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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

13.Jan.17

Uma nova abordagem

Não sei se foi o virar do ano, ou as resoluções que fiz para 2017 mas sinto-me com vontade de iniciar nova ronda de tratamentos. Mas com uma vontade positiva e não apenas uma expectativa. Podia ter-me dado para o contrário, uma vez que na primeira consulta na Ginamed a médica deu alguma esperança sobre o facto de o meu corpo reagir sozinho ao drilling ovárico. Tal não aconteceu. Podia ter-me acometido aquele sentimento de pena de mim própria, do desespero de não funcionou comigo mais uma vez, contra as probabilidades, mas não. Já conheço estes ovários melhor que ninguém. Aliás quando ela me disse vamos esperar até ao fim de Janeiro eu ri-me para dentro e pensei "minha querida, conheço-me o suficientemente bem para saber que não é um drilling que vai resolver a minha amenorreia". Reparem, estou assim desde meio de 2015, estamos em 2017, não seria uma pequena operaçãozita a mudar as regras do jogo. Para já os ovários ganham e estamos aí numa lógica de:

ovários - 7

teimosia/esperança/ciência - 0

 

Uma coisa é certa, tenho muito respeito por estes meus amigos mas o fim de Janeiro aproxima-se e eu tenho uma nova força para vos derrotar.

12.Jan.17

Curso de Nutrição Desportiva

Uma vez que sou uma autodidacta, leio imenso sobre o metabolismo, necessidades macro nutricionais dos indivíduos, problemas metabólicos relacionados com o Síndrome dos Ovários Poliquisticos, dietas adequadas a mulheres com resistência à insulina tentei inscrever-me num curso de nutrição desportiva com o intuito principal de saber mais. É um curso, privado, pago e que não dá acesso à carteira de nutricionista. O problema é que quando me pediram o certificado de habilitações, perguntei se haveria algum inconveniente em enviar o meu, de uma licenciatura em direito. Imagino a cara do outro lado. Pelos vistos não cumpro os requisitos para a inscrição mas vão ligar-me para "conversarmos" um bocadinho. Logo eu que estou tão habituada a ser aceite em todas as formações que faço (e já conto com algumas). Aguardemos pelo desfecho. 

11.Jan.17

O reconhecimento do SOP

Foi com muito agrado que li, num site de um hospital português uma descrição, ainda que demasiado limitada, do SOP. Quando este síndrome começar a ser tratado como doença que é e os médicos começarem dele a ter algum conhecimento talvez se faça neste campo um avanço significativo na prevenção e tratamento. É também importante desmistificar este problema e não fazê-lo girar apenas à volta da fertilidade. Existem demasiados efeitos físicos associados ao SOP que também incomodam com certeza muitas mulheres que não pretendem ser mães. E que jeito dava mais alguma investigação no campo das causas, até agora desconhecidas. 

11.Jan.17

Não é uma dieta, é um estilo de vida

Costumo queixar-me ao meu marido que estou sempre em dieta, que gostava de comer tudo o que me apetecesse sem contar calorias e macro-nutrientes. Queixo-me normalmente à segunda feira depois de no fim-de-semana não ter cometido excessos suficientes. Queixo-me porque sou mulher e nós mulheres adoramos queixumes.

Mas a verdade é que não sei viver de outra maneira e gosto do meu regime alimentar. Desde que fixei as regras e deixei de as contornar que noto melhorias físicas e psicológicas. Tenho menos retenção de líquidos, menos gordura corporal, menos celulite mas acima de tudo mais energia. Durmo melhor, a minha pele está melhor e o meu cabelo finalmente cresceu. A parte hormonal continua uma bela caca, mas tudo a seu tempo. Faz um ano que entrei neste registo e as diferenças (físicas) são notórias. 

Um ano entre estas fotografias, o meu corpo mudou, eu mudei. Cresci e até as marcas da cirurgia provam isso. 

 

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10.Jan.17

Perda gestacional

Neste caminho longo que percorro não tive ainda o infortúnio de passar por uma perda/aborto gestacional. E se sei que é duro para o comum dos mortais, não consigo imaginar o quão pior é para quem tem tantas dificuldades em conceber. Não imagino o que seja passar pela dor diária de tratamentos infindáveis de fertilidade para no fim acabar com uma perda. Não consigo conceber o porquê de tantas mulheres terem de passar por estas duas dores em simultâneo, como se uma delas já não fosse suficientemente má. 

E se sei que da vida se tira muitas lições, não consegui ainda tirar nenhuma deste meu caminho que já vai longo, e duvido que outras mulheres, neste caminho ou no outro da recuperação de uma perda tenham também retirado alguma. 

E é esta dor que não se explica que nos aproxima daquelas que não conhecemos mas cujos relatos nos tocam profundamente. Como se tivessem ali ao nosso lado, disponíveis para um abraço de conforto. E em cada história que leio, com maior ou menor apego sei que ao menos nesta luta não estou sozinha, ainda que o abraço físico possa estar tão longe porque próximo de mim não tenho ninguém nas mesmas condições. As dificuldades do caminho, só as conhece quem o percorreu. 

 

09.Jan.17

Maniazinhas

Em determinado momento que não sei precisar ao certo resolvi que não valeria a pena investir na minha carreira, ou seja, manter-me-ia no sítio onde estou por tempo indeterminado até ter a família composta. Os dias foram passando e bebés nem vê-los. Os dias foram passando e eu fui-me afastando cada vez mais da minha formação base para abraçar apenas actividades com as quais não me identifico mas que são o meu dia a dia. Acredito que ninguém seja verdadeiramente feliz a trabalhar, pelo menos não sob a forma de assalariado, dependente de outrem. Os dias foram passando e a frustração foi tomando conta de mim, sabendo que devia ter dado o salto na altura certa há 18 meses atrás. Isto para dizer que não vale a pena fazer grandes planos, e que se fosse ontem, não teria ficado à espera nem sei bem do quê. Teria feito tudo de forma diferente. Hoje sei que penso demasiado, faço demasiados planos e arrisco muito pouco. Tudo na minha vida é pensado ao milímetro, tanto a nível pessoal como a nível profissional e só não ando rodeada de agendas porque a minha cabeça é demasiado boa e retém tudo. Este planeamento exagerado em todos os campos, com xixi a horas marcadas tem-me tornado demasiado neurótica e gostava de dar um passo atrás, não pensar tanto em minutos, alargar o campo de acção vá para dias, e ir perdendo o vício de querer controlar tudo ao milímetro.

Por aí alguém com esta manio-obsessão?

 

09.Jan.17

Vi o filme mais triste de sempre

Manchester by the Sea é um filme triste, daqueles que nos dá a volta a barriga, um valente murro no estômago. É o filme mais triste que vi e tão bonito ao mesmo tempo, com diálogos deliciosos entre as duas principais personagens. Muito parado, com muitos detalhes e uma banda sonora fantástica. Não derramei uma lágrima porque sou assim, não choro mas se não o fosse de certeza que teria passado as duas horas a chorar. A vida consegue ser madrasta muitas vezes e levar-nos a um modo de sobrevivência que não se aproxima sequer de viver. Aquilo não é viver, não existem sonhos, esperanças, não existe nada. Não existe amor, partilha, família, apenas saudade e imagens perpetuadas em três fotografias. E se alguém tem dificuldades em definir o vazio humano, é ver o filme. 

05.Jan.17

cenas de mulheres inférteis (1)

As mulheres inférteis vêm grávidas em todo o lado, têm amigas que engravidam sem sequer tentar ou logo à primeira. Sonham que estão gravidas e convencem-se que talvez seja mesmo verdade mesmo que as probabilidades digam que não. Vêm recém-nascidos em todo o lado e parece-lhes que de repente toda a gente foi mãe, até a vizinha debaixo que tem 70 anos. As mulheres inférteis sentem-se excluídas, desenquadradas devido à falta de enquadramento noutras patologias. Sentem-se vazias ou menos mulheres.

Mas as mulheres inférteis são mais fortes que as outras, são mais lutadores, diria mesmo teimosas. Ah não consigo gerar vida? Então agora é que não desisto mesmo. Têm a paciência de um santo, não passassem elas 3/4 do mês enfiadas em médicos. Tendem a tornar-se mais saudáveis porque acreditam que tratando do corpo ele fica melhor preparado para receber uma nova vida. Nem tudo é mau. São insensíveis a comentários parvos depois de ouvir tantos de tantas bocas: precisas de férias (comprimido nº 1 para a infertilidade); precisas de descansar (pelos vistos o facto de trabalharmos e termos uma vida igual ao comum dos mortais é motivo suficiente); não penses no assunto (ok, onde está o botão off); precisas de uma noite romântica e com velas (será que os meus ovários funcionam melhor à luz das velas). Somos assim para lá de espectaculares.

04.Jan.17

Bem-vindo 2017

Que este ano seja de recomeços, alegrias e realização de sonhos. Que traga saúde, prosperidade e sucesso profissional. Que aquilo que não me deu 2016, 2017 me permita gozar. A minha resolução é a que vocês todos imaginam: ser mãe. Mas enquanto apenas me foquei nisso no ano que passou este ano foco-me também em outras coisas. Vou ler mais, comprar menos e gastar mais (muito) em viagens, escapadinhas e fins-de-semana. Vou voltar a investir na minha casa e torná-la num sítio ainda melhor para viver e ser feliz. Vou mimar o meu filho e o meu marido. Vou viver mais e para vários objectivos e não apenas para aquele primeiro. Esse é o sonho, o resto é vida. Vou focar-me em mim e na minha saúde e estabelecer objectivos que quero cumprir porque sempre que me desafio excedo-me e sinto-me bem. 

 

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