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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Ser pai

Sim hoje acordei (verdade seja dita mal cheguei a dormir) raivosa... É muito difícil ser pai de um recém nascido que berra todo o santo dia, principalmente quando se sai de casa às 9h, chega-se às 20h e pelo meio ainda se sai para fora em trabalho. Mas é difícil, tão difícil que têm a moral para dizer "tem calma eu sei que é complicado" só porque eu digo que me apetece afogar a criatura.

Meu filho meu T(error)esouro

by Benjamim Spock

 

Publicado em 1946 é de uma actualidade impressionante este livro MEU FILHO MEU TESOURO. Descobri-o nas estantes da minha mãe e tenho lido algumas partes para ver se consigo entender um pouco desta criatura que me saiu na rifa. 

 

Não estava à espera de ter um anjinho, um belo adormecido porque na barriga já era o que era, mas nunca pensei que um bebe fosse capaz de estar horas a fio a gritar de pulmões abertos. As chamadas "cólicas" bateram cedo nesta morada. Nascido faz hoje 20 dias esta criatura tira-me do sério não raras as vezes, são dias inteiros em que não consigo fazer o que quer que seja porque cada vez que ele abre os olhos abre também a boca, e não não é para comer. Cólicas ou não posso afirmar que claramente ele tem ataques de cólera, de raiva, passa-se só de não conseguir pegar na chucha ou no mamilo. Interroguei-me várias vezes sobre estes ataques de fúria e descobri neste livro que há mesmo uma categoria onde enquadrar o meu querido filho: os bebes coléricos. A cura? Não existe. Muita paciência (não tenho na maioria das vezes), muito mimo (quando ele está com as fúrias nem vale a pena dar-lhe mimos que o gajo detesta) e ouvidos de mouco. O resto é arranjar truques para manter a nossa sanidade mental e algumas rotinas diárias como por exemplo fazer xixi ou coco, lavar os dentes ou pôr as lentes de contacto logo de manhã (um banho é um  luxo senhoras, esqueçam). Hoje consegui-o finalmente enfiar no Sling e é assim que vos escrevo, no sling com o White Noise (mais propriamente este http://www.youtube.com/watch?v=cUwEiMNhOCM) ligado. 

 

um tema complicado

Se há coisa que aprendi nesta gravidez é que não podemos controlar tudo. Tive uma cesariana que era a última coisa que queria e não tive uma subida de leite daquelas que toda a gente me falou: mamas inchadas, doridas, quase até ao pescoço. Não senti nada, não tive dor alguma. Aqui começaram as dúvidas. Tenho leite ou não tenho leite? Sempre quis dar de mamar mas confesso que não sou uma fundamentalista da amamentação, aliás não o sou em relação a quase nada. 

 

Quando o Pablo começou a perder peso, tendo já nascido magro dado o tamanho dele, comecei a preocupar-me; quando começou a berrar sempre que acabava de mamar, mesmo depois de ter estado duas horas na mama comecei a desconfiar. Procurei ajuda, chamei uma enfermeira cá a casa, fui eu própria ao um centro especialista de amamentação. Ambas me disseram: você tem leite, precisa de ser persistente. Não acreditei. Desesperei por ver o meu bebe a continuar a chorar de fome. 

 

E hoje quando me apresentaram a solução de dar de mamar de duas horas e meia em duas horas e meia, começar a despertá-lo uma hora antes disso e depois saber que ele demoraria hora e meia a mamar, solução unica para começar a produzir mais leite eu aceitei. Ele mamou duas horas no Centro e quando chegou a casa mais uma, quando o tirei da mama chorou, de pulmões abertos. Aí eu soube, tal como na gravidez também na maternidade o caminho se faz caminhando e eu sou a pessoa que melhor percebe a minha cria, e que sabe o que é melhor para ela, para ela e para mim. A minha sanidade mental não me permite passar 24 horas dedicada às maminhas mesmo que seja temporário. 

 

Resolvi seguir o meu instinto e não abraçar o projecto da amamentação a 100%, mandei uma mensagem ao meu marido a dizer apenas "eu não consigo fazer isto".

 

E agora sim, sinto-me aliviada por ter dado mais um passo em frente neste caminho.

Born on the 4th of July

Eram 07h45 quando demos entrada no hospital para começar a indução. Quem me foi seguindo sabe que não era isto que pretendia, mas depois de duas semanas a caminhar que nem maratonista e sem qualquer evolução, já a passar das 40 semanas o médico não me deu grandes hipóteses. Ainda assim mentalizei-me que tudo poderia acontecer até ao dia mas enganei-me. Não fiquei nervosa, dormi bem na noite anterior e só no próprio dia comecei a questionar o que estava a fazer. Disse ao meu marido que tinha a certeza que teríamos de ir para uma cesariana, que nunca deveria ter aceite começar por indução e que devia ter seguido a minha intuição inicial. 

 

Depois de ter sido observada e me terem dito que o bebe continuava subido, o colo verde e fechado questionei-me em silêncio. Ninguém me disse que não valeria a pena e toca a tomar o comprimido milagroso pelo menos no que toca a fazer-nos ficar a parecer que nem peixes balão. As contracções começaram mas ficaram pelos 60%, novo toque, mais sangue e o colo continuava fechado. Ainda assim e sabendo da minha teima por um parto vaginal o médico resolveu tentar pela via de baixo. Novo comprimido, contracções mais intensas e às 16h o colo nem sequer estava permeável a um dedo. Para eles era óbvio que nada iria se alterar e do nada disseram "mama vamos para uma cesariana? a natureza é sábia, se por algum motivo ele não desceu vamos sabê-lo quando o tirarmos". Às 16h o meu instinto tornava-se realidade, às 16h30 já estava no bloco operatório para conhecer o Pablo às 16h56. Com 3.600 KG e 52 cm esta pessoa pequena foi a coisa mais bonita que alguma vez fiz. Quando o tiraram de dentro de mim e me mostraram percebi o que era ser mãe, não quis saber se era perfeito se tinha cabelo, mal olhei para ele, só conseguia pensar "porque raio não chora o miúdo?". Só no recobro tive oportunidade de olhá-lo bem e ele para mim com aqueles olhos grandes que conhecia tão bem de me olhar ao espelho todos os dias. 

 

Se foi fácil? Não. Se esqueci a dor toda que tive e que ainda tenho conforme dizem que acontece quando os põe nos nossos braços, não não esqueci, mas se compensa? Claro que sim. Independentemente de todos os objectivos terem saído ao lado, de ter sido aberta, fechada, cozida, revirada, prolongando-se a recuperação por muito mais tempo que num parto normal, hoje sei o que é ser mãe e amar de forma incondicional. Sei o que é não importar revirar as rotinas para dar atenção a uma criatura tão indefesa e imatura, tão dependente de nós, sei que a vida mudou para sempre e que todos os medos que tinha serão exponenciados ao mais alto nível. 

 

 

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