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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

O problema de parir

Sei que tenho escrito pouco em comparação com aquilo que pretendia quando resolvi criar este blog. A verdade é que só vivendo as coisas poderemos saber como vamos encará-las. Não tem sido fácil a adaptação a esta nova fase. Só quem está ou já esteve grávida percebe do que falo. O cansaço diário não ajuda. Acordo exausta mesmo dormindo 8 horas. Há mulheres que adoram estar grávidas, sentem-me bem, bonitas, frescas, com uma nova graça, eu não sou dessas mulheres. Já desconfiava mas tinha uma leve esperança de que quando chegasse a minha vez fosse diferente.

 

Provavelmente já me estão a chamar nomes desse lado por assumir publicamente que não gosto. Escrevo sempre com alguma ironia por forma a colmatar este sentimento. O sentimento não deixa de ser fantástico porque carregamos uma vida humana só nossa, mas o sacrifício é tremendo. A verdade é que também culpo em parte ou no todo o apoio que recebi no meu trabalho por parte dos meus superiores. Optaram por ignorar o assunto e penso que continuarão a fazer enquanto não tiverem uma barriga proeminente apontada à cara deles. Ainda não fui para casa e já me perguntam quando volto, como vai ser quando tiver de licença ou como faço tensões de assegurar o trabalho estando fora. Parecendo que não esta é uma forma de pressão. Tentam que me sinta mal por estar a passar por isto. E no fundo acham que o que me pagam é suficiente para me fazerem certas exigências ainda que de forma implícita. Sendo advogada não tenho qualquer vínculo efectivo mas preciso do dinheiro que recebo. Custa-me pensar que outras mulheres possam passar pelo mesmo, e pelo mesmo tipo de chantagem emocional numa fase em que já estamos tão fragilizadas por questões hormonais. 

 

Se uma gravidez não é fácil, sem o apoio daqueles que nos rodeiam é então ainda mais difícil. Não me posso sentir culpada por não conseguir trabalhar até às 20h30 todos os dias, por não conseguir ter posição na cadeira a partir das 19h. E a barriga pode não se ver mas a verdade é que são quase 7 kg em cima a mais e isso pesa. A verdade é que o meu útero triplicou de tamanho e roubou espaço às costas, ao estômago, aos intestinos e à bexiga. Não me posso sentir culpada por me sentir cansada e com menos motivação para ir encarar os tubarões dessa vida. Não me posso sentir culpada por ter uma vontade sistemática de mandar tudo e todos à merda sem razão aparente. 

 

Não posso deixar de sentir vergonha por um país em que a distinção feita entre mulheres e homens no trabalho continua a exisitir só porque nós parimos e passamos em média 5 meses em casa em 30 anos de dedicação a uma casa que não é nossa.

 

Um bem haja a esses tubarões que enchem os bolsos à custa destas vacas parideiras que somos, que não podem estar em cargos reservados a homens mas que caso não existissem também essas posições não existiriam pois a maioria das empresas estaria na ruína. 

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