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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Um passinho

Ganhei coragem e marquei nova consulta de infertilidade numa outra clínica. Pensei muito estes dias em que tive em casa, foi uma decisão ponderada e de algum modo contrariada. Tenho medo de continuar a perder tempo, perdi 18 meses da minha vida, em sofrimento e sem qualquer tipo de resultados ou esperança. Não quero outros tantos assim. Mas o meu marido pediu-me tanto, muito mesmo, só mais uma vez, só mais um tratamento e depois faço o que quiser. E aceito por ele, não somos só nós mulheres que tomamos a decisão, ele é pai, homem, marido e amigo. Ele é parte interessada. E quando já tinha desistido ele puxou por mim uma vez mais.

Vou esperar serenamente pela consulta de dia 12. Sem grandes esperanças. Aprendi que os ovários poliquísticos são duros de roer, teimosos, e as mulheres que os carregam também.

esta já foi

A cirurgia correu bem. Ainda me sinto meio a pairar por causa da anestesia geral. Estou em casa de repouso, apesar de não ter dores nos ovários, as incisões doem-me. Sinto-me inchada e fraca e antecipei o mal estar emocional que já se apoderou de mim. Sabia que ia ser duro e este culminar numa cama de hospital só me fez ter ainda mais ressentimentos em relação a este desejo. Ainda não decidi o que fazer a seguir, mas quanto mais tempo passo sozinha, a pensar em tudo o que passei nestes últimos meses mais tenho a certeza que não quero percorrer mais este caminho e se isso passar por não ter mais nenhum filho, que assim seja.

em contagem

Operação está agendada para os próximos dias, tenho medo da anestesia geral, tenho medo fechar os olhos e não acordar mais. A intervenção em si não me assusta, parece que é simples, 3 furinhos apenas, muito ar lá dentro que provoca gases horríveis nos dias a seguir. Mas o meu principal receio é o que vem a seguir, o caminho que vou optar, tenho muitas questões. Sofri muito neste último ano e fiz muito mal ao meu corpo. Entre três ressonâncias, muitas picas, muitos comprimidos, uma anestesia gera, agora, zanguei-me com o meu sonho de ser mãe. Se calhar um basta. Ou se calhar acordo da anestesia já a querer marcar consulta na IVI. Sei que vão pensar: um dia de cada vez. E faço isso, todos os dias, desde que me levanto. Se não o fizesse já tinha batido a porta. Um dia dar-me-ei ao trabalho de contar o número de consultas que fui este ano. 18 meses depois olho para trás e tenho a pior sensação de todas, a de nada ter valido a pena. 

não mãe, o óóó não!

Assim que entro em casa começo a ouvir esta frase em modo repeat. Tudo serve de desculpa para não ir para a cama dele: querer jantar duas vezes seguidas só porque sabe que é um pastelão e demora 30 minutos a comer, sempre era uma hora que ganhava; querer ir fazer cocó e depois dizer que o mesmo está preso e chorar porque não sai; querer ir fazer xixi quando já fez ou já está de fralda; dizer que a cama tem dóidoi, faz dóidói ou é dóidói; chorar até à exaustão que nem um perdido, puxar o vómito e inclusive vomitar na almofada e começar a dizer aos gritos "olha mãe, olha mãe, olha mãe". Obrigar-me a despir a camisola porque precisa do meu cheiro (?!) perto dele...

No inicio passou-me tudo pela cabeça, está doente, tem pesadelos, começaram os terrores nocturnos, tem medo do escuro, tem medo da claridade, não tem sono, tem demasiado sono, dorme demasiado na sesta, a cama está pequena, bate com a cabeça nas grades, tem dores de barriga, tem uma virose, tem gastroenterite... eu sei lá, abri um mar de hipóteses enquanto íamos ficando cada vez mais loucos devido à falta de sono das ultimas duas semanas. Acordava num pranto às duas da manhã e só pegava no sono pela meia noite. Até que no sábado resolvi mandá-lo para os meus pais. Eu e o meu marido estávamos a precisar de ir espairecer, jantar fora e dormir um pouco. O cansaço era tal que às oito da noite ja estávamos no sofá a comer pizzas e croquetes comprados na rua e a beber vinho tinto. Dormi até às 09h15 e quando abri os olhos não havia ainda sinais da mensagem habitual da minha mãe com o resumo da noite. Não havia porque o mini Lorde ainda dormia, dormia desde as 21h30 e assim se ficou até às 11h de domingo. Sem medos, sem choros quando foi para a cama, num quarto escuro, muito escuro, cheio de coisas velhas e sombras e fantasmas e duendes dos canos. 

Cada vez mais me convenço que eles "sabem na toda".

Vamos confiar em quem?

Afinal o meu querido endometrioma não é um endometrioma e vai se haver e não tenho endometriose. Ok, fui vista por uma especialista que vê endometriomas todos os dias e nada me disse. Inclusivé disse-me que caso aumentasse eu podia lá voltar que ela tirava. E ele aumentou e em Setembro marquei consulta com ela. Mas como é especialista consegui vaga para o dia 12 de Dezembro. Sim ainda falta um mês. 

No meio disto tudo e porque estava na CUF, resolvi ir dizer olá ao meu ginecologista, e contar-lhe toda esta telenovela ovárica. Expliquei-lhe que na IVI me tinham mandado para a Luz de novo (logo aqui começou o rosnar) para fazer uma laparoscopia para tirar um endometrioma (outro bufar e depois mais tarde vim a perceber porquê). "Não vai a lado nenhum, quero observá-la". Em dois minutos estava a olhar para o meu amigo Trioma e a abanar a cabeça "isto não é endometrioma nenhum, mas ok, vou pedir nova ressonância e vamos ver, de qualquer forma é para tirar porque já tem 5 cm, mas nós tiramos". O meu primeiro pensamento foi, "nós quem?". E pergunto-lhe "mas vai estar presente?". "Claro, eu tiro". Em casa fui novamente dar uma vista de olhos no cv dele e lá encontrei a menção honrosa de "coordenador da Unidade de cirurgia ginecológica minimamente invasiva" ou algo parecido. Percebi então o segundo bufar.

Marcou-me ressonância pélvica directamente com uma pessoa de confiança e hoje fui buscar o resultado - cistadenoma. Ponto, não fala de aderências, endometriomas, endometriose, nada. Estes foram os terceiros olhos que me viram. Sem contar com os médicos radiologistas da primeira ressonância. Não sendo nada de grave pergunto-me: quantas segundas opiniões temos de pedir para estarmos descansadas? Quanto vale o cv de um médico? Quanto disto não é puro negócio?

Já dizia o meu avô: maior vigarista que os advogados só existem os médicos, que podem inventar uma apendicite e os advogados não podem inventar um divorcio. 

Deliciosas

Continuo fã de panquecas, e confesso que normalmente é sempre o meu pequeno almoço. Baixas em hidratos, ricas em proteína e muito saciantes é o que se pretende para esta refeição do dia. Junto sempre coco ralado (sem adição de açúcar) e muita canela, os toppings vão variando. Uma vez que devo fugir das frutas por causa do açúcar natural tenho optado sempre por manteiga de amêndoa. 

 

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17 meses

O tempo passa, 17 meses desde que começamos a tentar o segundo filho. 17 meses depois aprendi que a vida nos prega partidas lixadas, que não vale a pena fazer grandes planos, contas ou decisões. Há assuntos sobre os quais não temos o domínio absoluto. Não controlamos tudo e não podemos querer controlar. 

17 meses depois, 4 induções, duas ressonâncias, um diagnóstico de resistência insulinica, um diagnóstico de pré-diabetes, um diagnóstico de sop e outro de endometriose, 17 meses depois estou mais velha, mas também mais forte. Aprendi a gerir expectativas, a calar angústias a adormecer dores e sofrimentos. Fi-lo por mim e pelo meu marido, mas acima de tudo pelo meu filho. Aprendi a relativizar tudo mas também me tornei mais insensível. Os problemas dos meus amigos parecem-me mínimos aos meus olhos e aquele sentimento de compaixão já não o sinto por ninguém. 17 meses depois só me importa a felicidade dos meus dois mais próximos, lutar por eles e pelo casamento que com estas coisas também leva bons abanões. 

17 meses depois, mais de 50 consultas em médicas e especialistas das mais diversas áreas sinto-me mais saudável que nunca mesmo não o estando. Conheço-me de uma forma que nunca pensei possível, durmo até melhor. São nestas partidas que a vida nos prega que temos de tirar as melhores lições. No meio de tanta porcaria qualquer coisa se há-de apreender e levar para a vida. E trata-se apenas de arranjar o escape que nos permita manter alguma sanidade. Escolher uma coisa por dia que nos faça realmente bem, e repeti-la todos os dias. Esta é a cura. Que seja ioga, reiki, musculação. Que seja um copo de vinho, um chocolate, uma música ou meditação. Que seja uma sesta, uma corrida, compras ou limpezas domésticas. Qualquer coisa serve desde que funcione. Este tem sido o meu caminho.

na cama com eles

O mini lorde da casa continua na cama de grades, e tenho oferecido alguma resistência à mudança porque já estou a imaginar a ter aqueles olhos grandes a olhar para mim às 02h, 03h, 04h e noite fora. Ou a enfiar-se entre mim e o meu esposo como aconteceu há uma semana atrás. Foi, nessa noite cedi. Depois de 14 dias a trabalhar que nem uma moura e horas a fio, depois de uma grande birra a dizer entre lágrimas "óóó mãe, óóó mãe" ou "a mãe fica aqui no chão" agarrei nele e meti-o ao pé de mim. Precisava tanto de descansar que nem pensei duas vezes. Resultado: mini lorde 1 - mãe 0.

Não descansei coisíssima nenhuma e aprendi que ele acha que é meu namorado, desde ter querido dormir em cochinha, dar-me a mão, fazer-me festinhas na cabeça (vamos abstrair a quantidade de pontapés, murros e sei la mais o quê que me deu) e acordar com ele a olhar para mim com o ar mais derretido do mundo, ninguém descansou. 

Pais que adoram o co sleeping expliquem me como conseguem! 

 

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