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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

em modo de desabafo

Quem por aqui vai passando conhece o tom irónico com que vou tentando escrever com mais ou menos regularidade mas muitas vezes tenho a sensação que dou pouco de mim.

Desde que fui mãe, e todas devemos passar mais ou menos por isso, passamos um pouco para segundo plano, o essencial é o bem estar do novo habitante da casa e tudo o resto se vai fazendo em jeito de sobrevivência. 

Mas a verdade é que continuamos a existir e a ser aquilo que sempre fomos, mulheres, com problemas existenciais, físicos e profissionais. 

Regressei ao trabalho em Janeiro, quando o bebas fez 6 meses apesar de desde os 3 meses dele já estar a assegurar grande parte do trabalho a partir de casa, pensei que a adaptação ia ser fácil e estava desejosa de sair da rotina de mamã fofinha 24 horas por dia. Adoro trabalhar, estar ocupada e focar-me naquilo que faço, mas neste momento odeio estar aqui, odeio levantar-me, odeio encarar estas pessoas e acima de tudo odeio aquilo em que se tornou o meu posto de trabalho.

Tenho dias em que me sinto miserável e só o salário "milionário" me vai mantendo a aturar este mundo engravatado onde as mulheres nunca chegarão a um lugar de topo (dito na minha cara). Tivesse eu coragem e mandava esta gente pastar. 

Sobreviver ao oitavo mês

A partir deste mês deixa-se de sobreviver e passa-se a viver. O bebé já tem as rotinas dele bem definidas, já dorme quase sempre bem (excepto em noites que antecedem o rompimento de mais um dente), come bem e interage. Começa a movimentar-se à sua maneira e a querer chegar a todo o lado. Duvido que algum dia o príncipe vá gatinhar de quatro. Arrasta-se por toda a casa dando à perna (usa apenas a esquerda o que faz lembrar um mutilado de guerra) e faz de pano da Vileda. Já pensei se não seria de inventar (se calhar já alguém inventou), panos da Vileda para embrulhar as criaturas. Era da maneira que a MJ poupava tempo. Mas voltando ao ser rastejante, quer ir a todo o lado onde não deve claro está, a obessessão pelas tomadas começa desde cedo dando ideia que teremos um futuro brilhante electricista. Os cantos mais bicudos também parecem fazer razias na cabeça dele. Enquanto se arrasta fala muito e faz brrrrr não dizendo nada em concreto. Ri-se muito, diz adeus a todo o momento, principalmente quando lhe estou a limpar o cocó (deve estar a despedir-se daqueles amiguinhos mal cheirosos) e quando vai no carro virado para o banco. Não manda beijinhos mas faz o give me five (mesmo rapaz). Não diz mamã, nem papá, nem papa, nem dá, nem toma nem coisa nenhuma. Não se põe de pé, não se senta sozinho nem, imaginem, lava os dentes. Continua a ser uma criatura curiosa e com as bochechas mais lindas de Campo de Ourique. Afogo-o em beijos todos os dias e todos os dias penso que cada vez gosto mais dele. É possível?

O papá da licença?

As semanas em que o meu marido está fora são aterradoras. As mães são as melhores em tudo mas os pais também sabem fazer muita coisa e o meu marido dá-me 10 a zero em três tarefas:

Pôr a arrotar (hoje em dia já não é preciso, mas sempre com muita paciência ele conseguia que o miúdo arrotasse).

Cortar as unhas (recuso-me, se algum dia ele tiver mais de duas semanas fora não sei como vai ser, vou ter de comprar umas luvas para o puto não se auto-cegar).

Pôr a dormir na cama. Não consigo. Sempre que me vê é um contentamento total, pego-o ao colo aninha-se em mim, fecha os olhos e até parece estar a dormir, deito-o, abre os olhos, vira-se para mim e dá gargalhadas, põe as pernas para cima e manda-as para baixo com toda a força como se estivesse a pular. Isto era tudo muito giro não fosse serem 22h30, ele continuar na brincadeira, eu não ter jantado. É um desassossego. E confesso que aquela treta do eles sentirem o que nós sentimos é verdade, conforme vou ficando com mais pressa (para não lhe chamar outra coisa), ele vai ficando com menos vontade de dormir. 

Presentes de Páscoa

O coelhinho de Páscoa trouxe-me um belo presente: um bebé super rabugento e que arruinou a maioria dos planos. Quinta-feira almocei sozinha numa esplanada enquanto o homem o tentava distrair no carrinho; sexta-feira conseguimos estar cerca de 45 minutos no Bar do Peixe, sábado as nossas queridas gémeas "deram" a festinha de um ano e nós entrámos e saímos, domingo conseguimos que dormisse (15 minutos!!!) na cadeirinha enquanto tentávamos apanhar um pouco de ar. Pobre criatura, não tem culpa já sei, tem os caninos a quererem romper (sim mais uns) e anda super irritado, junto a isto desconfio que sente saudades da empregada, juro que acho. Ah e da cama dele, olho para a sua carinha e consigo imaginá-lo a pensar "oh não lá vão estes gajos para a rua outra vez, deixem-me em casa por favor". 

 

É nestas alturas que não me canso de repetir, prefiro os dias de semana. Sim sim, sou uma mãe horrível. 

palavras para quê

Eras minúsculo (dentro do possível, nunca foste pequeno), choravas muito, sair contigo era um inferno. Nesse dia meti-te no sling, foi o único dia em que consegui, sem que esperneasses e chorasses que nem um desalmado e fui ao Mercado de Campo de Ourique comprar Sushi. O Sr. do Sushi olhou para mim e disse "leva aí um bebé?" e virou-se para o meu marido com um sorriso na cara "tire uma fotografia, vai ficar artística". Todas as fotografias têm uma história, a história desta é esta, de mãozinha na cabeça dormias, naqueles raros momentos dessa altura. Hoje olho para trás e adoro a fotografia, conta muito de ti dormitando de sobrolho franzido e desse período em que os momentos que não choravas eram raros.

 

myprecious.jpg

 

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