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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Sobreviver ao segundo mês

Sobreviveste aos primeiros 30 dias. Não te lembras bem do que aconteceu, mas consegues contar facilmente as horas dormidas no total. Sabes agora que o melhor remédio para as cólicas são palitos para os olhos e tampões para os ouvidos. Achas que já conheces bem o teu bebé, mas ele é que te conhece a ti, e sabe que basta fazer um ruído para o estares a embalar.

 

Já consegues tomar um banho de 5 minutos porque ele já não chora tanto, mas pelo sim pelo não, pões-no no ovinho e levas para a casa de banho. Tomas banho com aqueles olhos postos em ti. Já o consegues manter entretido no berço durante 5 minutos, na melhor das hipóteses 10 minutos. 10 minutos preciosos que utilizas para comer uma sopa, vinda directamente do frigorifico para a tua boca, não importa, é melhor que nada.

 

Nesta altura já aprendeste que as tábuas rangem e que o berço tem picos. Que se lixe, dorme no teu colo, ao menos aí não acorda. Não consegues adormecer assim, mas descansas os ouvidos. 

 

Já não adormece na mama, muito pelo contrário, às 4h da manhã está mais desperto que um guarda nocturno pronto para absorver toda a experiência que a escuridão lhe dá. 

 

18h, 19h, 20h, 21h, 22h, tudo igual ao primeiro mês, continua a berrar por causa das malditas, mas agora tens um alento, dizem que a partir do terceiro mês elas desaparecem milagrosamente. Dizem alguns que é mesmo no dia do mensaniversário, à hora do nascimento, tamanha precisão.

 

Continuas a afirmar que ele será filho único, porque não podes passar por tudo outra vez. Só não assumes perante ninguém que bem lá no fundo até já sentes saudades de estar grávida.

 

Por esta altura já existe uma recompensa: és a única pessoa para quem ele sorri! Começas finalmente a amolecer. 

 

Alerta (cont.)

Já não temos Filipina. De facto quando a confiança se quebra não há como voltar atrás. Fartei-me de chorar não sei bem porquê, mas sei que fiz o acertado, dar aerom só para o bebé estar entretido a chupar e mentir sobre o assunto para mim não dá. Talvez não me tenho explicado bem no post anterior mas não era sequer uma solução para ele adormecer, porque das duas vezes que desconfiei nem sequer era hora de ele dormir. Tal como disse, ele ainda é um bebé difícil para dormir durante o dia e por isso mesmo, nunca lhe dei a ela essa tarefa. 

 

Bem, mas a vida continua, e eu tenho de ver se combato estas hormonas pós-gravidez que já vai mais do que a tempo. 

Alerta

Não Sei se já tinha dito mas arranjei uma Filipina para empregada a tempo inteiro. O objectivo era ela tratar da casa e do bebe quando eu fosse trabalhar. Tudo corria bem, mas eu tinha a pulga atrás da orelha. Continuava a tomar banho a correr, a almoçar à pressa, a ir lá abaixo num instante. Em 3 semanas nunca o conseguiu adormecer. Na segunda-feira a seguir ao banho, fui à sala e ele estava no parque quase a dormir, muito agarrado à chucha, achei estranho porque durante o dia ele só adormece ao colo, e só fica no colo, ela saiu e eu aproximei-me, vi que tinha as bochechas melosas, aproximei-me e dei-lhe uma lambidela (o que uma mãe faz) e ele tinha as bochechas doces. Achei estranho ela dar aerom quando ele nem sequer tinha chorado, e bastante para tamanha pegajice. Confrontei-a e ela disse que não tinha dado, e riu-se ao jeito Filipino. Não gostei, porque tinha sentido o sabor da baba, doce e não azedo de bolsado por exemplo. Deixei passar, e resolvi testar, com o frasco, em determinada posição e fechado de determinada maneira. Confesso que na terça-feira esqueci-me de como tinha posto e ontem a minha mãe esteve cá em casa o dia todo. Hoje lembrei-me de fazer outra vez o teste, nem foi preciso ir tomar banho, bastou me ir beber café para ela ir despejar aerom no Pablo, e uma vez mais ele nem sequer estava a chorar. Uma pessoa que faz isto comigo em casa nem quero pensar como seria quando eu fosse trabalhar. Isto é um alerta para todas as mães que confiam em alguém. Agora a procura recomeça.

Sobreviver ao primeiro mês

01h

No primeiro mês não se vive, sobrevive-se, os dias são todos iguais, o tempo voa e parece que não passa ao mesmo tempo. É antagónico eu sei. Sabem aquela história que nos contam do esquecemos tudo no instante? É mentira... não esquecemos nada.

02h - 03h

Hora de mamar, abana o miúdo, ele adormeceu, não acorda, tira as meias, belisca os pés, mexe nas bochechas, continua sem acordar, tira a fralda, abana a mama, torce a mama, deita-te, levanta-te, acordou. Duas puxadas, adormece de novo. Uma hora a mamar para beber 3 ml. 

04h 

Adormeceu na mama outra vez, tira cuidadosamente o mamilo ensanguentado da boca dele, xiuuu, tenta não pisar as tábuas do chão que rangem, pousa-o lentamente no berço, aproxima devagarinho, buááááááá, o berço tem picos. Não vale a pena deitares-te, é hora de dar de mamar outra vez.

06h

Dói-te a alma, os olhos mas estás de coração cheio, o bebe finalmente adormeceu no berço, podes descansar de braços livres. Deita-te e descansa uma hora.

06h05

Será que respira? É melhor levantar-me para confirmar, aproxima-te lentamente, põe os dedos perto do nariz dele. Cuidado para as tábuas não rangerem. Aproxima-te... MERDA, tens uns olhos brilhantes a olhar para ti, volta ao inicio. 

08h - primeira tentativa para tomar banho

09h - segunda tentativa para tomar banho

10h - quinta tentativa para tomar banho

11h - desiste do banho, é um luxo e terás tempo de tomar banho o resto da vida. E xixi posso? sim dos rápidos, coco já não, só se for com ele ao colo.

12h 

Chega a família toda do marido. Porque será que nos primeiros dias parece que estão sempre cá enfiados? 

12h30 - o bebé começa a chorar

13h - o bebé continua a chorar. Mas o que será que ele tem? Despe a roupa tem calor, a sogra diz que as mãozinhas estão frias. Veste roupa ele tem é frio. Muda a fralda é xixi, mama para fora, é mas é fome. Afinal deve ser sono embala-o, sentada não dá tem de ser em pé. Em pé mas a andar. Cuidado com as tábuas que rangem. Senta-te na bola de pilates e saltita, dizem que ajuda, mas antes embrulha-o, limpa os pulmões e começa SHHHHHHH SHHHHHH SHHHHHHH.

13h30 

Adormeceu na hora em que devia começar a mamar, estás esgotada não queres saber. Esquece afinal queres, é o teu primeiro filho e tens toda a gente a querer enfiar Suplemento pela garganta abaixo do puto. 

15h

Não comeste nada ainda, estás sozinha, tens tempo de pôr sal debaixo da língua para evitares desmaiar com o miúdo nos braços e só acordar à noite quando o marido chega. 

16h

Choras, achas que já não aguentas mais, tens vontade de entregar o bebé para adopção, dizes que nunca mais queres ter filhos, olhas para o bebé de forma critica e murmuras "a culpa de vires a ser filho único é só tua".

17h 

Começas a ficar aterrorizada, a hora das cólicas aproxima-se e o marido continua numa reunião. Vai começar a hora da choradeira. Apetece-te um cigarro, mas já não fumas. Deixaste quando o teste deu positivo. Come antes um chocolate. Não podes, diz que lhes aumenta as cólicas.

18h em PONTO Ele começa a chorar, embrulhas, desembrulhas, fazes shhhh bem alto, saltitas, embalas, danças, cantas, falas, gritas. O telefone está a tocar, é do teu trabalho, faltou pagar um salário, ele já berra porque paraste de fazer shhhhh durante 30 segundos.

18h30

Continua a chorar, conseguiste-o calar durante 5 minutos no peito, bolsa em jacto porque na verdade estava cheio, chora ainda mais, se calhar tem puns, vai estimulá-lo com um cotonete, uma cânula o que vier à mão. Saem dois puns e uma caganita de pássaro. Afinal não tem cocó, nem puns, nem nada, chora cada vez mais alto.

19h 

Choram os dois

20h

O marido chega e tu dizes "toma, odeio-o, não aguento mais, nunca mais serei mãe. Vou-me embora, vou fugir, vou mandar todos à fava." Mas antes de ires embora passa pela cozinha, não comes desde as 20h do dia anterior. 

21h

Consegues lavar os dentes

22h

O choro começa a acalmar, está na hora de o embalar, tem de ser no teu colo, só no teu colo ele adormece.

23h

Ainda não dorme mas já está sonolento. SHHHHHHH, continua nesse ritmo, se mudas o ritmo ele desperta. Já só tens duas horas, à 1h ele tem de mamar. 

1h 

O dia passou, igual ao de ontem, igual ao de amanhã, tentas sorrir porque sobreviveste, o teu marido tenta chegar-se a ti, nem acreditas que isso lhe passe pela cabeça. Não esqueceste as 24h anteriores mas só isso te possibilita de continuares em frente no dia a seguir, o choro terminará um minuto mais cedo, não às 22h mas às 21h59, porque nisto dos filhos cada segundo conta.

O dia a dia sempre em tons azuis

Já sabem que escrevo de maneira irónica, e tentando manter o registo nos próximos 3 posts vou contar o dia normal de uma mãe com um bebé de um mês, de dois e de três. Sem grandes corações, ou reportagens fotográficas em que tudo é bonito. Sem selfies na praia a mostrar a barriga cinco dias após o parto (ainda me pergunto como fazem com os lóquios - perdas de sangue - uma vez que não é suposto pormos nada dentro do nosso pipi, nem um tampão).

mães que tudo sabem

digam-me uma coisa, depois da crise dos 3 meses qual é a que vem a seguir? É que sempre me disseram que no dia que o Pablo fizesse 3 meses parava a crise de cólicas típica do primeiro trimestre e acabava o choro.

Não acabou, acalmou, mas continua a ser difícil. Então falaram-me da crise dos 3 meses, aos 4 meses deve ser dentes, aos 6 as sopas, aos 12 a habituação à nossa alimentação. Aos 5 anos a ida para a escola, aos 11 a mudança de escola, aos 14 o primeiro desgosto amoroso, aos 18 a entrada na faculdade, aos 23 a procura pelo primeiro emprego. Vá mães que tudo sabem, há alguma altura que eles não estejam em "crise"? Vão é chorando menos e precisando de menos embalo. 

quem fica com ele?

Foi uma decisão muito pensada. Voltei atrás, mudei de ideias, primeiro ia para o berçário, mas depois já não ia. Comecei à procura de alguém de confiança, publiquei anúncios, marquei entrevistas e ninguém apareceu. Ou quem aparecia não era suficientemente boa para vir para aqui. 

Falei com a minha empregada que pediu uma fortuna, e no fim de contas já não era o dinheiro, eram horas a mais. Não tinha interesse. Voltei a dar voltas e pensei, vai para o colégio. O pediatra torceu o nariz e eu voltei a balançar. Afinal já não vai. 

Arranjei uma pessoa, recomendada pela empregada da avó de uma amiga. Uma filipina. Barata, e com vontade de trabalhar. Não fala português, é tímida mas desde que chegou não parou. Só espero que corra bem e que o Pablo a adopte.

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