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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Afinal não me sinto grávida

Já não me lembrava que estes primeiros tempos de gravidez que não vemos nada, não sentimos nada são um bocado loucos. Ah e tal hoje sinto-me grávida, ah e tal afinal hoje já não sinto nada, não devo estar. Ah hoje tenho enjoos, que bom está tudo bem apesar de estar a vomitar. Hoje não tenho moinhas, raios, o bebé parou de desenvolver. No meio deste atrofio tenho vou tentando abstrair-me e espero que a consulta de dia 23 chegue rapidamente. Não vale a pena inventar dores para ir às urgências, ou ligar ao obstetra para me receber, nisso a minha única forma de pensar é não é por fazer análises ao sangue, testes de gravidez ou ecografias que alguma coisa há-de mudar no rumo que as coisas têm de seguir. 

Querido vendi a casa III

E é oficial. A CASA vai ser minha. Depois de várias negociações, um herdeiro insatisfeito por termos baixo a proposta em 50K (!), de termos mostrado disponibilidade para avançar com um sinal Gordo, assinámos hoje o Contrato Promessa. Achei que a coisa não se ia dar. Ufa.

Vamos viver para Miraflores, uma casa gira, num prédio novo. Com luz, muita luz. Não sei se é coincidência mas desde que vendi a casa de Campo de Ourique muitas coisas começaram a mudar. 

Mulheres mal resolvidas

Numa época em que se fala de igualdade no trabalho entre mulheres e homens, igualdade de direitos, tratamento e salários não percebo como somos nós próprias a fomentar esse tratamento desigual. 

Somos mesquinhas, egoístas, invejosas. Trabalhar com uma mulher bonita e magra e ainda inteligente é uma facada no coração da maioria dos seres do sexo feminino. Mulheres frustradas são piores que homens a cantar de galo, mulheres mal resolvidas são víboras, e se se juntam duas ou três está o caldo entornado. Como lidar com isto num ambiente profissional? Primeiro é não dar lugar de chefias a galinhas histéricas, porque há-de o dono da minha empresa atribuir o lugar xpto à Maria Joaquina se ela depois chora porque a Maria Antónia comprou a mala y e ela só consegue uma imitação barata da Mango? Porque há-de um homem estar a perder tempo com estas guerras não fundamentadas e baseadas única e exclusivamente em frustrações ingeríveis quando tem uma empresa para gerir?

Cada vez mais gosto de trabalhar num ambiente masculino porque encontrar mulheres bem resolvidas, com uma vida familiar normal, e um percurso profissional de excelência é quase impossível, e só com essas conseguimos manter relações cordiais sem serem baseadas em fofoquices e conversas de m****.

Guia para a Infertilidade

1 - A infertilidade é uma doença como outra qualquer e como doença que é deve ser tratada no médico, não existem produtos naturais eficazes ou milagrosos. Existem sim pequenas mudanças de hábitos que podem e devem ser feitas durante toda a vida (e não só quando a dificuldade em engravidar surge).

2 - Mulheres com excesso de peso tendem a ter mais dificuldades em engravidar porque têm problemas relacionados com resistência à insulina ou diabetes tipo 2, problemas esses que inibem ou dificultam a ovulação (mulheres magras também podem ter este tipo de patologias tal como eu tive).

3 - Por mais que os fóruns nos ajudem, cada caso é um caso e não existem terapêuticas iguais para todas nós. Devemos separar as coisas e apenas procurar em cada grupo algum tipo de alento e não a cura para o problema.

4 - A escolha da clínica (não vou falar do sector público porque não conheço) deve ser feita de acordo com o sítio onde nos sentimos melhor, mais em casa, onde sentimos mais confiança nos profissionais que nos atendem. 

5 - Não devemos ter medo de ir à procura de respostas, se o mesmo tratamento falha vezes sem conta, devemos questionar, se aquele que nos acompanha não mostra interesse, devemos procurar uma segunda opinião. 

6 - O stress não provoca infertilidade, pode ser uma condicionante mas não é factor decisivo. Se alguém disser para nos acalmarmos ao fim de 2 anos de tentativas é dar um murro nessa pessoa ou ignorar a 100%. Isso e férias. 

7 - O facto de se ter tido um filho de forma natural não quer dizer que se consiga um segundo da mesma forma. Daí a existência do conceito de infertilidade secundária. Nunca nos meus melhores sonhos eu conseguiria engravidar de forma espontânea neste momento e nos últimos dois anos porque não ovulo, não menstruo, não tenho progesterona, nem estrogénio. 

8 - Ninguém conhece o nosso corpo melhor que nós próprias, não devemos ter medo de dar palpites ou "relembrar" certos detalhes.

9 - A atitude ao longo deste processo é muito importante, podemos estar stressadas, cabisbaixas, irritadas, furiosas ou tristes, mas devemos manter-nos positivas. 

10 - E por último, não devemos deixar de viver, acima de tudo e antes de sermos procriadores somos mães, mulheres, profissionais e amantes, e não podemos descurar esses lados. Eu descurei muito durante o ano de 2016 e arrependo-me todos os dias. 

 

TEC 1 - Rescaldo

Na sexta-feira logo de manhã fui fazer o Beta. Não disse a ninguém dos que sabiam do tratamento, apenas ao meu marido. Não queria ter de gerir as perguntas típicas do "já ligaram?", "já sabes?", "qual foi o resultado". Como disse várias vezes mantive-me sempre calma durante este processo, e pensei sempre que se lixe, perdi dois anos da minha vida, não vou perder nem mais um minuto. Não fiz qualquer repouso, fiz a TEC numa quarta e quinta fui trabalhar e treinar normalmente com o meu PT. Fiz a TEC e apaguei o procedimento em si, como se nada se tivesse passado. As mulheres normais não sabem que estão grávidas assim que engravidam e portanto na minha cabeça mentalizei-me que também não estava. 

No dia da análise ao sangue disseram que me ligavam a seguir ao almoço com o resultado, nesse dia não fiz medicação, pensei, "se tiver um negativo que o corpo comece a limpar logo pela fresquinha". Às 16h ninguém me tinha ligado, às 16h30 liguei eu e disseram-me que a enfermeira estava no bloco, teria de esperar. Às 19h voltei a ligar e disseram que afinal a análise não estava pronta. Aqui comecei a ficar irritada, para isso tinha ido a outro laboratório qualquer. 

Às 21h ligaram-me, não ouvi sequer, ouvi o meu marido a dizer "ohhh a sério, verdade? que bom que bom que bom" e nesse soube que o resultado tinha chegado da forma que queríamos. 

Tec 1 - VEREDICTO

POSITIVO!

Ao fim de dois anos recebi a notícia que tanto queria ouvir. Tenho um bebé a crescer dentro de mim. Sexta-feira à noite ligaram da Ginemed a dizer que o Beta tinha sido de 390. Mais que positivo. Sei que as próximas semanas serão cruciais, mas farei como fiz até aqui, viver relaxadamente e fazer o que me apetece (com peso e medida claro). Espero que o nome do Blog volte a fazer sentido durante os próximos meses. 

Querido vou mudar-me para os suburbios

Ainda a saga da procura de casa. Depois de vermos 1500 casas nas zonas favoritas de Lisboa, começámos a alargar as fronteiras e a ser menos esquisitos. Quanto mais casas via, mais intransigente ficava, mais os preços subiam. Recuperações manhosas, T3 com 100 m2, m2 por 4000 euros, cozinhas Ikea valorizadas a preço de ouro. As escolha da casa girava muito em torno do colégio do meu gordo. Em Setembro começa esta nova etapa, e eu queria manter o centro de vida dele perto da escola escolhida. Mas isso estava a limitar as coisas. Resolvi virar-me para a zona de Miraflores e concentrei-me aí, um sábado inteiro a ver casas e encontrei a que me pareceu a tal. No mesmo dia fizemos proposta, mas descemos muito o preço. Demorou, mas hoje veio o feedback positivo, ainda que não tenha vindo por escrito, quero acreditar que aquela casa cheia de luz será minha. 

Abri fronteiras, lixei-me nos preconceitos e consegui, uma casa onde nos quartos cabe mais do que uma cama, onde a cozinha pode ter zona de refeições e a sala um recuperador de calor. E hoje soube que é ali que quero ser feliz. 

Tec - Dia 9

9 + 5 = 14

Aproxima-se o dia do resultado, tenho 7 embriões congelados, todos eles de 5 dias e de classe A. Deixa-me descansada esse facto, saber que pelo menos nos próximos tempos não preciso de passar por mais estimulações. Mantive-me serena até aqui, a venda da casa ajudou, a procura ainda mais (já vos disse que se calhar encontrei a casa perfeita?). Mentalizei-me para o pior (ou para o menos bom) de tal forma que voltei a fumar e tem-me sabido tão bem. Já me esquecia do quanto os cigarros poderiam ser tranquilizantes. Apesar de não cumprir escrupulosamente a medicação, a verdade é que não me queixo, o estrogénio e a progesterona deixam-me equilibrada e o meu corpo está a funcionar muito melhor. Já não sabia o que era viver com hormonas, como uma mulher normal. 

 

Tec - Dia 7

Continuamos na mesma, passaram 7 dias, o embrião tem ou teria 12 dias e nada mudou. Para além de uma ligeira irritação e mau feitio, muito típicos em mim diga-se, porque não gosto nada de lidar com o desconhecido. Prefiro um não a um nim e a espera é relativamente chata. Dou por mim a pensar, volvidos tantos meses , se é isto que quero ou se não quero ou se estou louca de vez. Neste momento quero é uma resposta, mas só me resta esperar. Quando vier o negativo, vou comemorar, comemorar a vida que deixei mais ou menos em banho-maria nos últimos dois anos e as coisas boas que ela me tem dado. Pelo menos um filho. 

Um buraco no centro da capital

Lisboa está na moda, é ir a uma paragem do 28 e ver as filas de estrangeiros que se amontoam para andarem nas nossas relíquias sobre carris. É tentar ir ao Chiado de táxi ou Uber às 21h de qualquer dia da semana e saber que se perde 25 minutos para descer a Rua São Pedro de Alcântara. É saber que sem reserva não se consegue jantar em lado nenhum de Lisboa e é constatar da pior maneira que o m2 está para cima dos 4.000 euros. 

 

Comprar casa em Lisboa tornou-se uma missão impossível e ou somos franceses ou temos mais de 1.000.000 para empatar. Se não temos resta-nos a Penha de França, os Campos Mártires da Pátria, o Conde Redondo e outros buracos recônditos em perpendiculares da Av. da Liberdade, em prédios centenários, comidos por bicho da madeira. E mesmo nesses sítios vale as regras da loja dos 500. Lembram-se das lojas dos 300 que invadiram o nosso país na década de 90? Agora temos a loja dos 500, nada custa abaixo de 500.000, mesmo que tenha 80 m2. A regra da multiplicação também vale, todos os buracos são T qualquer coisa + 1, mesmo que o +1 seja daquelas varandas com 50 cm de largura. 

 

Vendi a minha casa há um mês porque associava a ela tudo o que se passou de errado nos últimos dois anos, e há um mês atrás ainda conseguia comprar qualquer coisa decente no centro, hoje, volvidos 30 dias até na Penha de França tenho dificuldades. Eu não entro nestas loucuras, mas sei que há quem entre. Assisiti um casal jovem a fazer proposta a uma casa no Bairro de São Miguel logo na primeira visita que custava perto dos 600.000. Era uma casa muito bonito sim senhor e valeria no máximo vá, 450.000. Não tinham ar de ricos e inclusive disse-me a agente imobiliária que iam pedir financiamento perto dos 100%. Oi?? Financiamento de 500.000 euros? 

 

Também nestas minhas incursões pelas ruelas de Lisboa deparei-me com um lindo imóvel no Bairro Azul, o meu bairro de sonho. Assim que estabeleci contacto o agente avisou-me logo, "o valor não é negociável", ri-me, a casa pelas fotografias parecia podre. Quis ver na mesma. Um T4 (com quartos comunicantes) por quase 600.000, com 160 m2, um achado, é só fazer as contas. A Ressano Garcia é uma rua simpática, mas convínhamos, não é a Avenida da Liberdade e o apartamento também não era ao nível das recuperações da Calçada do Marquês de Abrantes. Cheirava a esgoto, infiltrações por todo o lado, a precisar de pinturas, chão, janelas, estores, portas, e tudo o mais novo.

Saí de lá desolada, a pensar, "que chatice não ser negociável, estava a pensar oferecer 300.000 euros".

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