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Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

Estado de (des)Graça

todas sabemos que a gravidez é um estado de graça.

O negócio da infertilidade

Infelizmente trata-se disso mesmo, um negócio, que gera milhões, move milhões porque por filhos pagamos o que temos e o que não podemos. Lamentavelmente e como negócio que é deveria ser mais e melhor regulamentado, deveria haver uma entidade de tutela, deveria haver mais leis.

 

Numa altura em que se regulamente para mulheres sem útero (veja-se o exemplo das barrigas de aluguer), para mulheres sem pareceiro(a) (que já podem recorrer ao banco de embriões), para casais homessexuais que queiram adoptar, esquecem-se os direitos básicos das mulheres ditas normais, das que têm um útero que não funciona, das que têm um parceiro com espermatozóides sem mobilidade, das que simplesmente não conseguem procriar sem razão aparente.

 

Nesta sociedade que se diz tão moderna, que batalha pelos direitos das minorias, põe-se de parte as maiorias que ficam desprotegidas e à mercê dos que gerem os ditos negócios. 

 

Desde condutas menos éticas, procedimentos que não chegam ao termo esperado e ficam por explicar o que falhou, desde mulheres que querem o segundo filho, mas que para recorrer ao Serviço Nacional de Saúde têm de mudar de parceiro, porque se já têm um primeiro filho, não têm DIREITO a um segundo pelo menos não daquele homem, desde mulheres que esperam um ano para fazer uma inseminação artificial, que se por acaso falha têm de esperar mais um ano, tudo isto se passa à sombra do poder de quem regulamenta. Ninguém quer saber e assim continuará, porque enquanto as vozes das minorias se fazem ouvir que nem trovões, as das mulheres como eu, calam pela vergonha, pelo tabu do assunto e pelo medo da exposição. 

 

E agora o que comer

Diário Alimentar de uma Grávida num dia de treino:

Pequeno-

almoço

9:30h

iogurte magro + 1 pão/torradas com philadelphia light 

Antes almoço

12:00-12:30h

1 puré de fruta + barra proteína até 130 calorias 

Almoço

14:00-14:30h

 

Sopa de legumes

+

Salada grande (alface) com feijão verde cozido e bróxulos + uma lata de atum + queijo fresco magro + 3 colheres de sopa de grão

Tempero: azeite e vinagre

Gelatina

 

1º Lanche

16:30-17:00h

1 ovo cozido

Tarde

Beber muita água ou chá ao longo da tarde

2º Lanche

18:30-19:00h

1 iogurte magro + 3 tortitas de milho/arroz com compota sem açúcar

Extra para picos de fome

gelatina 10Kcal ou cenoura crua ou tomate cherry ou fiambre de aves

 

Jantar

21:00-21:30h

 

Peito de Frango no forno com bróculos e couve flor cozida

Pêssego

Ceia opcional

1 babybel 

 

Vantagens desta gravidez

Sinto-me finalmente uma criatura mais normal. Deixei, pela primeira vez em dois anos, de pesar tudo o que como, e de registar cada caloria ingerida. Espero que isso não me traga o sabor amargo de muitos kilos a mais, mas penso que não. Estou a fazer uma dieta equilibrada, de uma pessoa normal, com alimentos normais. E sinto-me em liberdade, acordar e não ter de colocar todo o plano alimentar diário no myfitnesspall é libertador. Estou neste mood desde quinta-feira e até ver ainda não tive nenhum ataque por não saber quantas calorias já ingeri às 18h.

Antes disso, sempre que acordava registava o pequeno almoço, almoço, lanches e jantar, e ia para a cozinha pesar todos os alimentos por forma a cumprir ao milímetro a informação introduzida na aplicação. Espero nunca mais voltar a este registo, mas sei que se esta gravidez me trouxer 20kg a mais, lá para meio de Janeiro estarei neste modo. Esta sou eu! 

Resposta: Bepositive

Olá Gracinha! Já percebi que estás grávida pela segunda vez...Parabéns!
Estou a tentar engravidar e, como não tenho ovulação, torna-se impossível. Ontem comecei a tomar o Progyluton (que me é totalmente desconhecido) e queria saber se contigo resultou, tiveste efeitos secundários, dores enjoos? Engravidaste só com o Progyluton? Obrigada.

 

BePositive eu tomei o Progyluton para provocar a menstruação para depois começar a outra medicação. Mas tenho uma amiga que engravidou só com o Progyluton. Dizem que é muito eficaz para fazer uma limpeza dos ovários e assim ajudar na regulação dos ciclos. No meu caso foi mesmo só um empurrão para partir para o resto da medicação.

Campo Real Resort

Este fim-de-semana rumámos a Oeste para umas paisagens um pouco diferentes. Apetecia-me fugir ao calor da cidade, ao caos dos Santos Populares, às filas da ponte para a Caparica. Marquei em cima da hora duas noites no Campo Real Resort do Grupo Dolce (desconheço que grupo seja este), complexo de 5 estrelas lá para os lados do Turcifal. 

As paisagens são bonitas, o cenário fica ainda mais interessante com os moinhos em pano de fundo, a piscina é espaçosa, e o restaurante não é mau. É um hotel adequado a crianças, tem um clubkids que me pareceu bom (não usámos porque com temperaturas próximas de 40 graus, o nosso gordo estava bem à sombra e dentro de água), e um pequeno-almoço diversificado. A relação qualidade preço é justa e permite relaxar sem fazer grandes kms para quem viva em Lisboa. O ginásio também não é mau.

Convenhamos que quem vá à procura de um hotel de 5 estrelas este não é sítio adequado, falta-lhe tudo o que um hotel desta categoria tem: num hotel de 5 estrelas temos alguém a estacionar o carro, as malas aparecem nos quartos, as camas são abertas à noite e é deixado um mimo em cima da almofada. Num hotel de 5 estrelas o bar da piscina nunca estaria fechado nesta altura do ano, existiram mesas de apoio às espreguiçadeiras e algum tipo de vigilância nesta área. Existiriam cinzeiros nas varandas e o jantar servido no buffet não se limitaria a um prato de carne e outro de peixe (apesar da fantástica selecção de queijos que cabe referir).

Mas serviu o propósito e penso voltar, porque volto sempre aos sítios onde sei que o meu primogénito foi feliz. 

 

CampoReali.jpg

camporealii.jpg

 

Vantagens da FIV

Quando o nosso filho mais velho perguntar como são feitos os bebés posso sempre explicar-lhe todo o método laboratorial envolvido numa Fertilização in Vitro e até um vídeo do embrião a ser colocado dentro de mim sem ficar encarnada ou atrapalhada. 

Decisões Gracianas

Tenho duas decisões já tomadas na minha cabeça:

- não vou amamentar este filho;

- vou marcar uma cesariana.

Duas decisões que ainda geram muita controvérsia por esse mundo fora, duas decisões que me farão ficar mal vista aos olhos de muitas mulheres, principalmente aquelas fervorosas de partos humanizados e da amamentação em exclusivo, mas duas decisões muito ponderadas.

 

Não quero amamentar este segundo filho porque tive uma experiência traumatizante no primeiro. Odiei todo o processo, não senti nada, não acho que crie qualquer ligação super especial entre mãe e filho, acho um acto muito animal, vi o meu filho a perder imenso peso porque eu não o conseguia pô-lo a mamar, foi uma frustração enorme, todos os dias me culpei por ter pouco leite, fiz todas as mezinhas caseiras possíveis e imaginárias e no fim não serviu para nada. Vão-me dizer "não sabes como será desta vez". Não sei, é um facto, mas sei que não quero passar por uma experiência como a primeira e portanto assim que fôr o parto tomarei um comprimido que impedirá a subida do leite.

 

Quero uma cesariana porque já sei para o que vou. No primeiro queria muito um parto natural, fiz tudo para ter um parto natural, esperei até às 41 semanas, andei km por Lisboa, subi escadas, fiz exercício na bola de pilates e não aconteceu nada! Acabei no bloco operatório para uma cesariana. A recuperação é dura, as dores são duras, a subida de leite é mais tarde, não é natural mas lá está. Sei para o que vou e uma vez mais não quero ter de gerir novas frustrações. 

 

Não sou pior mãe por não amamentar o meu filho, tal como não sou pior mãe por não conseguir parir por via vaginal. Quem me dera não ter tido as primeiras duas experiências que tive acima, mas tive-as e só isso dá-me o direito de escolher de forma ponderada aquilo que é melhor para mim, e o que é melhor para mim será com certeza o que é melhor para a minha querida Rosita. 

 

 

Começa o pesadelo

Odeio estar grávida, odeio todas as mudanças que uma gravidez implica no nosso corpo. Odeio o sono que sinto, as flutuações hormonais, os enjoos. Odeio a fome desmedida e o ter de passar fome. Começa a saga do "ai meu deus não aguento o tamanho destas mamas", "ai meu deus que o meu rabo parece um barco", "ai jesus que tenho fome de porcarias e tenho de fechar a boca porque senão fico uma lontrinha".

Estar grávida não tem nada de engraçado, é um Estado muito pouco simpático e invejo aquelas mulheres que adoram esta fase. Se achava que a idade me iria dar alguma tranquilidade desenganei-me já. O pesadelo voltou e eu tenho de aprender a lidar com ele, tenho de conseguir olhar-me ao espelho, tenho de conseguir documentar esta barriga através de muitas fotografias. Queria descomplicar mas esta fase está a ser má. O facto de a minha relação com o meu marido não estar bem também não tem ajudado. Daí a minha ausência. Achei que ia ser um período de tranquilidade, serenidade, paz, tudo muito zen, em branco, com almofadões, infusões de ervas e muita leitura, estão a ver o género? 

Mas não, é mais um filme de terror, com discussões e muita celulite à mistura. 

Estou viva

Ou melhor dizendo, morta-viva. Se na gravidez do Henrique chegava às 18h KO, ia para casa e descansava enquanto o marido preparava o jantar, nesta chega as 18h e ainda tenho pela frente mais cerca de hora e meia de trabalho, e quando chego a casa tenho a primeira das criaturas à minha espera, para dar o jantar, atenção, brincar, despir, vestir e deitar. Sou uma sortuda porque o meu jantar está sempre pronto e a empregada dá o banho. Mas tenho de admitir que de uma primeira gravidez para uma segunda gravidez muda muita coisa, a saber:

- o marido já não é tão fofinho e está-se pouco marimbando para o teu cansaço, também tem um filho para dar atenção;

- não existe aquela coisa do ir jiboiar para o sofá e papar séries, o sofá é do filho mais velho e as séries são o Patrulha Pata em modo repeat;

- fechar os olhos nem pensar porque tens um filho rapaz, um marido rapaz, que quando se juntam parecem ter dois anos, as brincadeiras são sempre aos gritos, a atirar ao ar, a fazer de piratas ou ciganos na FIC;

- os enjoos são compartilhados e enquanto estás na casa de banho a vomitar tens um marido a perguntar se ele vai jantar carne ou peixe e um filho a questionar "mãe porque estás a puxar o vótimo";

- o belo do jantar servido pelo marido e que a empregada deixou pronto não passa de uma sopinha e um prato de frango cozido com legumes porque já não tens 28 anos e o teu metabolismo deixou de exisit. Bem-vindos kilos extra.

 

E é isto, estou cansada muito cansada e férias só em Agosto.

Casa Nova - Check

Habemus casa! Depois das burocracias habituais, de 4 horas de espera para fazer a escritura, com o humor de cão típico de uma grávida que não come há duas horas, porque o vendedor não levou os originais da papelada das finanças, depois desses mesmos vendedores terem ido para uma repartição para conseguir as certidões do que estava em falta, conseguimos! Temos a chave da casa nova, vazia e que ainda precisa de obras, mas é nossa. Ainda não caí em mim, nem sinto aquela felicidade típica de quem assina uma escritura, mas também verdade seja dita a minha semana tem sido para esquecer.

 

Desde mudar o plano para férias, ter de incluir o filho na viagem romântica, pagar 1000 euros de diferença por essa inclusão, um vírus novo em casa quando tínhamos fim-de-semana marcado fora com a criatura, e o cansaço típico do primeiro trimestre, não sei se ria ou se chore. 

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