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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

ando longe

mas queria voltar. Escrever pelo menos duas vezes por semana sobre esta aventura que está a ser a maternidade. A verdade é que apesar de o Pablo fazer 3 meses no dia 4 de Outubro eu ainda não me habituei a todas estas andanças. Ele continua a não ser um bebe fácil e eu continuo bastante descompensada. Os dias maus são mais que os bons mas todos os dias arranjo forças para o a seguir. Não consigo explicar este misto de sensações porque ao mesmo tempo que odeio passar os dias com um ser tão pequeno, ao mesmo tempo não consigo estar longe dele e nunca um sorriso desdentado me encheu tanto o coração. 

meu pequeno BUDA

Dia de pediatra, consulta de um mês (e 17 dias), e o Pablito sempre a crescer. Num mês aumentou 1,300 e cresceu 5 centímetros desde que nasceu. É um pequeno gigante comprido e magrote. O pediatra lá me acalmou e disse-me que a choradeira há-de passar e que nunca viu nenhum rapaz de 18 anos a chorar ao colo da mãe e a precisar de ser embalado para dormir. "Imagine lá o Pablo a chegar a casa depois de sair à noite e ir-lhe pedir colo para adormecer?" Lá sentido de humor o Prof. Paulo Oom tem, para além de tudo o resto.

 

E como eu esperava ele disse-me que os bebes mais cedo ou mais tarde aprendem a auto consolar-se, da mesma forma que também aprendem a fazer força no sítio certo para o coco sair. Sim, porque não me quero imaginar a estimular com a cânula do bebegel um rapaz de 18 anos. 

Até mães

Quando até amigas acabadas de ser mães nos dizem "estás tramada nunca mais te vai largar", "devias deixar o bebe a chorar para ele perceber que não é só colo", "devias fazer assim e assado" tenho vontade de bradar aos céus.

 

Já se percebeu que o Dom Pablo não é um bebe fácil, é chorão, pronto nada a fazer. Não faz coco sozinho, tem cólicas, e dorme pouco durante o dia. Nos momentos de crise ou esquizofrénicos como eu costumo dizer ele só está bem no meu colo, só se acalma comigo e só adormece de determinada maneira. Fora de questão deixar um bebe de um mês e 17 dias a chorar só porque sim.

 

Se é uma prisão? É! Se todos os dias digo que me arrependo de ter sido mãe? Sim! Mas é o meu filho e ele é assim. Deus me dê paciência não para o aturar mas para não desatar a distribuir estalos a bocas parvas. Se é para mandar bitaites ao menos que sejam úteis como por exemplo "os 5 passos para pôr um bebe a fazer coco sozinho em 24 horas". Era útil!

Amamentação

Numa altura em que amamentar está de novo em voga (e ainda bem), esta daqui que vos escreve confessa que começou hoje a medicação para secar o leite com um bebe que faz também hoje 5 semanas. 

 

E porque acho que também devem haver testemunhos sobre o outro lado não podia deixar de vos contar a minha aventura nesta coisa das maminhas, leitinhos, mamilinhos e bebes esfomeados. Uma coisa aprendi neste último mês: a máxima apregoada do "todas temos leite suficiente para as nossas crias" ou "todo o leite é bom" ou "quem quer dar consegue" não é bem assim.

 

Agora estou aqui em compasso de espera a ver se não caiu para o lado com o raio do Dostinex. Dizem que aquilo provoca assim coisas más. 

Meu filho meu T(error)esouro

by Benjamim Spock

 

Publicado em 1946 é de uma actualidade impressionante este livro MEU FILHO MEU TESOURO. Descobri-o nas estantes da minha mãe e tenho lido algumas partes para ver se consigo entender um pouco desta criatura que me saiu na rifa. 

 

Não estava à espera de ter um anjinho, um belo adormecido porque na barriga já era o que era, mas nunca pensei que um bebe fosse capaz de estar horas a fio a gritar de pulmões abertos. As chamadas "cólicas" bateram cedo nesta morada. Nascido faz hoje 20 dias esta criatura tira-me do sério não raras as vezes, são dias inteiros em que não consigo fazer o que quer que seja porque cada vez que ele abre os olhos abre também a boca, e não não é para comer. Cólicas ou não posso afirmar que claramente ele tem ataques de cólera, de raiva, passa-se só de não conseguir pegar na chucha ou no mamilo. Interroguei-me várias vezes sobre estes ataques de fúria e descobri neste livro que há mesmo uma categoria onde enquadrar o meu querido filho: os bebes coléricos. A cura? Não existe. Muita paciência (não tenho na maioria das vezes), muito mimo (quando ele está com as fúrias nem vale a pena dar-lhe mimos que o gajo detesta) e ouvidos de mouco. O resto é arranjar truques para manter a nossa sanidade mental e algumas rotinas diárias como por exemplo fazer xixi ou coco, lavar os dentes ou pôr as lentes de contacto logo de manhã (um banho é um  luxo senhoras, esqueçam). Hoje consegui-o finalmente enfiar no Sling e é assim que vos escrevo, no sling com o White Noise (mais propriamente este http://www.youtube.com/watch?v=cUwEiMNhOCM) ligado. 

 

O Bebé Mais Feliz do Mundo, Harvey Karp (I)

" uma mãe britânica disse-me que a sua nova bebé parecia tão pouco preparada para o mundo que ela e o marido começaram a chamar-lhe carinhosamente a pequena criatura (...). Em muitos aspectos, o recém-nascido é mais um feto do que um bebé e passa a maior parte do tempo a dormir e a ser alimentado. Se o parto tivesse sido adiado três meses, o bebé teria nascido com a capacidade de sorrir, arrulhar e seduzir (...)"

 

A maneira como está escrito arranca-nos gargalhadas. Minhas senhoras, seria a defesa de um 4º Trimestre não fossem as nossas criaturas terem cérebros tão grandes capazes de rasgarem os nossos canais vaginais. 

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