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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

dia -7

Sempre que fazemos grandes planos, grandes agendas a vida troca-nos as voltas e lá vem uma chamada, um email ou uma mensagem alterar o programado. A consulta do dia 1 de Fevereiro foi antecipada para a primeira semana de Janeiro. No dia 24 por volta do 12h dei com uma chamada de Valência e calculei que fosse da Clínica IVI. O Dr. Sérgio Soares afinal teve tempo para mim mais cedo. Não retribuí logo a chamada porque sabia que era para antecipar a consulta e já me tinha dado este tempo. Não pedi a opinião de ninguém, estava na rua, a sair do ginásio e pensei "faz aquilo que te apetecer fazer". Por ser dia 24 assumi que podia ser um presente de natal, um sinal, qualquer coisa e soube que o mais acertado era retribuir a chamada.

 

Este blog foi criado para contar as peripécias da gravidez de forma irónica com um conteúdo minimamente informativo. Quero acreditar que este assunto também é de alguma utilidade para alguém que me leia e portanto vou optar por contar estas novas peripécias da infertilidade, apoio à fertilidade o que lhe quiserem chamar. Talvez com um toque menos irónico (ou não), que o meu caminho sirva para alguma de vocês. 

mãe desnaturada

Serei a única que no dia 22 de Dezembro ainda não tenha comprado nada para o rebento e nem sequer saiba o que comprar? O meu tem tanta tralha inútil, brinquedos enormes que ocupam o quarto todo, liga 5 minutos a um brinquedo novo e no momento a seguir já está a ir buscar tampas de taparueres para ir enfiá-las na sanita, ou a desarrumar a gaveta das meias, ou a mexer no Ipad. Se calhar oferecia-lhe um trem de cozinha, aposto que ia gostar mais, ou um passe anual de entrada livro numa qualquer piscina municipal (a seguir a mim a coisa que ele mais gosta é de água).

Dia 1, 18 de Dezembro de 2015

Se me dissessem um dia que iria comer ao pequeno-almoço claras de ovos com azeitonas iria torcer o nariz. Hoje foi o primeiro dia de uma nova etapa. Mais do que uma nova dieta, é agitar este corpo e pô-lo a funcionar. A palavra de ordem é recuperação metabólica e reposição hormonal sem recurso a fármacos e o que vier para além disso é um acréscimo. Em paralelo comecei a fazer acupunctura e fitoterapia chinesa. Em contagem decrescente para o dia 1 de Fevereiro mas em modo negativo: não quero que ele chegue da maneira como está marcado na agenda.

sonhos de uma mãe moderna

Ser a última da casa a acordar, abrir os olhos e ter o pai e o filho a olharem para mim de sorriso rasgado, o filho já de fralda mudada, vestido e penteado, o pai de banho tomado e dentes lavados, um tabuleiro pousado junto da mesa de cabeceira com ovos mexidos e café acabado de fazer e um batido de frutos vermelhos.

 

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rotinas

E acordar este bebezão quando ele está em modo "super ferrado com o pijama quente do mickey" só porque faço questão de ser eu a vesti-lo e dar-lhe o pequeno almoço? Ontem de manhã até deu para tirar fotografias, cantar, fazer judiarias e nada. 

 

gordo dorme.JPG

 

 

 

aprender a desligar

Tive de digerir, e depois de digerirmos começam as perguntas, as dúvidas e os medos. Com uma causa directa já é mais simples de encararmos o problema, mas continua a haver questões: porque fui encaminhada para uma clínica de fertilidade? Se não ovulo não podia antes tomar indutores de ovulação e ver? Esta é a que me paira na cabeça no momento. A consulta de "apoio à fertilidade" está marcada, para o dia 1 de Fevereiro, e até lá? Desligo-me? Como? Onde está o nosso botão off? E no entretanto? Não faço nada? Continuo na esperança que o meu corpo adormecido resolva acordar?

 

Finalmente uma resposta

Ao fim de alguns meses de teimosia, em que resolvi optar por ser uma autodidacta no campo da reprodução feminina resolvi voltar ao meu médico de orelhas baixas e rabo entre as pernas. Recebeu-me de sorriso amável conforme é habitual e pronto a ouvir o meu rol de queixas. Voltei à carga com a frase do costume "estamos a tentar engravidar mas continuo sem menstruação", sim sim, já lá vão mais de 6 meses, sim o corpo reagiu ao Primolut (progesterona) mas depois voltou ao habitual, "ah e sabe devo mesmo estar com problemas hormonais porque nem na puberdade tive tantas borbulhas". Por baixo do meu ar normalmente descontraído toda eu estava em stress. 

"Adivinho o que seja mas tenho de a observar". E lá fomos para a tortura habitual a que já nos habituámos ainda mais depois de termos sido mães. "olhe esta a ver ali todas aquelas bolinhas pretas, imensas?", estavam lá, fofíssimas a olhar para mim, "aquelas bolinhas são quistos, provocados por alterações hormonais...". Deve ter dito mais umas quantas coisas mas eu desliguei, queria vestir-me, sentei-me e ele continuou. "Quando são mais de 10 em cada ovário, com menos de 10 mm, a mulher sofre de síndrome dos ovários micropolicísticos, não é grave e trata-se com a pílula, o que não é compatível para quando se está a tentar engravidar, e como não tem menstruação, também não tem ovulação", fez uma breve pausa e prosseguiu "neste quadro, as probabilidades de conseguir engravidar sem ajuda são quase nulas". 

Foi como um murro no estômago, pontapé na boca o que quiserem... ninguém quer ouvir estas palavras, mesmo tratando-se de isso mesmo, probabilidades. "o problema é quando este quadro é acompanhado de ausência total de menstruação, se ovulasse era tudo mais fácil e podia mesmo ser natural". Não tive reacção, saí de lá como se tivesse estado a beber café com uma amiga, com a credencial das análises na mão e uma carta de recomendação para uma consulta de apoio à fertilidade na outra (nome simpático para os nossos ouvidos).

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