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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

16.Nov.17

Na terra do para sempre

Tento fotografar na minha memória cada pedaço de ti, as tuas mãos sapudas ou os teus pés fofinhos. Quando te estou a dar o jantar e te fixo por uns instantes para perceber o que me tens para contar um medo de um dia te perder abate-se sobre mim. Levanto-me de noite quando tosses para ver se tens os pés frios, as meias calçadas ou para limpar o coco que resolveste fazer durante o sono. Faço te cócegas no rabinho e tu dás aquelas gargalhadas de bebé feliz. Deito-me na tua cama contigo e ficamos só assim a olhar um para o outro, és tão bebé, tão querido, redondinho e perfeito que não quereria que te fizesses homem. 

Esta manhã pediste-me um pintainho amarelo para brincar e para dormir contigo, disseste-me que a seguir à escola ias apanhar um taxi para ir para o aeroporto ter com o pai à Argélia, tinha de levar o Júlio porque és o pai dele. E o ipad para trabalhar. Não sei em que mundo dizem que as crianças dos dias de hoje são menos felizes que as crianças de há uns anos atrás. Eu sei que tu és feliz, com um Ipad ou a brincar nos baloiços. A comer batata doce assada e ovos biológicos ou farturas e algodão doce da barraquinha junto aos carroceis da rotunda. 

Tu és o meu bebe feliz, aquele que me tirou noites de sono, dias de descanso, que me deixou uma marca enorme na barriga, que não quis mamar, que não fazia coco sozinho, que não bebia leite em pó a não ser se o adormecesse. Tu és o primeiro bebe que me dá vontade de ter outros só para poder ter sempre umas mãos sapudas e uns pés fofinhos junto de mim, só para poder ter alguém a chamar mãe a cada dois minutos a perguntar porquê ou o "que é que isso quer dizer". Só para poder olhar pelo espelho retrovisor e ver esses olhos grandes a dizer, "liga os jactos que eu tenho pressa". 

Por mim podia ser assim para sempre: tu com 3 e eu com 33.