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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Uma jovem adulta

Hoje faço 31, sou a menina dos anos, uma jovem senhora. E neste dia tão igual aos outros, com a diferença que já abri presentes logo pela manhã, apenas peço que os 31 sejam melhores que os 30. Que me tragam aquilo que não consegui com 30, ou pelo menos alguma paz de espírito. Que os 31 me dêem a serenidade e o equilíbrio que desapareceram no último ano. Que seja um ano feliz e sempre melhor que os outros. 

Guerra declarada

Declararam guerra ao chocolate de leite e ao chocolate branco, ao leite e à lactose, à farinha de trigo e ao glúten, à batata branca e ao amido, à carne de porco, às salsichas e ao fiambre que não seja de aves, ao queijo que não seja branco, à manteiga que seja Mimosa ou Açores. Ao açúcar, ao mel e às compotas, aos cereais de pequeno almoço e às bolachas, ao pão branco, semi branco e quase castanho, ao pão de forma, de leite ou brioche. Guerra às gelatinas e às gomas, aos molhos da Calvé e tantas outras marcas, aos gelados que não sejam sourbet, às amêndoas da Páscoa, aos ovos moles, ao bolo rei e ao Pastel de Belém. Ao arroz que não é basmati ou integral e a todas as massas da Nacional. Ensinaram-nos a ler rótulos, a contar macronutrientes ou calorias, a distinguir a gordura saturada da que é boa. À mesa devem estar os ovos, a carne de frango, a pescada e o salmão. A batata doce e os brócolos e já nem sopas com legumes variados podemos fazer. Declararam guerra ao vinho e ao espumante, mas Gin até pode ser, aos sumos de fruta com mais que uma peça ainda que feitos na hora, aos refrigerantes light ou normais ou aos sumos de pacote. Adoptaram o óleo de coco ou de linho, o kamut ou a espelta. Adoptaram o Atkins ou Paleo e deitaram por água os hidratos a partir das 17h. Adoptaram os treinos de alta intensidade e puseram de parte as maratonas, venham as tabatas e os hiit 2-4, os treinos de ferro e funcionais.

 

Pergunto-me o que vai o meu filho comer quando tiver a minha idade. Que este mundo louco tenha já dado uma volta de 180º e nos permita beber uma imperial com uns tremoços a acompanhar e que seja cool postar isso no instagram. 

Vamos falar abertamente sobre infertilidade?

Olá, sou a Gracinha e tenho infertilidade secundária. Secundária porque já gerei um filho, mas o meu corpo não consegue gerar um segundo. 

Tenho SOP (síndrome de ovários poliquisticos) que me provoca anovulações e consequentemente amenorreia secundária (ausência total de menstruação). Em Janeiro deste ano recorri a um especialista com algumas reticências, acabei por gostar da clínica e fui ficando. A abordagem inicial foi feita através da toma de fármacos, mais precisamente Letrozol, usado no tratamento do cancro da mama. Mulheres em pré-menopausa começaram a ovular com este tratamento e ele passou a ser difundido como uma alternativa para a indução de ovulação. 

A resposta ao Letrozol não foi favorável e introduzimos o Puregon, hormona folículo-estimulante e o Pregnyl para libertação do óvulo dos folículos maduros. Depois de dois ciclos sem resposta, ao terceiro tive uma super resposta. Em demasia até, o corpo em dois dias fez crescer 40 folículos prontos a serem futuros bebés. Todo o ciclo foi cancelado e fui proibida de ter relações sexuais, protegidas ou desprotegidas com o meu marido até que a menstruação aparecesse. Quando a menstruação apareceu fui ao médico para iniciar um novo ciclo, mas o meu corpo não tinha sido capaz de limpar ainda todos os folículos que tinham sido gerados. Foi-me receitada uma pílula anticoncepcional para que o tamanho dos folículos sobrantes regredisse.

Nova ecografia passados 14 dias mostrou que o os meus ovários já estavam limpos, mas infelizmente, um quisto que me acompanhava desde o início continuava a crescer, e era preciso despistar o que era. Pediram-me uma Ressonância Magnética, uma Ecografia Doppler e análise dos indicadores tumorais. Pediram-me que ficasse calma porque não ia ter nenhum cancro (e não tenho), mas assim que ouvimos a palavra tumor ficamos em pânico.

Consegui fazer os exames na mesma semana em que me foram pedidos e na sexta-feira passada já tinha os resultados. A ressonância indicou tratar-se de um endometrioma e concluiu que haveria outros focos de endometriose ainda que pouco relevantes. A ecografia doppler levantou a hipótese de endometrioma mas não concluiu nada. No meio disto estive uma semana em profundo stress porque foi mais um obstáculo que apareceu no meu caminho. Não bastava o SOP, a amenorreia, as anovulações. Endometriose. A palavra não me assusta, conheço bem a doença, mas é mais uma coisa, ainda que pequena, ainda que no inicio que leva a que eu tenha de voltar a adiar tudo mais um pouco. É preciso tirar o quisto do ovário através de laparoscopia e ver se o resto da pelve está saudável ou já tem cicatrizações de outros focos. É preciso saber porque os médicos hoje em dia querem saber de tudo e porque a abordagem à infertilidade pode ter de mudar.

Entretanto tento sofrer de forma mais ou menos silenciosa, o meu marido apoia-me mas é homem, as minhas amigas são saudáveis e dizem que não me preocupe que já tenho um filho. A minha mãe tenta ajudar-me mas também não consegue chegar a mim. Eu própria me fecho um pouco, é o meu escudo, é a minha forma de lidar perante tanta frustração. Faz um ano que percebi que tinha um problema, um ano em que ando num entra e sai de médicos. Faz um ano que luto diariamente para não pensar no assunto, para me despreocupar, um ano sem que nada acontecesse a não ser uma série de diagnósticos justificáveis. Na IVI dizem que não há razão nenhuma para eu não conseguir, com este ou com outro método, há casais muito mais problemáticos que nós, mas no calor do momento isso não importa. A dor dos outros não atenua a nossa.

Agora, venha de lá essa laparoscopia e daqui a 4 semanas logo voltamos a pensar no assunto. 

Crush

Vai ser a minha aposta este verão para vir trabalhar: vestidos pelo tornozelo, largos e com corte a direito. (se o Verão resolver aparecer claro)

 

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Sobreviver ao vigésimo segundo mês

O Pablito já tem quase dois anos, o tempo escapa-nos de uma maneira e é vê-los crescer e nós a envelhecer. Começa a dizer frases completas com sujeito, verbo e predicado. Está numa fase de muito mimo da mãe, dá-me abraços, beijinhos e faz-me grandes festas quando eu chego a casa como se não me visse há uma eternidade. E eu confesso que fico toda babada. Faz 100 km seguidos no carro sem se aborrecer e nesses 100 km vai a dizer "mãe, pai, mãe, pai, pai, pai, mãe, mãe". Já não usamos o carrinho porque ele quer ir a pé, o que significa 30 metros a andar e 3 km ao colo. Continua um pequeno gigante elegante e patudo e tem definitivamente caracóis que o pai insiste em cortar para que não se percebam. Dá trabalho e exige muita atenção mas compensa pela companhia. Custa-me mais hoje em dia deixa-lo na minha mãe do que quando era um bebé de colo. Adora tudo o que tenha rodas e buzinas, é louco por carros (dos crescidos) e volantes. 

Adora a Masha e já vai enjoando do Panda, no youtube prefere os vídeos com meninos verdadeiros que bonecos e mexe melhor no Ipad que os pais. Continua a adorar água e lavar as mãos. Continua viciado no Júlio e não larga o raio do boneco que está sempre encardido e mal cheiroso. Continua viciado em batatas, bananas e gelatina e nada como ir jantar com os pais croquetes ao Mercado de Campo de Ourique. 

A ti meu querido filho

No dia em que me comecei a apaixonar por ti, e sim confesso que não foi imediato, soube que te queria dar um irmão. Porque eu passei por muito sozinha, ser filha única não é fácil, e apesar de eu ter a certeza que sou melhor mãe do que a minha foi não queria que passasses por momentos de profunda solidão como os que eu passei. Foi nesse dia que comecei uma nova batalha: gerar um filho novamente. Se contigo não foi fácil, não foi à primeira, segunda ou terceira, hoje é quase impossível. E ontem soube de mais uma coisa que ainda torna o processo mais difícil. As probabilidades estão contra mim, as estatísticas são tão baixas que só ainda não desisti porque tenho um marido a segurar-me a mão. Só ainda não desisti porque tenho um medo horrível de morrer (e convenci-me que vai acontecer cedo) e de te deixar sozinho. Mas o caminho está a ser demasiado penoso e perdoa-me por não conseguir dar-te o que tanto queria, perdoa-me se desistir, mas tanto cansaço psicológico não pode fazer bem a ninguém. 

Sei que devemos dar um passo de cada vez, mas sempre que dou um em frente, acontece algo que me faz recuar dois ou três. 

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