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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Dois anos, dois meses e dois dias

Vi no meu contador do site de mãe para mãe que nasceste há dois anos, dois meses e dois dias, e depois deste tempo resolvi fazer de ti um menino. Ontem foi dia de não pôr mais fralda e vestir-te umas cuecas cómicas com a cara do Mickey. Explicar-te que agora fazes xixi como um crescido e que deves pedir, a fralda fica só para a hora da cama. Dois anos, dois meses e dois dias depois de te ver pela primeira vez, deixaste de ser o meu bebé na tua cabeça, porque para mim serás sempre, e passaste a comer com garfo, dei-te a escolher se querias sopa ou não ou se preferias iogurte de amora ou framboesa. 26 meses depois fazes as tuas escolhas, não como as meninas porque queres lá saber da roupa, mas se comes pão com fiambre ou com vaca que ri, se levas o jipe ou o tractor para casa dos avós ou se queres praia ou a piscina do avô Tó. 

Dois anos, dois meses e dois dias depois amo-te muito mais que no início, és o meu bebé, crescido. 

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E agora o que se segue?

Antes de ir de férias marquei nova consulta na IVI para o dia 7 de Setembro. No fundo não queria acreditar que teria uma menstruação sozinha, mas tive. No entanto a consulta continua marcada, seria um retomar e um avançar para métodos mais evasivos que simples estimulações. O meu marido pede-me tempo, a minha endocrinologista tinha-me pedido o mesmo, mas tenho medo de dar tempo a uma coisa que pode nunca se endireitar. Dar tempo e depois acabar lá na mesma mas mais velha e mais desgastada ainda. Esta semana seria de ovular, mas o meu corpo não me dá sinais disso, e portanto os ciclos não estão normalizados nem restabelecidos. 

Ando nesta corda bamba sem fórmula mágica ou certeza de algo. Queria dar tempo, queria carregar no botão off e esperar. Já esperei 14 meses, posso esperar outros tantos mas a razão nem sempre me acompanha e o medo da incerteza nunca me abandona. 

Birras e mais birras

Socorro! O meu filho tem dois anos e dois meses e o monstro das birras bateu-nos à porta.

Sabem aqueles miúdos que se atiram para o chão no meio do Pingo Doce? O meu atira-se.

Sabem aqueles miúdos que desatam num berreiro no meio da rua só porque ouviram a palavra NÃO? O meu deve ser o que grita mais alto.

Sabem aqueles miúdos que disturbam os jantares românticos de casais que ainda nem sequer pensam ter filhos? O meu disturba esses e todos os outros, até aqueles que têm filhos.

Sabem aquelas criaturas que cospem a comida, metem a mão à boca para tirar tudo o que está lá dentro e ainda puxam o vómito? O meu faz isso tudo. 

Sabem aquelas mães que batem por tudo e por nada? Sou eu e não é por tudo e por nada, as birras dão cabo de mim, assumo, não sei lidar com elas, não quero lidar com elas e o meu filho está INSUPORTÁVEL. Agora que vivencio esta maravilha posso dizer que é muito difícil gerir isto em público. As pessoas comem-nos com os olhos, comem porque os deixamos berrar, comem-nos porque afinal não os deixamos berrar e damos uma palmada na mão. Crucifixam-nos porque dizemos "está bem queres ficar deitado no chão no meio dos frescos do supermercado fica" e porque viramos costas. Criticam-nos porque acabamos por comprar mais um carro só para a peste se calar, ou porque não compramos e coitado o miúdo queria mesmo e precisava mesmo de um carro. 

 

Que bom estar no silêncio do meu escritório com a criatura berrante longe de mim. (ups lá vou eu ser criticada outra vez).

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