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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

16.Mai.17

Da IVI para a Ginemed

Tenho recebido algumas mensagens a perguntar porque motivo mudei da IVI para a Ginemed. 

Em Dezembro de 2015 quando o meu médico me disse que não ovulava, recomendou-me ir à IVI porque teriam o melhor laboratório de genética em Portugal, e porque o laboratório era mesmo na clínica com umas instalações fantásticas. Queria tanto ser mãe que não pensei duas vezes nem procurei por uma segunda alternativa. Como vinha recomendada por ele consegui consulta logo na primeira semana de Janeiro de 2016. Gostei imenso das instalações (de luxo), do facto de ter garagem, e de não se esperar um minuto que seja para a consulta. Gostei do médico que foi muito elucidador e nos explicou como funciona o sistema reprodutor, aula que eu teria dispensado mas tudo bem. 

Começamos nesse mesmo dia com uma estimulação para coito programado com Letrozol. Não me pediu mais nenhum exame para além dos que tínhamos e não pediu nenhum espermograma ao meu marido. Nesse ciclo o corpo respondeu ao Letrozol e tive um folículo dominante. Tomei Pregnyl para provocar a ovulação mas não fiz qualquer análise para ver se ela tinha ocorrido. 7 dias antes do BETA e tomar Progeffik o período apareceu. Nunca me explicaram porquê nem nunca tentaram saber porquê. Seguiram-se mais 3 ciclos todos iniciados com Letrozol que nunca mais fez efeito. Mesmo assim ele queria sempre começar com esse medicamento e depois passávamos para o injectável (já não me lembro qual mas acho que seria o Menopur). Um ciclo foi cancelado porque hiperestimulei, e tinha tantos folículos dominantes que nem sequer contaram. Nesse ciclo fui atendida por 3 médicos diferentes. Nunca me pediram análises para ver se estava com os níveis de estrogénio altos. Um dos ciclos foi cancelado porque o meu marido foi viajar e eu não estava a responder à medicação habitual e o outro ciclo foi cancelado porque eles desistiram. Resolveram dar importância a um quisto que estava com 3 mm, chamaram-no de endometrioma e mandaram-me a uma especialista em endometriose na Luz. 

A especialista em endometriose disse que não ia operar porque era mínimo e mandou-me para casa. No meio disto estávamos em Maio/Junho e eu resolvi parar. Enviei um email ao Dr. a explicar que precisava daquela pausa e que voltaria em Setembro. Em Setembro voltei e recomeçámos com a terapêutica habitual. Não foi pedida qualquer análise ou espermograma ao marido. Em Outubro, e sem responder à medicação disse que tínhamos de parar porque o quisto estava com 4 mm. Tinha de tirar. Não foi nunca sugerido qualquer outro tipo de tratamento.

Bem, resolvi tirar, fui operada pelo meu médico, o quisto não era nenhum endometrioma (claro que eles não podiam saber a olho, mas por acaso o meu viu-o), estávamos em Novembro de 2016. Eu estava um caco, bati no fundo, e precisava de um novo começo. Não me via a voltar àquela clínica, que associei sempre ao fracasso. É um espaço luxuoso, com luz, clean, mas e o resto? Não somos máquinas, somos mulheres, eles são bons, mas também existem outros bons. Porque razão nunca fiz análises? Porque razão nunca foi pedido um espermograma ao meu marido? Porque ele tinha um filho? E então? Tudo muda. Porque razão os médicos que nos atendem e que não são nossos médicos não conseguem ser um pouco mais calorosos? Já que têm essa política e a justificam com "na infertilidade não podemos estar dependentes de agendas" porque não se interessam?

Não existe um motivo concreto para ter mudado, não tenho uma única razão de queixa quanto ao meu médico na IVI, os outros nem sequer lhes decorei o nome, mas eu precisei de mudar. Precisei de me sentir em casa, acolhida, ser um nome, telefonar e responderem-me pelo nome porque têm o meu número gravado. Na IVI somos o NIF ou o processo, somos números.

 

Na Ginemed somos nós, mulheres inférteis, sou eu a Gracinha, a Sílvia com mais de 45 anos e que nãe era apenas isso, a idade, somos reais, de carne e osso.