uma tragédia eminente, de um colapsar de todos os sonhos mesmo que estejamos a falar de um simples indicador sem importância.

 

Acredito que poderia existir um equilíbrio entre aquilo que é dito, a forma como é dita e o momento em que é dito. Ninguém está preparado para ouvir que se calhar há qualquer coisa menos bem, faça lá este exame para confirmar mas agora tenho de sair para ir fazer um parto. Sei que aquela mulher que estava a parir naquele momento precisava mais dele do que eu, mas então enquanto profissional de saúde que é deveria saber aguardar e só depois, e com tempo, largar-me uma espécie de bomba nos braços mesmo que para ele seja apenas mais um exame, mais uma análise, mais uma grávida.

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