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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

26.Dez.13

O Pressentimento

Já todos ouvimos falar do sexto sentido que as mulheres têm. Questão incontornável, todas sabemos algumas coisas por instinto, umas com ele mais apurado que outras. Acho que posso dizer que soube que estava grávida 5 dias após ter engravidado, provavelmente quando se deu a implantação do zigoto. Não tive nenhuma espécie de sangramento, mas desde esse dia que me senti diferente, estranha. É óbvio que estava mais alerta que o comum das mulheres que não esteja em fase de tentativas. Passados 10 dias começava a desesperar porque ainda não tinha atraso menstrual para fazer nenhum teste de gravidez. E como os meus níveis de ansiedade estavam em altas achei que podia ser tudo da minha cabeça. 

 

Lembro-me que numa quinta-feira falei com a minha "consciência do escritório" que na altura me disse que eu tinha de me acalmar e se achava mesmo que estava sempre podia fazer um teste, o não era garantido. Nesse dia faltava um dia para o período aparecer. Resolvi esperar calmamente pelo seu aparecimento o que não chegou a acontecer. Nessa altura o grande sintoma era nas maminhas, doíam-me horrores. Sentia-as tensas e rijas. No sábado ia vender tralhas para uma feira muito em voga agora (Coolares Market) e mal consegui dormir, às 06h estava a pé para fazer o teste de gravidez no primeiro dia de atraso - tive um redondo negativo (Clearblue também falha). Essa feira foi miserável, não só porque não vendi nada, como também porque sentia que estava diferente e depois do negativo só podia associar a diferença a loucura. Mesmo assim, resolvi ir comprar outro teste sem ser digital e aguardar por segunda-feira. Segunda-feira toca de acordar de novo com as galinhas e de fazer xixi para uma nova vareta (já quase parte de uma rotina nos últimos tempos) para ter de novo um teste negativo, sem um segundo traço. Confesso que fiquei passada, mas mesmo assim o meu instinto sussurrava-me ao ouvido "vai a um centro de análises e faz um BETA HCG ao sangue". A frase repetia-se enquanto tomava banho e assim fiz. Paguei um balúrdio diga-se porque sem credencial estas coisas são caríssimas, mas garantiram-me que às 17h30 tinha o resultado no meu email. Às 17h28 nada de resultados e os nervos já me consumiam. De referir que neste processo que demorou três longos dias não falei com ninguém, nem com o meu marido. 

 

Ao terceiro toque atenderam: 

eu - não me enviaram os resultados de um beta

clínica - sabe às vezes os médicos não assinam logo e o exame não é liberado, aguarde um pouco

....

  .......

    .........

clínica - pois o médico responsável não assinou.

eu - Ok, mas acha que amanha já enviam?

clínica - sim claro mas eu posso dizer-lhe o resultado

(engulo em seco)

clínica - o exame está positivo mas muito fraquinho ainda, não conte a ninguém porque a gravidez deve ser muito recente.

 

Senti o chão a fugir-me, uma alegria enorme que não podia exteriorizar pois estava no meu local de trabalho. Não queria saber do resultado fraquinho porque era o meu tão esperado positivo. Passados 5 minutos os resultados estava na minha caixa de email. 

 

Para quem nunca viu um desses exames:

 

 

 

Quando cheguei a casa no teste da manhã que tinha ficado por deitar no lixo, via-se uma linha muito clara, mas estava lá. Foi o dia em que soube que estava à espera de bebe. 

19.Dez.13

pensamento do dia

Este tema é complicado, e espero que seja recorrente apenas durante o primeiro trimestre, mas a ideia que me vem à cabeça diariamente e a cada 50 segundos é "será que o Pablo está morto?". Em dias menos negros consigo ficar-me pelo "será que o Pablo parou de se desenvolver?". A minha amiga Isabelinha diz que é normal, e que depois do "período crítico" o pensamento é mais outro "será que já apanhei toxoplasmose ou listeriose?"

18.Dez.13

tentativas take 2

E foi em Setembro que resolvi explorar o maravilhoso mundo dos testes de ovulação. Para mim estava fora de questão medir a temperatura todos os dias, logo ao acordar pôr um termómetro no pipi sem fazer o que quer que seja antes. Informei-me sobre os ditos testes mas achei-os tão caros que pedi ao Husbie para mandar vir do Amazon. Muito mais em conta, e ele lá arranjou uns XPTOS da Clearblue. Ora estes XPTOs ao contrário dos que se vendem pelas nossas farmácias, detectam dois dias férteis, e os dois dias mais férteis, ou seja, quando detecta que estamos a entrar no período fértil, é suposto que dali a dois dias seja o pico, o dia ideal para engravidar. Fiquei logo de pé atrás porque detectar 4 dias, tem muito mais probabilidade de erro que detectar apenas um (os que se vendem nas nossas farmácias, quando detectam o pico da hormona libertada durante a ovulação não é necessário fazer mais nenhum a seguir a isso), mas resolvi experimentar. Assim que chegaram, e passado 10 dias do primeiro dia da menstruação daquele mês comecei a fazer xixi para as varetas até que me apareceu o sorriso a piscar (sinal que estava a aproximar-se a altura e sinal de que dali a dois dias deveria aparecer o sorriso fixo, sem ser a piscar), o sorriso a piscar manteve-se durante 6 dias e nunca apareceu o fixo.

 

Nesse mês fiquei sem perceber se tinha ovulado, se os testes funcionavam, e diga-se, foi mais um mês perdido e lá me apareceu o tão desejado periodo no dia 13 de Setembro (sexta-feira 13 uhhhhh). No dia 6 de Outubro, voltei aos testes de ovulação XPTOs que o Husbie arranjou. E tive a cara sorridente a piscar no dia 6, no dia 7, no dia 8, no dia 9 (aqui já me estava a irritar), no dia 10 e no dia 11. Nada de sorriso fixo! Dia 11 o Husbie aterrou em Lisboa cheio de saudades e com uma mala carregada de esperanças. Chegou a casa à hora de jantar e a primeira coisa que ouviu foi "estou a ovular há uma eternidade. Oh meu amor, faz lá xixi para a vareta só para ver o que te dá". E pimba, sorriso a piscar, o marido estava a ovular.  

 

Tentei não ficar muito triste porque também queria aproveitar a semana dele cá, pedi-lhe apenas que no dia a seguir mal acordasse fosse à farmácia comprar os da clearblue normais, sem serem XPTOs para testarmos. E no dia a seguir lá foi ele à farmácia, e pelo meio ainda comentou com a farmacêutica muito orgulhosamente que também ele estava a ovular. Aguardei em casa e quando ele chegou lá testei, o mesmo sorriso irónico, fixo (os de Portugal não piscam). Nesse dia ou no a seguir engravidei. Não posso dizer que os testes ajudaram, mas tive uma tremenda pontaria nesse mês, e naquele dia 12 sentia-me fértil! Ou apaixonada, não sei, acho que vai dar ao mesmo. Nos dias em que estou perdidamente apaixonada viro loba, o tal sintoma da fertilidade. 

17.Dez.13

a facilidade de engravidar

Enquanto para umas é logo à primeira, ou num esquecimento da pílula ou numa tomada de antibiótico ou porque o coito interrompido não funcionou, para outras é preciso pontaria.

 

No primeiro mês de tentativas nem nos aborrecemos, no segundo ficamos apreensivas, ao terceiro começamos a ficar obcecadas. Confesso que a minha obsessão começou por volta de Junho e agudizou-se nas férias em Agosto. Não vou dizer que aconteceu quando eu menos pensava no assunto porque estaria a ser hipócrita, não relaxei, nem desliguei um único mês a partir do momento em que comecei a tentar. O mês em que engravidei (Outubro) não foi excepção. A única diferença desse mês é que resolvi ir queixar-me ao médico. Mandou-me fazer análises hormonais porque os meus ciclos estavam a ser demasiado longos (uma mulher normal tem ciclos de 28 dias, ovula ao 14º - janela de oportunidade) chegando aos 50 dias. A diferença das mulheres com ciclos como os meus, para as que têm ciclos normais, é a dificuldade em acertar nos dois dias do período fértil. Completamente às escuras só tinha duas hipóteses: ou mantinha relações todos os dias com o meu marido durante 50 dias (o que não era possível porque ele só possa uma semana por mês em casa) e diga-se que deve ser uma canseira, ou tentava ter pontaria. Em Setembro resolvi experimentar uma terceira via. 

16.Dez.13

tempo presente

diz a minha APP que estou de 11 semanas certinhas, dia 77 quase a entrar no terceiro mês. O Pablo (nome carinhoso que lhe dei só porque sim e porque gosto de inventar nomes parvos) tem 5,4 cm e 14 gramas. Não sei como é que uma coisa do tamanho de uma ameixa pode já dar tanto trabalho: ele é barriga inchada, mamas gigantes, peso aumentado, enjoos nocturnos, fome nocturna, e mau feito 24 horas por dia. É as calças que começam a ficar apertadas porque a barriga já se vê. Valha-me o meu marido que escondeu a balança uma vez que todos os dias de manhã era uma gritaria e choradeira pegada sempre que via as gramas a aumentar. Posso já estar nos 60 kg que nem sei. Mas confesso, sou mais feliz na ignorância. 

16.Dez.13

corria o ano de 2012

foi em Outubro de 2012, acabada de fazer um ano de casada que comecei (começámos, tenho de parar de pensar enquanto individuo) a pensar nisso. Médico marcado, exames pedidos, exames feitos, era altura de começar a tomar Folifer (comprimidos de ácido fólico e ferro, indispensáveis para a boa formação do tubo neural do feto). E aí começaram as complicações, fiz reacção alérgica ao Folifer, toca de ligar para a minha gastrenterologista, apalpa aqui, apalpa ali, toca de fazer endoscopia, conclusão: intolerante ao Ferro. 

 

E nisto já era Janeiro de 2013, ano de novas resoluções, ano de mudanças no escritório, e o ano em que parei de tomar a pílula e entrei efectivamente em treinos! E quem pensava que é fácil engravidar à primeira, desengane-se... penei por largos meses!

16.Dez.13

e tudo começou

há um tempo atrás na ilha do sol... lembro-me sempre desta música quando tento recuar no tempo, até ao dia em que decidi que estava na altura de engravidar. 

 

Espero fazer deste blog um diário de bordo para todas as futuras meninas que pensam passar por este maravilhoso estado de (des)graça. vou começar do princípio e espero terminar lá para Julho, se Deus quiser.