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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Projecto Sonhos de Laboratório

Gostava que esta "acção" saísse do papel... quero acreditar que está tudo bem com o meu rebento e que às 12 semanas vou poder ajudar de alguma forma no sonho de alguma mulher. Gostava que fosse uma mulher real, mas não tendo nenhum história só me restará doar para uma fundação.

Sei que continua a ser um assunto tabu, que ninguém gosta de dar a cara porque se trata de expor fragilidades, mas enquanto continuarmos a fingir que não existe, talvez as leis nunca mudem, talvez o acesso ao SNS nunca chegue a todas, ou aquelas que querem um segundo filho, ou aquelas que já têm 45 anos, porque não temos voz, porque não nos queremos fazer ver, porque nos sentimos despidas perante os olhares indiscretos de compaixão.

 

São Lourenço do Barrocal

No fim-de-semana do 1º de Maio, logo após a transferência resolvemos ir dois dias só os dois ao São Lourenço do Barrocal. Há muito que andava desencontrada deste espaço magnifico. Posso dizer que a experiência foi maravilhosa, desde o atendimento, às áreas comuns, ao quarto, ao pequeno-almoço ou jantar. Os produtos servidos são todos óptimos, de elevada qualidade, os legumes fresquíssimos colhidos na horta própria, o vinho maravilhoso produzido mesmo na quinta, e o azeite nem vos conto. O pão do pequeno almoço é feito lá, as granolas são biológicas e o mel vem ainda em favo.

 

Eu que pouco me impressiono apaixonei-me, pela calma, pelo barulho dos pássaros, pelos detalhes para as crianças, até o ginásio é lindo (já sabemos como são manhosos os ginásios de hotéis). E vou voltar, nos meus anos, e desta vez com a peste. Para celebrar os 32, e o bom que este mês foi para mim. 

 

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Agora somos dois

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O meu corpo não dá ainda sinais, mas dentro de mim já bate um coraçãozinho, é tempo de reajustar algumas coisas e começar a ouvir-me.

Os últimos tempos foram marcados por uma alimentação restrita, com muito aporte de proteína animal, poucos hidratos simples ou complexos, quase nenhuma fruta, nenhum pão, queijo, manteiga e nenhum vegetal de cor diferente que verde. Marcados por uma monotonia alimentar que permite manter a dieta sem grandes desvios uma vez que através da pouca variação conseguimos reduzir o prazer que tiramos da comida. Mas tudo na vida são etapas e este coraçãozito que já aqui habita leva-me a considerar tudo.

É tempo de mudar e apostar numa dieta mais variada, com alimentos mais completos. Mais fruta, maior variedade de legumes, menos proteína animal. Mais gorduras, mais lacticínios e mais leguminosas. Tenho pavor de engordar, mas também sei que as alterações físicas são normais neste processo e tenho de lidar com elas. 

Da IVI para a Ginemed

Tenho recebido algumas mensagens a perguntar porque motivo mudei da IVI para a Ginemed. 

Em Dezembro de 2015 quando o meu médico me disse que não ovulava, recomendou-me ir à IVI porque teriam o melhor laboratório de genética em Portugal, e porque o laboratório era mesmo na clínica com umas instalações fantásticas. Queria tanto ser mãe que não pensei duas vezes nem procurei por uma segunda alternativa. Como vinha recomendada por ele consegui consulta logo na primeira semana de Janeiro de 2016. Gostei imenso das instalações (de luxo), do facto de ter garagem, e de não se esperar um minuto que seja para a consulta. Gostei do médico que foi muito elucidador e nos explicou como funciona o sistema reprodutor, aula que eu teria dispensado mas tudo bem. 

Começamos nesse mesmo dia com uma estimulação para coito programado com Letrozol. Não me pediu mais nenhum exame para além dos que tínhamos e não pediu nenhum espermograma ao meu marido. Nesse ciclo o corpo respondeu ao Letrozol e tive um folículo dominante. Tomei Pregnyl para provocar a ovulação mas não fiz qualquer análise para ver se ela tinha ocorrido. 7 dias antes do BETA e tomar Progeffik o período apareceu. Nunca me explicaram porquê nem nunca tentaram saber porquê. Seguiram-se mais 3 ciclos todos iniciados com Letrozol que nunca mais fez efeito. Mesmo assim ele queria sempre começar com esse medicamento e depois passávamos para o injectável (já não me lembro qual mas acho que seria o Menopur). Um ciclo foi cancelado porque hiperestimulei, e tinha tantos folículos dominantes que nem sequer contaram. Nesse ciclo fui atendida por 3 médicos diferentes. Nunca me pediram análises para ver se estava com os níveis de estrogénio altos. Um dos ciclos foi cancelado porque o meu marido foi viajar e eu não estava a responder à medicação habitual e o outro ciclo foi cancelado porque eles desistiram. Resolveram dar importância a um quisto que estava com 3 mm, chamaram-no de endometrioma e mandaram-me a uma especialista em endometriose na Luz. 

A especialista em endometriose disse que não ia operar porque era mínimo e mandou-me para casa. No meio disto estávamos em Maio/Junho e eu resolvi parar. Enviei um email ao Dr. a explicar que precisava daquela pausa e que voltaria em Setembro. Em Setembro voltei e recomeçámos com a terapêutica habitual. Não foi pedida qualquer análise ou espermograma ao marido. Em Outubro, e sem responder à medicação disse que tínhamos de parar porque o quisto estava com 4 mm. Tinha de tirar. Não foi nunca sugerido qualquer outro tipo de tratamento.

Bem, resolvi tirar, fui operada pelo meu médico, o quisto não era nenhum endometrioma (claro que eles não podiam saber a olho, mas por acaso o meu viu-o), estávamos em Novembro de 2016. Eu estava um caco, bati no fundo, e precisava de um novo começo. Não me via a voltar àquela clínica, que associei sempre ao fracasso. É um espaço luxuoso, com luz, clean, mas e o resto? Não somos máquinas, somos mulheres, eles são bons, mas também existem outros bons. Porque razão nunca fiz análises? Porque razão nunca foi pedido um espermograma ao meu marido? Porque ele tinha um filho? E então? Tudo muda. Porque razão os médicos que nos atendem e que não são nossos médicos não conseguem ser um pouco mais calorosos? Já que têm essa política e a justificam com "na infertilidade não podemos estar dependentes de agendas" porque não se interessam?

Não existe um motivo concreto para ter mudado, não tenho uma única razão de queixa quanto ao meu médico na IVI, os outros nem sequer lhes decorei o nome, mas eu precisei de mudar. Precisei de me sentir em casa, acolhida, ser um nome, telefonar e responderem-me pelo nome porque têm o meu número gravado. Na IVI somos o NIF ou o processo, somos números.

 

Na Ginemed somos nós, mulheres inférteis, sou eu a Gracinha, a Sílvia com mais de 45 anos e que nãe era apenas isso, a idade, somos reais, de carne e osso. 

Afinal não me sinto grávida

Já não me lembrava que estes primeiros tempos de gravidez que não vemos nada, não sentimos nada são um bocado loucos. Ah e tal hoje sinto-me grávida, ah e tal afinal hoje já não sinto nada, não devo estar. Ah hoje tenho enjoos, que bom está tudo bem apesar de estar a vomitar. Hoje não tenho moinhas, raios, o bebé parou de desenvolver. No meio deste atrofio tenho vou tentando abstrair-me e espero que a consulta de dia 23 chegue rapidamente. Não vale a pena inventar dores para ir às urgências, ou ligar ao obstetra para me receber, nisso a minha única forma de pensar é não é por fazer análises ao sangue, testes de gravidez ou ecografias que alguma coisa há-de mudar no rumo que as coisas têm de seguir. 

Querido vendi a casa III

E é oficial. A CASA vai ser minha. Depois de várias negociações, um herdeiro insatisfeito por termos baixo a proposta em 50K (!), de termos mostrado disponibilidade para avançar com um sinal Gordo, assinámos hoje o Contrato Promessa. Achei que a coisa não se ia dar. Ufa.

Vamos viver para Miraflores, uma casa gira, num prédio novo. Com luz, muita luz. Não sei se é coincidência mas desde que vendi a casa de Campo de Ourique muitas coisas começaram a mudar. 

Mulheres mal resolvidas

Numa época em que se fala de igualdade no trabalho entre mulheres e homens, igualdade de direitos, tratamento e salários não percebo como somos nós próprias a fomentar esse tratamento desigual. 

Somos mesquinhas, egoístas, invejosas. Trabalhar com uma mulher bonita e magra e ainda inteligente é uma facada no coração da maioria dos seres do sexo feminino. Mulheres frustradas são piores que homens a cantar de galo, mulheres mal resolvidas são víboras, e se se juntam duas ou três está o caldo entornado. Como lidar com isto num ambiente profissional? Primeiro é não dar lugar de chefias a galinhas histéricas, porque há-de o dono da minha empresa atribuir o lugar xpto à Maria Joaquina se ela depois chora porque a Maria Antónia comprou a mala y e ela só consegue uma imitação barata da Mango? Porque há-de um homem estar a perder tempo com estas guerras não fundamentadas e baseadas única e exclusivamente em frustrações ingeríveis quando tem uma empresa para gerir?

Cada vez mais gosto de trabalhar num ambiente masculino porque encontrar mulheres bem resolvidas, com uma vida familiar normal, e um percurso profissional de excelência é quase impossível, e só com essas conseguimos manter relações cordiais sem serem baseadas em fofoquices e conversas de m****.

Guia para a Infertilidade

1 - A infertilidade é uma doença como outra qualquer e como doença que é deve ser tratada no médico, não existem produtos naturais eficazes ou milagrosos. Existem sim pequenas mudanças de hábitos que podem e devem ser feitas durante toda a vida (e não só quando a dificuldade em engravidar surge).

2 - Mulheres com excesso de peso tendem a ter mais dificuldades em engravidar porque têm problemas relacionados com resistência à insulina ou diabetes tipo 2, problemas esses que inibem ou dificultam a ovulação (mulheres magras também podem ter este tipo de patologias tal como eu tive).

3 - Por mais que os fóruns nos ajudem, cada caso é um caso e não existem terapêuticas iguais para todas nós. Devemos separar as coisas e apenas procurar em cada grupo algum tipo de alento e não a cura para o problema.

4 - A escolha da clínica (não vou falar do sector público porque não conheço) deve ser feita de acordo com o sítio onde nos sentimos melhor, mais em casa, onde sentimos mais confiança nos profissionais que nos atendem. 

5 - Não devemos ter medo de ir à procura de respostas, se o mesmo tratamento falha vezes sem conta, devemos questionar, se aquele que nos acompanha não mostra interesse, devemos procurar uma segunda opinião. 

6 - O stress não provoca infertilidade, pode ser uma condicionante mas não é factor decisivo. Se alguém disser para nos acalmarmos ao fim de 2 anos de tentativas é dar um murro nessa pessoa ou ignorar a 100%. Isso e férias. 

7 - O facto de se ter tido um filho de forma natural não quer dizer que se consiga um segundo da mesma forma. Daí a existência do conceito de infertilidade secundária. Nunca nos meus melhores sonhos eu conseguiria engravidar de forma espontânea neste momento e nos últimos dois anos porque não ovulo, não menstruo, não tenho progesterona, nem estrogénio. 

8 - Ninguém conhece o nosso corpo melhor que nós próprias, não devemos ter medo de dar palpites ou "relembrar" certos detalhes.

9 - A atitude ao longo deste processo é muito importante, podemos estar stressadas, cabisbaixas, irritadas, furiosas ou tristes, mas devemos manter-nos positivas. 

10 - E por último, não devemos deixar de viver, acima de tudo e antes de sermos procriadores somos mães, mulheres, profissionais e amantes, e não podemos descurar esses lados. Eu descurei muito durante o ano de 2016 e arrependo-me todos os dias. 

 

TEC 1 - Rescaldo

Na sexta-feira logo de manhã fui fazer o Beta. Não disse a ninguém dos que sabiam do tratamento, apenas ao meu marido. Não queria ter de gerir as perguntas típicas do "já ligaram?", "já sabes?", "qual foi o resultado". Como disse várias vezes mantive-me sempre calma durante este processo, e pensei sempre que se lixe, perdi dois anos da minha vida, não vou perder nem mais um minuto. Não fiz qualquer repouso, fiz a TEC numa quarta e quinta fui trabalhar e treinar normalmente com o meu PT. Fiz a TEC e apaguei o procedimento em si, como se nada se tivesse passado. As mulheres normais não sabem que estão grávidas assim que engravidam e portanto na minha cabeça mentalizei-me que também não estava. 

No dia da análise ao sangue disseram que me ligavam a seguir ao almoço com o resultado, nesse dia não fiz medicação, pensei, "se tiver um negativo que o corpo comece a limpar logo pela fresquinha". Às 16h ninguém me tinha ligado, às 16h30 liguei eu e disseram-me que a enfermeira estava no bloco, teria de esperar. Às 19h voltei a ligar e disseram que afinal a análise não estava pronta. Aqui comecei a ficar irritada, para isso tinha ido a outro laboratório qualquer. 

Às 21h ligaram-me, não ouvi sequer, ouvi o meu marido a dizer "ohhh a sério, verdade? que bom que bom que bom" e nesse soube que o resultado tinha chegado da forma que queríamos. 

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