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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

14.Nov.16

não mãe, o óóó não!

Assim que entro em casa começo a ouvir esta frase em modo repeat. Tudo serve de desculpa para não ir para a cama dele: querer jantar duas vezes seguidas só porque sabe que é um pastelão e demora 30 minutos a comer, sempre era uma hora que ganhava; querer ir fazer cocó e depois dizer que o mesmo está preso e chorar porque não sai; querer ir fazer xixi quando já fez ou já está de fralda; dizer que a cama tem dóidoi, faz dóidói ou é dóidói; chorar até à exaustão que nem um perdido, puxar o vómito e inclusive vomitar na almofada e começar a dizer aos gritos "olha mãe, olha mãe, olha mãe". Obrigar-me a despir a camisola porque precisa do meu cheiro (?!) perto dele...

No inicio passou-me tudo pela cabeça, está doente, tem pesadelos, começaram os terrores nocturnos, tem medo do escuro, tem medo da claridade, não tem sono, tem demasiado sono, dorme demasiado na sesta, a cama está pequena, bate com a cabeça nas grades, tem dores de barriga, tem uma virose, tem gastroenterite... eu sei lá, abri um mar de hipóteses enquanto íamos ficando cada vez mais loucos devido à falta de sono das ultimas duas semanas. Acordava num pranto às duas da manhã e só pegava no sono pela meia noite. Até que no sábado resolvi mandá-lo para os meus pais. Eu e o meu marido estávamos a precisar de ir espairecer, jantar fora e dormir um pouco. O cansaço era tal que às oito da noite ja estávamos no sofá a comer pizzas e croquetes comprados na rua e a beber vinho tinto. Dormi até às 09h15 e quando abri os olhos não havia ainda sinais da mensagem habitual da minha mãe com o resumo da noite. Não havia porque o mini Lorde ainda dormia, dormia desde as 21h30 e assim se ficou até às 11h de domingo. Sem medos, sem choros quando foi para a cama, num quarto escuro, muito escuro, cheio de coisas velhas e sombras e fantasmas e duendes dos canos. 

Cada vez mais me convenço que eles "sabem na toda".