Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

31.Jan.14

Oscar Wilde

é no mundo encantado da Gravidez em que toda a gente sabe mais do que nós próprias, em que toda a gente tem uma opinião a dar que a célebre frase de Oscar Wilde me faz tanto sentido - tudo o que é popular está errado.

30.Jan.14

dia de consulta

E a gravidez continua, as semanas passam a voar e já estou tão próxima das 19. Mensalmente lá tenho de ir mostrar a barriga ao médico e dizer que está tudo bem, é o chamado "picar o ponto". Este médico não faz ecografias mensais, mas sim as indispensáveis, 4 no máximo durante toda a gravidez. Mas gosto dele, é um fofinho. 

 

Não vi o Pablo mas ouvi o coraçãozito dele a bater que nem cavalo a galope, um mimo e uma alegria para o meu coração de mãe que acalmou por confirmar que ele está vivo (sim o pensamento de vez em quando que ele pode estar morto porque ainda não o sinto assola-me à cabecita). Continuo a não me comover com estas coisas, mas lá está, é de mim, nunca fui muito dada a choradeiras. 

 

Questões práticas: aprendi a sentir o topo do meu útero que já está muito próximo do umbigo, genial! Bem que me sinto toda apertada cá dentro. Hoje fizeram-se as contas do peso e até ao fim da gravidez só tenho mais 8 kg para engordar. A barriga já está arrebitada e já se nota mesmo vestida (não saí à Carolina Patrocínio por muito que gostasse). Faltam 17 dias para fazer a morfológica, mas marota como sou marquei uma 3D para sábado. Espero ter a confirmação definitiva que o Pablo é mesmo um Pablo e não vira afinal de contas em Pablita.

 

Tudo a correr bem, tudo sereno. Continuo calma e hoje o médico elogiou-me. Diz ele que vê 30 grávidas por dia. Meu Deus, e nem quero imaginar as chatas que lhe passam pela vista. Mas dou o desconto, grávida que é grávida pode chatear à vontade, eu sei que no fundo deve ser difícil manter sempre este estado ZEN (o truque meninas, é descarregar no husbie como se não houvesse amanhã).

30.Jan.14

work in progress

E o quarto do Pablito começa a ganhar forma. Uma parede já está. Pode parecer papel de parede mas não, as riscas foram pintadas à mão por forma a dar esse ar. Adoro papel de parede neste padrão, mas acho caro e acaba por estragar a parede mais tarde caso se opte por tirar. Pedi ao Husbie que concretizasse e voi lá. Conseguido. 

 

28.Jan.14

e o sono

Ai senhoras e o sono que tenho a seguir ao almoço? E o esforço que faço para a cabeça não cair em cima do teclado? Grávida que é grávida devia ter permissão para trabalhar apenas até às 13h. Aposto que os bebes nasciam mais saudáveis e felizes. 

28.Jan.14

O problema de parir

Sei que tenho escrito pouco em comparação com aquilo que pretendia quando resolvi criar este blog. A verdade é que só vivendo as coisas poderemos saber como vamos encará-las. Não tem sido fácil a adaptação a esta nova fase. Só quem está ou já esteve grávida percebe do que falo. O cansaço diário não ajuda. Acordo exausta mesmo dormindo 8 horas. Há mulheres que adoram estar grávidas, sentem-me bem, bonitas, frescas, com uma nova graça, eu não sou dessas mulheres. Já desconfiava mas tinha uma leve esperança de que quando chegasse a minha vez fosse diferente.

 

Provavelmente já me estão a chamar nomes desse lado por assumir publicamente que não gosto. Escrevo sempre com alguma ironia por forma a colmatar este sentimento. O sentimento não deixa de ser fantástico porque carregamos uma vida humana só nossa, mas o sacrifício é tremendo. A verdade é que também culpo em parte ou no todo o apoio que recebi no meu trabalho por parte dos meus superiores. Optaram por ignorar o assunto e penso que continuarão a fazer enquanto não tiverem uma barriga proeminente apontada à cara deles. Ainda não fui para casa e já me perguntam quando volto, como vai ser quando tiver de licença ou como faço tensões de assegurar o trabalho estando fora. Parecendo que não esta é uma forma de pressão. Tentam que me sinta mal por estar a passar por isto. E no fundo acham que o que me pagam é suficiente para me fazerem certas exigências ainda que de forma implícita. Sendo advogada não tenho qualquer vínculo efectivo mas preciso do dinheiro que recebo. Custa-me pensar que outras mulheres possam passar pelo mesmo, e pelo mesmo tipo de chantagem emocional numa fase em que já estamos tão fragilizadas por questões hormonais. 

 

Se uma gravidez não é fácil, sem o apoio daqueles que nos rodeiam é então ainda mais difícil. Não me posso sentir culpada por não conseguir trabalhar até às 20h30 todos os dias, por não conseguir ter posição na cadeira a partir das 19h. E a barriga pode não se ver mas a verdade é que são quase 7 kg em cima a mais e isso pesa. A verdade é que o meu útero triplicou de tamanho e roubou espaço às costas, ao estômago, aos intestinos e à bexiga. Não me posso sentir culpada por me sentir cansada e com menos motivação para ir encarar os tubarões dessa vida. Não me posso sentir culpada por ter uma vontade sistemática de mandar tudo e todos à merda sem razão aparente. 

 

Não posso deixar de sentir vergonha por um país em que a distinção feita entre mulheres e homens no trabalho continua a exisitir só porque nós parimos e passamos em média 5 meses em casa em 30 anos de dedicação a uma casa que não é nossa.

 

Um bem haja a esses tubarões que enchem os bolsos à custa destas vacas parideiras que somos, que não podem estar em cargos reservados a homens mas que caso não existissem também essas posições não existiriam pois a maioria das empresas estaria na ruína. 

24.Jan.14

Cabulazinha jeitosa

Toda a gente sabe que grávida fala em semanas, mas quando o comum dos mortais pergunta de quanto tempo estamos, quer ouvir a resposta em meses e não em semanas. Acontece que para mim também os meses não me dizem nada e portanto nunca sabemos às quantas andamos.

 

Para as grávidas e não grávidas segue o "matchy-matchy":

 

1º Mês (1 a 4 semanas)
2ºMês ( 5 a 8 semanas)
3º Mês ( 9 a 12 semanas)
4º Mês ( 13 a 16 semanas)
5º Mês ( 17 a 21 semanas)
6º Mês ( 22 a 26 semanas)
7º Mês (27 a 30 semanas)
8º Mês (31 a 35 semanas)
9º Mês ( 36 a 40 semanas )


 

22.Jan.14

Desejos de Grávida

Confesso que o meu maior desejo não é por comida mas sim que o Pablo comece a pontapear-me desenfreadamente até que o sinta. Isto de fazer ecografias de dois em dois meses ou lá o que é dá cabo do coração de uma mãe. Tanto mais que resolvi fazer por fora uma 4D para ver o meu rebento. Faltam 8 dias senhoras, contem comigo!

20.Jan.14

grávidas e belas

Muitas vezes tenho ouvido que as mulheres grávidas sentem-se mais bonitas, mais femininas durante esta fase. Eu bem tento olhar-me ao espelho para descobrir essa beleza mas está difícil. Grávida que é grávida engorda, fica com borbulhas em sítios que nunca imaginou (as minhas costas parecem um campo de guerra), algumas ficam mais peludas, com bigodes, se não têm bigodes aquela mancha do buço muitas vezes também dá o ar da sua graça, ficam com a famosa linha negra que ao longe parecem pêlos púbicos todos em linha, as maminhas transformam-se em melões de 2 kg e raspam na barriga tal é o peso (raspam ou "encostam-se"). Grávida que é grávida tem gases, mal cheirosos porque tem cocós retidos há mais de 3 dias (sim porque grávida que é grávida não faz cocó diariamente), tem a pele mais oleosa e o cabelo também. Tem retenções de líquidos o que a faz parecer maior do que está efectivamente. Não tem posição para dormir ou porque a barriga está grande ou porque mesmo que ainda não esteja tem medo de "esmagar" o bebé, e portanto dorme mal e tem olheiras. 

 

Desengane-se quem achar que eu não estou a adorar estar grávida, adoro, é super fixe e sinto-me muito bonita não porque o esteja efectivamente mas porque passei a arranjar-me mais e a maquilhar-me. A beleza vem dos cuidados acrescidos que tenho por me ter tornado muito mais feia. Mas estou feliz, como nunca antes tive, e isso é uma bênção.

 

16.Jan.14

Positivo... e agora?

Depois de sabermos que estamos grávidas temos um misto de sensações que são difíceis explicar. Não tinha ninguém para contar, o meu Husbie estava fora, só voltava dali a duas semanas, e as minhas melhores amigas não me pareceram suficientemente próximas naquele momento (apesar de uma delas quase me ter apanhado nesse dia em que fui ao laboratório porque me viu a estacionar o carro à porta da clínica). É uma coisa tão nossa que é impossível exteriorizar. 

 

Passado o histerismo mandei uma mensagem ao meu ginecologista a dar-lhe a boa nova e a perguntar se valeria a pena fazer as análises que ele tinha mandado fazer para despistarmos o porquê de eu não conseguir engravidar. Diga-se que eu tinha estado no consultório dele 5 dias antes, fui observada e mesmo assim o homem não deu por nada. Respondeu-me logo de seguida a dar os parabéns e disse para ir ter com ele na sexta-feira (era uma segunda-feira). Resolvi que não contava nada ao Husbie até ter alguma certeza e mantive-me serena até sexta. Quando me sentei em frente ao médico a primeira pergunta foi "quando foi a sua ultima menstruação?", lá lhe expliquei que estava a fazer ciclos muito longos e que portanto se ele ia calcular o tempo de gestação assim nunca iria bater certo. "Então vamos observá-la". Põe sonda tira sonda, e não se via rigorosamente nada, nem saco gestacional. "Vai ter de fazer novo BETA agora e ficar à espera do resultado". E lá fui eu desgostosa tirar sangue e esperar. No meio daquele tormento o médico foi operar e disse-me para lhe mandar uma fotografia com o resultado do exame. Chega o resultado (228 mU/ml) e lá mando a foto ao médico. Estava relaxada porque esses valores estavam dentro do tempo que eu achava que estava - 3 semanas - e não aguentei mais e contei ao meu marido e aos meus pais, festas, abraços, gritos, choros, chega a resposta do médico: "os valores são baixos, tem de vir ter comigo novamente na terça-feira para repetir a análise". 

 

Confesso que fiquei em pânico, mesmo sabendo que os valores estavam dentro daquilo que eu sabia ser o tempo correcto. Não me sentia com forças para esperar até terça, para ter de ir tirar sangue uma vez mais, sem Husbie por perto, sozinha em casa, foi difícil. Nessa terça-feira tive o primeiro sorriso de confiança do médico - os valores estavam acima dos 2100 mU/ml, mas ainda não tinha acabado "próxima terça-feira vem ter comigo às urgências porque eu quero ver se já se vê alguma coisa". 

 

Às vezes penso que sabermos tão cedo não é nada bom. Aquelas três semanas foram de puro stress, não aproveitei bem, estava desgostosa porque não sabia ao certo o que se estava a passar. Nessa noite em que fui às urgências, já com o meu marido por cá íamos nervosos, e devo dizer que quando o médico pôs a sonda e andou lá não sei quanto tempo sem aparecer nada no ecógrafo eu me senti a desanimar, até que resolveu fazer pressão no sitio onde eu sentia e sabia que estava o Pablo e lá apareceu um saco gigante e um ponto final minúsculo no meio daquele vazio. O ponto final das minhas incertezas. Podia respirar finalmente.

Pág. 1/2