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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

08.Mar.17

No news...

Por aqui continuamos à espera, sem qualquer desenvolvimento, nem bons nem maus. Não existem sintomas associados a qualquer embrião que se tenha querido implantar mas também ainda não apareceu qualquer período intrometido. No ano passado, no único tratamento levado a bom termo na IVI e em que também houve administração de Pregnyl, por esta altura, e mesmo com Progeffik o período já tinha aparecido. Não foi preciso fazer nenhum Beta HCG. Foi o meu primeiro tratamento e o único em que consegui ter dois folículos. O teste de gravidez está marcado para daqui a uma semana e hoje é o 12º dia desde a injecção com Pregnyl. Hoje é também o primeiro dia em que me sinto calma e serena, deve ser do tempo, e das hormonas más que resolveram dar-me umas tréguas. 

 

06.Mar.17

Desespero ou culpa das hormonas

Acho que a linha entre a nossa frustração e a efectiva falta de hormonas que pode estar ligada à infertilidade é muito ténue. Eu própria nos meus rasgos de loucura, leia-se gritos, choro ou silêncio profundo muitas vezes não sei se é por estar efectivamente deprimida ou se as hormonas ou falta delas também têm o seu papel. Assim como a própria medicação de substituição em que estou afogada. 

Ao ler a bula do Zumenon fico logo com arrepios na espinha. Neste momento faço apenas um comprimido à noite e outro de Progeffik 200. Em relação a este nem sequer fui ver os efeitos secundários. A minha cara parece um campo de guerra, espelho da minha alma.

Depois de mais um fim-de-semana de frustrações em que descarreguei nos que mais gosto fiz a promessa que me vou tentar recompor. Espero que as minhas queridas cooperem e me dêem alguns dias de tréguas. Pelo menos até ao dia do teste de gravidez. Não que não saiba o veredicto, mas pelo menos tenho mais um desfecho ainda que com o final que não quero.

02.Mar.17

entre consultas

O tempo entre consultas sempre foi o mais difícil de passar. Lido bem com a espera de tratamentos, com a paciência para que o medicamento x faça efeito e o medicamento y também. Mas estar assim à espera não sei bem do quê custa-me. Custa a qualquer casal, porque a sensação que nos dá é que estamos sempre em modo de espera permanente (para não mencionar os meses antes disso em que tive em tentativas). Há 14 meses que ando num entra e sai de clínicas de fertilidade e médicos sem qualquer perspectiva de lá sair. Tenho plena intuição que não foi desta. As coisas não foram bem feitas, o miúdo ficou doente, os dias em casa por causa do Carnaval foram um caos. 

 

Cada vez mais me pergunto quando é que o "só mais desta vez" acaba e se baixam os braços. Acredito que muitos me dirão que esse dia nunca chegará mas essa não é a resposta que quero reter. Ninguém consegue viver para sempre neste vaivém de esperas, consultas e medicamentos. Neste contar dos dias, do faz de conta que agora temos um ciclo, só que não. Ao menos aprendi que uma pessoa que não tenha período escusa de gastar dinheiro em testes de gravidez, e acho que foi quando os deixei de comprar e fazer que perdi a esperança que ainda restava. 

01.Mar.17

Não quero ser um pirata

Este foi o primeiro carnaval a sério do rebento lá de casa. Confesso que detesto este tipo de festividades mas não podia deixar passar em branco tamanha celebração e vai de investir num modelito espectacular da Imaginarium. Como ele tem a mania de dizer que é um capitão, achei que era giro comprar um fato de pirata e uma espada, guardei muito bem guardado até sexta-feira para criar um efeito surpresa ainda mais espectacular. Quando a criatura acordou, fui logo ao quarto com o saco em riste e disse "presente, o que é que o Henrique quer ser?". Meio ensonado disse-me que queria ser um "animais", qual perguntei-lhe eu? "o Henrique quer ser um panda"... hmmmm, errrrr, pois mas isso já não dá, tens de ser o pirata. Tirei o fato do saco e ele começa a abanar freneticamente a cabeça, a dizer que não, que não quer ser um pirata, que não quer vestir aquilo. Tento demovê-lo com a espada, que é espectacular, mas não quer despir o pijama. Olha para mim com um ar desolado e diz "mãe, eu quero ser um pai natal". Ok, porque não disseste antes? Era um disfarce bem mais económico e resolvia-se com umas barbas em algodão. 

A custo visto-lhe o fato, digo que lhe pinto os olhos como tem o Capitão Jack Sparrow (que ele não faz a mínima quem seja), que vai ficar giríssimo e lá consigo enfiar-lhe a roupa. Pego-o ao colo para lhe ir dar o pequeno-almoço e ele remata "mãe, o Henrique é um pai natal não é?", "és querido, és um pai natal", e desisto. 

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