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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

16.Jan.14

Positivo... e agora?

Depois de sabermos que estamos grávidas temos um misto de sensações que são difíceis explicar. Não tinha ninguém para contar, o meu Husbie estava fora, só voltava dali a duas semanas, e as minhas melhores amigas não me pareceram suficientemente próximas naquele momento (apesar de uma delas quase me ter apanhado nesse dia em que fui ao laboratório porque me viu a estacionar o carro à porta da clínica). É uma coisa tão nossa que é impossível exteriorizar. 

 

Passado o histerismo mandei uma mensagem ao meu ginecologista a dar-lhe a boa nova e a perguntar se valeria a pena fazer as análises que ele tinha mandado fazer para despistarmos o porquê de eu não conseguir engravidar. Diga-se que eu tinha estado no consultório dele 5 dias antes, fui observada e mesmo assim o homem não deu por nada. Respondeu-me logo de seguida a dar os parabéns e disse para ir ter com ele na sexta-feira (era uma segunda-feira). Resolvi que não contava nada ao Husbie até ter alguma certeza e mantive-me serena até sexta. Quando me sentei em frente ao médico a primeira pergunta foi "quando foi a sua ultima menstruação?", lá lhe expliquei que estava a fazer ciclos muito longos e que portanto se ele ia calcular o tempo de gestação assim nunca iria bater certo. "Então vamos observá-la". Põe sonda tira sonda, e não se via rigorosamente nada, nem saco gestacional. "Vai ter de fazer novo BETA agora e ficar à espera do resultado". E lá fui eu desgostosa tirar sangue e esperar. No meio daquele tormento o médico foi operar e disse-me para lhe mandar uma fotografia com o resultado do exame. Chega o resultado (228 mU/ml) e lá mando a foto ao médico. Estava relaxada porque esses valores estavam dentro do tempo que eu achava que estava - 3 semanas - e não aguentei mais e contei ao meu marido e aos meus pais, festas, abraços, gritos, choros, chega a resposta do médico: "os valores são baixos, tem de vir ter comigo novamente na terça-feira para repetir a análise". 

 

Confesso que fiquei em pânico, mesmo sabendo que os valores estavam dentro daquilo que eu sabia ser o tempo correcto. Não me sentia com forças para esperar até terça, para ter de ir tirar sangue uma vez mais, sem Husbie por perto, sozinha em casa, foi difícil. Nessa terça-feira tive o primeiro sorriso de confiança do médico - os valores estavam acima dos 2100 mU/ml, mas ainda não tinha acabado "próxima terça-feira vem ter comigo às urgências porque eu quero ver se já se vê alguma coisa". 

 

Às vezes penso que sabermos tão cedo não é nada bom. Aquelas três semanas foram de puro stress, não aproveitei bem, estava desgostosa porque não sabia ao certo o que se estava a passar. Nessa noite em que fui às urgências, já com o meu marido por cá íamos nervosos, e devo dizer que quando o médico pôs a sonda e andou lá não sei quanto tempo sem aparecer nada no ecógrafo eu me senti a desanimar, até que resolveu fazer pressão no sitio onde eu sentia e sabia que estava o Pablo e lá apareceu um saco gigante e um ponto final minúsculo no meio daquele vazio. O ponto final das minhas incertezas. Podia respirar finalmente.